27 de Janeiro de 2010 - Morillo Carvalho
Repórter da Rádio
Nacional da Amazônia
Brasília - Após oito meses de fiscalização
intensa em Novo Progresso (PA), o Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis
(Ibama) encerra nesta semana a Operação
Boi Pirata 2.
Como marco do término dos trabalhos,
mil cabeças de gado que eram criadas irregularmente
na Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, e em outras
localidades embargadas pela fiscalização,
foram retiradas do município, que é líder
da lista das 43 cidades brasileiras que mais desmatam
a Amazônia.
Em entrevista à Rádio
Nacional da Amazônia, o coordenador geral de Fiscalização
do Ibama, Bruno Barbosa, considerou que a operação
foi bem sucedida, e atribuiu a ações como
esta e à Operação Boi Pirata 1, que
aconteceu na Terra do Meio, também no Pará
em 2008, o menor índice anual de derrubada da floresta
dos últimos 20 anos, em 2009.
Para ele, o maior resultado destas ações
é a criação de marcos exemplares.
“A grande mensagem que esta operação traz
para toda a Amazônia é que, agora, quem fizer
o processo de desmatamento ilegal para a implantação
de pecuária extensiva, corre o risco de ver todo
esse investimento cair por terra, uma vez que o Ibama
pode apreender esse gado que está sendo aplicado
de forma ilegal”, disse.
Barbosa acrescentou que esta foi a maior
operação já realizada pelo Ibama.
“Foi a maior, a que mais recursos aéreos utilizou,
que mais gente utilizou. A participação
da Força Nacional de Segurança Pública
foi fundamental, teve a contribuição dos
órgãos do governo do Pará. O Mato
Grosso contribui, agora, para a destinação
do gado, o Ministério do Desenvolvimento Social,
o governo da Bahia, todos foram importantíssimos
para essa boa conclusão”, destaca.
As mil cabeças de gado foram
distribuídas para programas sociais dos governos
do Pará, de Mato Grosso e da Bahia. De acordo com
o coordenador, o Ibama já preparou, no final do
ano passado, a terceira e a quarta edições
da Operação Boi Pirata para 2010, mas não
há previsão de data para o início
dos trabalhos. Os locais também não foram
revelados.
O custo da Operação Boi
Pirata 2 foi de aproximadamente R$ 2 milhões. Além
do gado apreendido, estão embargados 50 mil hectares
de terras, que o Ibama deve continuar monitorando por
satélite. Caso sejam identificadas novas clareiras
na floresta, o órgão não descarta
a possibilidade do retorno das equipes ao local.