TURISMO NA AMAZÔNIA

No Amazonas, Embratur leva executivos do turismo para um passeio de trabalho

“É preciso desenvolver e agregar novos produtos, identificar tendências de segmentação”, diz ele. “É verdade. Mas, é claro, para isso chegar à prateleira do mercado, isso tem que estar aliado a um planejamento que traduza as demandas e busque a satisfação do cliente”, responde ela. Você ficaria espantado em saber que uma conversa como essa teve lugar no convés de um barco de luxo navegando no meio do rio Negro, em meio a garfadas de tucunaré assado com arroz de jambu e farinha do Uarini, em pleno sábado de sol amazônico?

A Embratur (Empresa Brasileira de Turismo) iniciou em outubro o projeto Caravana Brasil, que levam empresários e executivos do setor para ter contato direto com o produto comercializado por eles: os próprios locais para onde enviam os turistas estrangeiros. No último fim de semana, um grupo de 15 desses profissionais esteve no Amazonas. Eles visitaram na sexta-feira a cidade de Parintins, que recebe anualmente 100 mil visitantes para o Boi-Bumbá, maior festa folclórica da região Norte. Depois, seguiram até Manaus, onde conheceram ou reviram os “hotéis de selva” opção de hospedagem preferida pelos gringos. Ali, também tiveram contato com uma tendência emergente na região, o turismo de pesca.

O projeto é mais uma das ações do governo federal no implemento de seu Plano Nacional de Turismo, lançado em abril pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma de suas metas é ampliar o desembarque de turistas estrangeiros no País dos atuais 3,8 milhões para 9 milhões anuais.

Já houve tempo em que a Embratur acumulou responsabilidades como credenciar ônibus turísticos e vistoriar hotéis Brasil afora. O quadro mudou com a criação do Ministério do Turismo, no início deste ano. Agora, a empresa tem atribuições bem definidas. “A Embratur cuida hoje da promoção, marketing e apoio à comercialização do turismo brasileiro entre o público internacional”, resume, de um só fôlego, o diretor de turismo de lazer e eventos, Airton Pereira, que liderou a caravana no Amazonas.

O Caravana Brasil se baseia numa atividade comum para o setor, o chamado “famtour”. O turismo internacional, como negócio, funciona assim: o sujeito lá na Europa, na Ásia, ou nos Estados Unidos vai preparar as férias. Ele, então, procura um agente de viagens. Esse agente, com a demanda do cliente em mãos, se comunica com uma empresa chamada operadora, que é quem, efetivamente, monta o chamado “pacote” da viagem. O viajante, afinal, terá de ser transportado de avião, depois será levado de carro ou ônibus até o hotel e, de lá, irá partir para os passeios ou visitas às atrações turísticas da região até que o levem de volta ao aeroporto. Esses diversos serviços são executados por um ou mais “receptivos locais”, as empresas que, na cidade a ser visitada, efetivamente têm contato com o turista.

Para as operadoras e agentes de viagem, que permanecem muitas vezes a milhares de quilômetros de seus clientes, vender os pacotes sem conhecer aspectos da região para onde segue o turista pode ocasionar problemas. Por isso, os empresários do setor costumam se organizar em “famtours” para ver com os próprios olhos as condições de hotéis, transporte e a qualidade das atrações visitadas. A crise das empresas do setor aéreo no Brasil reduziu esse tipo de promoção.

Em parceria com a Infraero, a Embratur aproveitou a deixa para aliar à necessidade dos empresários o encaminhamento do trabalho de planejamento turístico que vem sendo executado no recém-criado Ministério do Turismo. Além de visitar destinos tradicionais dos turistas estrangeiros, o Caravana Brasil tem levado representantes do setor para conhecer roteiros considerados promissores na integração no cardápio oferecido aos viajantes. Como qualquer indústria, o turismo tem necessidade de inovar sempre. Novas opções de viagem devem ser acrescentadas a cada ano, sob pena de se perder mercado.

Desde o mês passado, já foram visitados e discutidos locais e temas como o turismo de negócios em São Paulo, a aventura na Chapada dos Veadeiros (GO) e o ecoturismo em destinos ainda pouco conhecidos até mesmo dos brasileiros, como os Lençóis Maranhenses, o delta do Parnaíba (PI) e Camocim (CE). Na próxima semana, um novo grupo de caravaneiros conhecerá as potencialidades do resort Costa do Sauípe (BA) na atração de praticantes do golfe. Até dezembro, ainda haverá uma etapa do projeto em Fernando de Noronha, com o foco no mergulho. O encerramento dessa seqüência de viagens acontece em Brasília, com o tema cidades e patrimônio. Em 2004, uma nova série de visitas deve incluir grandes empresas estrangeiras que enviam turistas para o Brasil.

