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Casa de Farinha
 
Casa da Farinha, Brava Mandioca

Veja a seguir alguns aspectos históricos e sociais da Casa da Farinha do Parque Estadual da Serra do Mar, núcleo Picinguaba, localizado no município de Ubatuba, litoral norte de São Paulo. E veja ainda um vídeo clipe feito pelo Pick-upau no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), durante sua passagem pela cidade de Iporanga, interior paulista.

Aspectos históricos

A Fazenda da Caixa, como é chamada pelos moradores do Sertão do Núcleo Picinguaba, originou-se do século XVIII. Período colonial, com a expansão do município de Paraty pelos portugueses nessa época houve uma grande distribuição de sesmarias, gerando a formação de pequenas e médias fazendas com engenho de cana-de-açúcar e casas de farinha.
Segundo relatos, em 1885 a fazenda pertencia a um certo Capitão Firmino, que construiu no sertão da Fazenda o engenho de aguardente de cana e o moinho de fubá. O transporte do maquinário do engenho, importado da Inglaterra, foi feito através do rio da Fazenda que, na época, era navegável.

Parte da produção da fazenda era escoada pelo rio, mas outra parte saia pela trilha do Corisco, que liga o sertão de Picinguaba a Paraty.

Em 1889 o capitão Firmino hipotecou o imóvel ao Bando da República do Brasil, que cedeu ao Banco Hypotecário do Brasil, tendo sido desativados o engenho e o moinho de fubá.

De 1889 a 1942 a fazenda ficou nas mãos de administradores do banco. Em 1943 a fazenda passa a ser propriedade de Saint Clair Bustamente e Silva, que em 1950 aproveitou o que havia restado do antigo engenho e construiu uma casa de farinha.
Três anos depois a fazenda foi novamente hipotecada, passando para domínio da Caixa Econômica Federal.
Em 1975, após a construção da BR 101 (Rio-Santos), esta região passou a ser área de conflitos por causa da terra, foi cobiçada por grilheiros e diversos outros interesses. Em 1979 foi anexada ao parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Picinguaba.

O prédio foi todo reformado em 1986, onde foram restauradas várias peças e outras formas produzidas com madeira proveniente de apreensões efetuadas pelo Instituto Florestal e árvores caídas no Parque. As peças foram talhadas de modo artesanal por antigos moradores que trabalharam na reforma anterior feita em 1950.

Aspectos sociais

A Casa de Farinha tem um importante papel na vida dos moradores do Sertão da Fazenda da Caixa, pois há décadas vem gerando empregos e uma forma de subsistência para a comunidade.

A partir do momento em que a área torna-se parte do Parque Estadual da Serra do Mar, fica proibido caçar, pescar e cortar árvores, ou seja, danificar o ambiente original.

Isso implica a necessidade de geração de outras atividades econômicas que sejam compatíveis com a conservação da área.

Assim, em 1986 a Casa de Farinha foi restaurada visando dar maiores oportunidades para que a comunidade pudesse se manter sem precisar destruir a mata. Além disso, objetiva-se manter a cultura caiçara e a memória histórica, valorizar as atividades típicas e incentivar a atividade turística do local.

Etapas de produção da Farinha de Mandioca:

As ramas de mandioca são colhidas no campo e lavadas até a Casa de Farinha. Assim que chegam são selecionadas as melhores raízes, que são lavadas e descascadas no “Lavador”.
O lavador fica submerso em água para facilitar a limpeza da mandioca. Depois de limpas, as mandiocas vão para a “Cevadeira” ou “Ralador”, onde serão raladas, tornando-se uma massa com uma alta umidade que irá cair diretamente em um “Cocho”.

Deste cocho, essa massa vai para o cesto de “Tipiti”, que será colocado em baixo da “Prensa de Fuso”, onde irá sofrer uma certa pressão, retirando-se assim grande parte da umidade presente na massa de mandioca. Depois essa massa será
levada ao “Forno”, onde irá ser torrado; esse forno é movido à lenha, e para que a farinha não queime existe uma “Pá” que tem a função de mexer constantemente a farinha.
O “Lavador”, a “Cevadeira” ou “Ralador” e a “Pá” do “Forno” são movidos pela roda d’água.

Utensílios da Casa de Farinha

• Lavador: utilizado para raspar a casca e lavar a mandioca, assim que ela chega da roça. A madeira utilizada para a sua fabricação é canela parda e peroba.
• Cevadeira ou Ralador: serve para ralar a mandioca. A madeira utilizada para sua fabricação é canela parda e a roda é revestida com lata.
• Cocho: serve para aparar a massa de mandioca depois de ser ralada, a madeira utilizada para sua fabricação é canela parda
• Tipiti: cesto feito de bambu.
• Prensa de Fuso: utilizada para enxugar a massa de mandioca, o suporte do fuso é feito de canela parda, já o fuso é todo entalhado a mão e é feito de ipê roxo ([árvore caída dentro do Parque).
• Forno: paredes feitas de pedras lisas de cachoeira; Tacho serve para fornar a farinha (torrar). É feito de cobre e mede 1.5 metros de diâmetro. Eixo é uma haste de ferro que segura a pá (peça inglesa recuperada das ruínas do antigo engenho).
• Pá é a peça de madeira utilizada para mexer a massa.

