14 de Janeiro de 2010 - Isabela Vieira
- Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro
- A instalação de novos empreendimento na
Amazônia gerou consequências trágicas
e irreversíveis para os povos indígenas
da região. É o que revela publicação
inédita da Organização das Nações
Unidas (ONU) sobre a situação dos mais de
370 milhões de índios no mundo, divulgada
hoje (14) no Rio de Janeiro e em
várias capitais.
Embora o relatório não
cite a construção das usinas hidrelétricas
de Jirau e de Santo Antônio, em Porto Velho, alerta
que há relatos de índios isolados vivendo
na região, que estão sendo dizimados por
doenças tratáveis como malária, pneumonia
e varíola.
O documento ataca o avanço desordenado
de “infraestruturas da globalização” e lembra
que a instalação de grandes usinas, como
a Hidrelétrica de Tucuruí, na década
de 1980, gerou “um aumento dramático” dos casos
de malária. No período, também foi
registrado crescimento da incidência de doenças
como oncocercose (cegueira dos rios) e esquistossomose.
Na Amazônia peruana, o relatório
cita os impactos com a exploração de petróleo
e gás (Projeto Camisea) desenvolvido pela Shell
Oil, também na década de 1980. O contato
de trabalhadores da empresa com a população
local trouxe tosse, varíola e gripe, matando 50%
da comunidade tradicional.
Além das enfermidades trazidas
com as alterações no meio ambiente, como
os grandes alagamentos para a instalação
da usinas, novos empreendimentos na Amazônia também
obrigam o reassentamento de famílias, que deixam
para trás, além do território, tradições
e relações seculares com o lugar e formas
de subsistência.
“Grupos indígenas dispersados
anteriormente foram forçados a viver em assentamentos,
onde eram expostos a novas doenças, como infecções
intestinais e gripes”, afirma o relatório, que
aponta também a carência de assistência
médica adequada e a falta de vacinação
regular.
Durante a divulgação do
relatório, o líder Marcos Terena, articulador
do Comitê Intertribal - Memória e Ciência
Indígena (ITC), disse que, para minimizar os problemas
provocados por esses empreendimentos, os índios
querem ser consultados sobre os impactos das instalações
em suas terras, como determina a Declaração
das Nações Unidas sobre os Direitos dos
Povos Indígenas.
“A ONU trabalha para que os bancos de
financiamento e organismos multilaterais como o Banco
Mundial [Bird] e o Banco Interamericano de Desenvolvimento
[BID] sejam obrigados a estabelecer mecanismos de consulta
e diálogo com os povos indígenas para levar
em conta a opinião deles. Isso vai ajudar na garantia
dos direitos humanos”, concluiu Terena.
+ Mais
Funasa diz que continuará investigação
e identificação de casos de gripe suína
entre índios
12 de Janeiro de 2010 - Amanda Mota
- Repórter da Agência Brasil - Manaus - A
Fundação Nacional de Saúde (Funasa)
informou hoje (12) que não irá deixar de
investigar e notificar casos suspeitos de influenza A
(H1N1) - gripe suína entre a população
indígena brasileira mesmo que sejam casos leves.
A recomendação do Ministério da Saúde,
desde o dia 1º de janeiro, é que seja feita
a coleta de material biológico e notificação
apenas nos casos de Síndrome Respiratória
Aguda Grave (SRAG).
De acordo com a direção
da Funasa, todos os Distritos de Saúde Indígenas
(Dseis) foram orientados para que continuem monitorando
e registrando todos os casos de síndrome gripal.
O objetivo é que todos os casos – agudos ou não
– sejam notificados e tratados adequadamente.
Nos últimos dias, aldeias indígenas
Yanomami, localizadas na região de Santa Isabel
do Rio Negro (a 630 quilômetros de Manaus), no noroeste
do Amazonas, foram visitadas e monitoradas por uma equipe
médica da Fundação de Vigilância
em Saúde (FVS) e da Funasa, depois da confirmação
de dois casos de gripe suína na área. As
vítimas foram os índios Eniodo e Alfredo
Yanomai, ambos da mesma aldeia. A Funasa também
aguarda resultado do exame de um menino Yanomami com suspeita
de ter contraído a doença.
