|
| |
Aula de ecologia de
campo acontece na Estação Ecológica do
Jari |
|
| |
A Estação
Ecológica do Jari, com áreas nos limites dos
estados do Amapá e Pará, foi o ambiente da
aula prática da disciplina Ecologia de Campo, ofertada
no Mestrado em Biodiversidade Tropical. Este curso de pós-graduação
é realizado através de parceria entre a Universidade
Federal do Amapá (Unifap), Instituto de Pesquisas
Científicas e Tecnológicas do Amapá
(Iepa), Embrapa Amapá e Conservação
Internacional (CI).
Divulgação/Embrapa |
|
|
Pesquisador Marcelino
Guedes e os alunos da Unifap |
Durante três
semanas, professores e pesquisadores ficaram à disposição
de oito alunos do Mestrado, para os estudos científicos
dos processos ecológicos, das diversas espécies
da fauna e da flora e de fatores abióticos (micro-clima
e solos) que formam o cenário natural da Estação
Ecológica. De acordo com o pesquisador da Embrapa
Amapá, Marcelino Guedes, o programa de estudos contemplou
as próprias demandas da Estação, uma
estrutura oficialmente criada para pesquisas e visitas monitoradas
com foco na educação ambiental. "Entre
as várias atividades, foram feitos levantamentos
e novas identificações de aves, répteis,
anfíbios e mamíferos", acrescentou Guedes,
orientador de dois alunos no Mestrado.
Além de Marcelino
Guedes, fizeram parte do grupo de orientadores desta aula
prática os pesquisadores Enrico Bernard, da Conservação
Internacional, e Fabiano Cezarino, do Iepa, especialistas
em morcegos e estudos de botânica, respectivamente.
Três ex-bolsistas da CI que realizam junto ao Iepa
atividades de pesquisas sobre fauna também estiveram
nesta aula prática: Cláudia Regina da Silva
(estudos dos mamíferos), Luís Coutro (estudos
das aves) e Jucivaldo Lima, dedicado às pesquisas
sobre répteis e anfíbios.
Divulgação/Embrapa |
|
|
Equipe se prepara
para conhecer a Estação Ecologica do
Jari |
Foram demonstradas
durante a aula prática, as técnicas de montar
redes e armadilhas de captura e a soltura de animais, levantamento
de vegetação englobando estudo florístico,
diversidade, fitosociologia (estudo que considera todas
as espécies juntas, em uma só comunidade)
e análise de solos, desde a técnica correta
de coleta da amostra até a parte de levantamento
e classificação.
Divulgação/Embrapa |
|
|
Cachoeira Véu
da Noiva (EE do Jari) |
Orientadores
e alunos fizeram ainda estudos de fatores abióticos,
como microclima (temperatura, umidade e luz) e recuperação
de áreas degradadas, usando a área de um garimpo
desativado pela Ibama, que funcionou dentro da Estação
Ecológica. Na parte teórica, foram discutidos
o funcionamento dos ecossistemas, ciclagens de nutrientes
e a estatística aplicada à ecologia, que compreende
tabulação e análise de dados, e elaboração
do relatório. A Estação Ecológica
do Jari foi criada em 1982, é gerenciada pelo Ibama
e ocupa uma área de 207.370 hectares, em áreas
dos municípios de Almeirim (PA) e Mazagão
(AP).
Dulcivânia
Freitas
Embrapa Amapá
|
|
| |
|
|
|
|
| |
Cipó-titica
do Amapá é matéria-prima para móveis
luxuosos no Sul do País |
|
| |
Pouca
gente sabe que a fibra do cipó-titica (Heteropsis
flexuosa), originária do Estado do Amapá,
serve como matéria-prima para refinados móveis
e objetos de decoração facilmente encontrados
em shoppings de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.
Conhecida como junco e rattan no sul e sudeste do País,
o cipó-titica é um dos produtos florestais
não-madeireiros com potencial econômico, pesquisados
pela Embrapa Amapá, Unidade da Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Dados sobre a botânica
da planta, crescimento e reprodução, sementes,
frutos, e a própria dinâmica de extração
e comercialização do cipó-titica, obtidos
nos últimos seis anos de pesquisas científicas,
agora serão fundamentais para a Secretaria Estadual
de Meio Ambiente (Sema) elaborar a Instrução
Normativa que vai regulamentar as práticas de manejo
deste produto florestal no estado do Amapá.