Boi é cultura

A visita a Parintins é um bom exemplo da importância do planejamento no setor. A cidade organiza anualmente, entre os dias 28 e 30 de junho, o seu Festival Folclórico. O bumbódromo local, centro da festa, com capacidade para 35 mil pessoas, divide a cidade numa bipartição imaginária. De um lado, o domínio do boi Caprichoso, representado pela cor azul. É a chamada Cidade Alta - Parintins fica numa ilha do rio Amazonas, chamada Tupinambarana. Na outra banda, o domínio do vermelho e do boi Garantido. Seu centro histórico é a chamada Baixa de São José, o maior bairro pobre da cidade de 100 mil habitantes, de modo que a disputa entre os bois se converte numa espécie de luta de classes ritualizada.

Essa divertida “brincadeira”, no dizer dos migrantes nordestinos que trouxeram a tradição para a região, é hoje o centro da atividade econômica da região e suplanta a importância de seu rebanho bovino, o segundo maior do estado, bem como sua condição de pólo comercial regional. Por tudo isso, os administradores de Parintins resolveram apostar suas fichas no turismo.

O festival atrai cerca de 100 mil visitantes, mas só acontece uma vez por ano. Além disso, segundo dados da empresa estadual de turismo, a Amazonastur, mais de 70% dos turistas vêm de Manaus, e menos de 10% são estrangeiros. Na sexta-feira (21) à noite, representantes da prefeitura local aguardavam no aeroporto a caravana, que virou notícia de jornal por lá. Depois da recepção, o grupo foi levado às respectivas sedes dos bois Garantido e Caprichoso, onde assistiu a uma palinha dos artistas que fazem o festival, com direito a fantasias, bateria, coreografia e até alegorias com movimento próprio, dignas de um desfile de escola de samba carioca do primeiro grupo.

Segundo o diretor de turismo de lazer e eventos da Embratur, Airton Pereira, que liderou a Caravana à cidade, a orientação para assistir a cidade surgiu do “encantamento” do presidente Lula com o festival, que ele visitou este ano. Entretanto, a julgar pelas avaliações de empresários que participaram da caravana, trata-se de um caso em que a vontade política não basta.

Se quiser realmente constar dos catálogos das grandes agências de turismo internacionais, Parintins ainda vai precisar de muito planejamento e algum investimento em infra-estrutura. “Eu não tenho como tirar um estrangeiro de Manaus para ficar um só dia, enfrentar 50 minutos de vôo e a permanência em hotéis que ainda não têm padrão internacional apenas para assistir a uma apresentação do boi, por melhor que ela seja. Era preciso que a cidade tivesse mais atrações”, avalia um dos executivos que participou da viagem. Nenhum dos caravaneiros deixou de elogiar e de se emocionar com as apresentações, mas, como homens de negócios, acham que o “produto” precisa ser melhorado - pelo menos no que se refere à atração de estrangeiros.

Outras alternativas já estão em curso, como a ampliação do porto da cidade, para a recepção a transatlânticos internacionais. A meio caminho entre Manaus e Belém, Parintins pode se beneficiar desse fluxo. Para o festival, o município prepara ações como a melhoria da rede elétrica - que enfrenta blecautes durante a superlotação que acompanha a festa - e o lançamento de novas atrações.

O milagre dos peixes

A situação é diferente com o turismo de pesca no Amazonas. Em todo o mundo, as viagens dos pescadores amadores geram dinheiro alto. Nos Estados Unidos, segundo a Embratur, são US$ 38 bilhões por ano, com a geração de 1,2 milhão de empregos. No Canadá, são US$ 9 bilhões anuais. Até da nossa vizinha Argentina perdemos feio. Lá, são cerca de US$ 600 milhões por ano. No Brasil, avalia-se que o setor movimente cerca de US$ 100 milhões, embora as estatísticas sejam precárias.