Memorial descritivo da reconstrução da Casa de Farinha de Picinguaba

Piso: possui piso de tijolo especial para pisos, comprimento de 28 m e largura de 12m.
Colunas: feitas com pedras reaproveitadas de duas barreiras caída da BR 101 e próximas a Picinguaba.
Estrutura: postes de eucalipto tratado e ripa de palmito (árvores caída dentro do Parque).
Cobertura: telhas coloniais vindas de demolições do Vale do Paraíba com mais de 200 anos.
Roda D’água: com diâmetro de 6 m e profundidade do poço de 3,5 m, é feito de ipê e urucurana (árvores caída dentro do Parque) e peroba (madeira apreendida há 12 anos pelo Instituto Florestal). A madeira foi tratada com óleo de linhaça e piche. A confecção e montagem demoraram 2 meses.
Engenho de Cana: vindo da Inglaterra no século XVIII, feito de ferro fundido e algumas peças de cobre.

Veja uma receita de bolo com farinha de mandioca

Ingredientes:
10 colheres de sopa de farinha de mandioca
10 colheres de sopa de açúcar
1 colher de sopa de fermento
2 colheres de sopa de manteiga
4 ovos
Leite de coco
Sal

Modo de fazer:
Bata o açúcar com a manteiga até ficar com a consistência de um creme.
Junte o restante dos ingredientes:(gemas, farinha de mandioca, leite de coco, sal e

fermento).Após mexer bem, acrescente as claras em ponto de neve. Asse em forno pré-aquecido.

Fonte: PE Serra do Mar (núcleo Picinguaba)
Conselho Comunitário do Sertão da Fazenda da Caixa.
Arruda
Ilustrações: José Lanzellotti, Brasil, Histórias, Costumes e Lendas
Receita: D. Neuza (mãe de J. Andrade)

Veja a seguir fotos e um vídeo clipe sobre a casa de farinha do Petar

Clique nas fotos para visualizá-las

Casa da Farinha, Brava Mandioca - Ubatuba/Eldorado (São Paulo)
Fotos: Marta Hiromi e J. Andrade
Textos: Redação Pick-upau
Reportagem: Pick-upau
Vídeos: Andrea Nascimento
Pré-edição de vídeo: J. Andrade
Edição final de vídeo: Wilson Mahana
Design Gráfico: Andrea Nascimento e J. Andrade
Montagem: Andrea Nascimento

Mais informações
Informações Turísticas (PE da Serra do Mar – Picinguaba e Petar): Expedições
Mais cultura regional: Nação

Apoio
Revista Eco Turismo
Secretaria Estadual de Meio Ambiente de São Paulo
Sítio Santa Cruz
Associação de Monitores de Ecoturismo de Ubatuba
Casa Milá
Petar - Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira
Parque da Serra do Mar - Núcleo Picinguaba

Nota
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Não indicamos nem prestamos nenhum serviço de turismo. O Portal Pick-upau é especializado em educação e jornalismo ambiental, apenas divulgamos cultura regional e ecoturismo como forma sustentável de desenvolvimento local.
Agradecimentos:

Renato Alonso e Pedro Calado (Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo), Rafael e Milá (Casa Milá), Roberto Cupaiolo e Washington Garcez (Sítio Santa Cruz), Ulisses (Bar do Ulisses), Maria José (Restaurante Peixe com Banana), Ubirajara Francisco, Hermann Schimitt e Joanice Cristo, (Associação de Monitores de Ubatuba), Fábio Bueno (Revista Eco Turismo), Marta Hiromi (Pick-upau), Fernanda Wadt, Eliane Simões, e a todo pessoal do PE da Serra do Mar de Picinguaba.
Moacir Moraes (Agente de Saúde), Jeany Oliveira Monteira (Monitora Ambiental), Waldemar Antonio Costa, o Dema (responsável pela visitação do núcleo Santana), Abílio Ferreira (Pousada do Abílio), Wanilda (Loja Campo base), Aristides Pontes Pedroso (responsável pelo núcleo Ouro Grosso), Fábio Bueno (Revista Eco Turismo), Modesto, Nilza, Tadeu e Roberto (núcleo Caboclos) ao “Barriga” (mecânico que arrumou a Mad Max II) e a todo pessoal do Petar.

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