Segundo o presidente da instituição,
Danilo Forte, a preocupação é com
a vulnerabilidade das populações indígenas
às doenças respiratórias, em função
das condições socioeconômicas e até
de práticas relacionadas com as tradições
culturais.
O secretário adjunto do interior
do Amazonas, vinculado à Secretaria de Estado da
Saúde (Susam), Evandro Melo, disse que a FVS e
a Funasa estão montando um protocolo para atendimento
de indígenas a fim de evitar que haja transmissão
da doença para outras aldeias. Segundo ele, esses
indígenas são nômades e costumam transitar
com frequência entre as cidades de Santa Isabel
do Rio Negro, Barcelos, São Gabriel da Cachoeira
- todas no Amazonas - além de Roraima e Venezuela.
“Nesse protocolo, determinamos a descentralização
da medicação para que os indígenas
possam ser tratados na própria aldeia caso haja
necessidade. A ideia é evitar a movimentação
de índios gripados de uma aldeia para a outra e
impedir, assim, a circulação do vírus
e evitar novos casos”, destacou.
De acordo com a Funasa, até o
dia 25 de novembro do ano passado, foram registrados 380
casos de influenza A (H1N1) - gripe suína entre
indígenas no país, dos quais dez resultaram
em morte — três no Rio Grande do Sul, dois em São
Paulo e cinco em Mato Grosso. Na próxima segunda-feira
(18), a Funasa divulgará um balanço sobre
a ocorrência de gripe suína entre indígenas
em 2009.
+ Mais
Governo realiza monitoramento de casos
de gripe suína em aldeias do Amazonas
12 de Janeiro de 2010 - Amanda Mota
- Repórter da Agência Brasil - Manaus - Relatório
apresentado pela equipe médica destacada pela Fundação
de Vigilância em Saúde (FVS) e pela Fundação
Nacional de Saúde (Funasa) para analisar a evolução
dos casos de influenza A (H1N1) - gripe suína nas
aldeias indígenas Yanomami, localizadas na região
do município de Santa Isabel do Rio Negro (AM),
revela que apesar do aumento de casos de síndrome
gripal, não há registro de novos casos nem
de mortes.
Este ano, dois homens adultos da mesma
aldeia tiveram diagnóstico positivo para a doença.
Um menino de 10 anos passou por exame laboratorial e aguarda
o resultado da análise, previsto para ser apresentado
nos próximos dias. O garoto pertence a uma comunidade
distante 100 quilômetros de Santa Isabel do Rio
Negro.
A equipe da FVS e da Funasa esteve na
região no fim da semana passada e também
realizou avaliação do estado de saúde
dos indígenas que vivem nessa área. O grupo
também orientou as comunidades sobre o tratamento
e a prevenção da doença. A equipe
realizou coleta de material entre os residentes nas aldeias
que foi enviado ao Instituto Evandro Chagas. Os resultados
ainda não foram divulgados.
Na avaliação dos profissionais
de Saúde que estiveram na sede do município
de Santa Isabel e nas aldeias de áreas próximas,
há duas possibilidades para justificar a entrada
do vírus transmissor da gripe suína na área
habitada pelos indígenas.
A primeira delas refere-se ao fato de
que os dois homens contaminados integraram, em novembro
passado, um grupo de 30 indígenas que estiveram
na sede do município para participar de treinamento
oferecido pela Funasa. Eles podem ter contraído
a doença durante esse período. Outra hipótese
é a contaminação pelos próprios
indígenas que costumam transitar na região,
inclusive pela fronteira com a Venezuela, onde também
vivem indígenas da etnia Yanomami. O país
vizinho teve em 2009 um surto da doença e registrou,
inclusive, mortes entre indígenas.
Segundo a Funasa, aproximadamente 18
mil Yanomami vivem na área compreendida pela região
de fronteira da Venezuela com o Brasil, passando pelo
oeste de Roraima e noroeste do Amazonas.
Cerca de 6,6 mil estão no Brasil.
Eles estão distribuídos, no território
amazonense, pelos municípios de São Gabriel
da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos. Só
em Santa Isabel vivem cerca de 1,6 mil Yanomami em nove
aldeias. A área indígena dos Yanomami demarcada
em território brasileiro é superior a 9,4
milhões de hectares.