A avaliação da Embratur e de empresários do setor é que o Amazonas tem potencial para atrair um volume muitas vezes superior ao atual. Hoje, o estado já é um dos destinos carimbados dos pacotes estrangeiros, junto com Salvador, Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu. Por outro lado, a cada ano, pouco mais de 6 mil turistas seguem até os rios do estado para pescar. A maioria dos que chegam ao estado segue mesmo é para os chamados "hotéis de selva", que seguem o estilo "luxo rústico", como define uma executiva do setor. Situados à beira de rios como o Negro, a distâncias que variam entre 20 minutos e quatro horas de barco de Manaus, eles oferecem em geral pacotes de três a quatro dias, com programas como o passeio por trilhas na mata e saídas para a observação de jacarés e pássaros. A hospedagem se dá em cabanas à beira de lagoas ou até mesmo em cima de árvores - um dos estabelecimentos da região oferece a "casa do Tarzan" como opção.

"Os seus hotéis têm de ser assim, em pleno contato com a natureza", elogia o turista português. Com diárias que variam entre US$ 100 e US$ 500, têm cerca de 70 a 80% de público estrangeiro. O mais novo hotel do gênero será inaugurado em dezembro e demandou investimentos milionários de um empresário holandês. Para se ter uma idéia do requinte ligado ao selo de "turismo ecológico", suas instalações contam com uma estação de tratamento de esgoto exclusiva, que custou, só ela, R$ 500 mil reais, segundo os responsáveis pelo projeto.

A percepção da pesca esportiva como “segmento” da indústria do turismo é recente por ali. Tudo começou há pouco mais de cinco anos, com a atuação de empresários estrangeiros. Hoje, os turistas pagam US$ 3,5 mil para passar sete dias em um barco na região de Barcelos e capturar, fotografar e soltar de novo na água peixes como o jaú, a pirarara, o tambaqui, o pirarucu e a grande estrela do mundo da pesca, que já ganhou até nome em inglês, o tucunaré, ou “peacock bass” - peixe-pavão, por causa da pinta na cauda, famoso pela disputa vigorosa que trava quando fisgado pelo pescador.

Os turistas-pescadores são um público fiel e generoso, avaliam os especialistas. Costumam deixar em média, a cada viagem no Brasil, até US$ 8 mil, segundo Wilson Katakura, empresário paulista do setor que acompanhou a caravana da Embratur. Há quatro meses, ele passou a trazer japoneses, chineses e coreanos para os rios nacionais, depois de anos recebendo estrangeiros amigos, encantados com vídeos de pesca pirateados por dekasseguis. “Um turista pescou um jaú de 80 kg. Ele tirou uma foto montado nele para contar que tinha ‘cavalgado’ no peixe. Outro, quando pegou uma cachorra - peixe de longos dentes da bacia amazônica - urrava de entusiasmo”, descreve Katakura. Ele explica que a diversidade da fauna dos rios brasileiros e o tamanho de nossos peixes encanta os estrangeiros.

Se a matéria-prima para o turismo de pesca é abundante, o mesmo não se pode dizer da estrutura. Poucos locais hoje no Brasil oferecem condições para o atendimento a estrangeiros. A qualificação de novos pontos para esse tipo de visita é outro dos alvos da Embratur e do Ministério do Turismo.

O destino de pesca no Brasil mais conhecido no exterior ainda é o Pantanal. Mas, segundo Katakura, a coincidência do período da piracema, em que os rios são fechados para garantir a reprodução dos peixes, e as férias dos orientais, tiradas principalmente entre setembro e março, já está começando a atrair para a bacia amazônica os pescadores dessa parte do mundo. Eles vão se juntar aos americanos, que, atualmente, ainda são maioria entre os turistas estrangeiros na região (Manaus fica a apenas 4h30 de vôo de Miami).

Destinos como Barcelos, ou o rio Roosevelt, na divisa entre Amazonas e Mato Grosso, são divulgados pelo esforço de Katakura e seus parceiros. Em 2002, eles promoveram a visita à região de um dos mais famosos pescadores japoneses, Jim Murata. Também já pescaram no Brasil altos executivos, como Kozo Kaminaga, presidente mundial da Sony.

Veja aqui uma opção de turismo: Rondônia Natural


Fonte: Ministério do Turismo (www.turismo.gov.br)
Governo do Brasil (www.brasil.gov.br)
Embratur (www.embartur.gov.br)
Agência Brasil (www.radiobras.gov.br)
Spensy Pimentel/ABr
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