Divulgação/Embrapa |
|
 |
O manejo é a
condição exigida na Lei Estadual, editada
em 2001, para que o cipó-titica extraído no
Amapá possa ser exportado. Na época, não
se sabia sequer a identificação científica
correta da planta e as formas de propagação.
No entanto, já era um produto cobiçado pelas
indústrias moveleiras do sudeste, que souberam fazer
proveito econômico da excelente qualidade desta fibra.
Um jogo de cadeira artesanal, combinando metal e cipó-titica,
não sai por menos de R$ 15 mil em lojas sofisticadas
do Rio de Janeiro.
Com a escassez do produto
no Pará e no Amazonas, o Amapá passou a ser
a bola da vez. Em média, de 40 a 50 toneladas de
cipó-titica eram embarcadas no Porto de Santana todo
mês. Devido ao desconhecimento sobre a planta e a
crescente extração predatória do produto
- uma ameaça de esgotamento em pouco tempo - o Governo
do Estado sancionou o projeto de lei do ex-deputado Randolfe
Rodrigues, que coíbe a extração, transporte
e comercialização do cipó-titica para
fora do Estado, que não seja originado de área
manejada. Em cumprimento a esta lei, o Ibama fez várias
apreensões de carregamentos de cipó-titica
na BR-156, no Amapá.
Divulgação/Embrapa |
|
 |
"O problema não
é a lei que exige a obrigatoriedade de retirada só
de áreas manejadas, mas sim a falta de ações
governamentais em incentivar a implementação
do manejo do cipó-titica por parte dos agroextrativistas
do Amapá, para que gere empregos e renda no Estado",
afirmou Cláudio Almeida.
Há cerca de
seis anos começaram as pesquisas da Embrapa Amapá
com o objetivo de conhecer as características agronômicas
da espécie, seu crescimento e produção,
a dinâmica econômica da extração
e comercialização e os elos desta cadeia,
formada por extrativistas, atacadistas e beneficiadores.
Através de projetos financiados pela Agência
de Desenvolvimento da Amazônia (ADA) e pelo Programa
Piloto para Proteção das Florestas Tropicais
(PPG7), foram realizados estudos ecológicos, consultoria
em design, instalação de torres de 25 a 30
metros de altura que servem para avaliar o cipó-titica
no topo da planta hospedeira, e consultoria de valoração
econômica do cipó-titica no Estado do Amapá.
A PLANTA - O cipó-titica
é da espécie botânica Heteropsis flexuosa,
encontrada na Amazônia, em áreas de florestais
naturais de terra firme. Na fase adulta, o caule é
grosso e lenhoso com fibra altamente resistente e durável,
por essas características é utilizado na indústria
moveleira e também para artefatos e objetos artesanais.
O termo cipó-titica é usado apenas na região
Norte, no sul e sudeste as fibras de cipó-titica
são chamadas de junco ou rattan. No nordeste chama-se
vime para qualquer fibra natural.
Dulcivânia
Freitas
Embrapa Amapá
|
|
| |
|
|
|
|
| |
Livro destaca tecnologias
da Embrapa Amapá para agricultura familiar |
|
| |
Algumas
das tecnologias desenvolvidas pela Embrapa Amapá
para cultivo de mandioca, feijão-caupi, adubação
de seringal e manejo de açaizal foram incluídas
no livro "Agricultura Familiar na Dinâmica da
Pesquisa Agropecuária". A publicação
reúne em 432 páginas o conhecimento gerado
e adaptado pela Embrapa e outras instituições
que integram o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária
(SNPA).
Entre as tecnologias
apresentadas na obra estão as cultivares de feijão-caupi,
batizadas de Amapá e BRS-Mazagão. Durante
quatro anos, a linhagem das duas variedades foi avaliada
no Campo Experimental da Embrapa em Mazagão, com
testes conduzidos pelo pesquisador Emanuel Cavalcante. Com
o melhoramento, a BRS Mazagão chegou a uma produtividade
de 1.400 quilos por hectare, rendimento bem superior aos
registrados na região Nordeste, a maior produtora
de feijão caupi do país, que varia de 280
a 450 quilos por hectares, conforme a zona ecológica
da região.
Conhecido também
como feijão da colônia e feijão tropeiro,
esta leguminosa apresenta alto teor de proteína,
boa capacidade de fixar nitrogênio e ainda tem a vantagem
de ser pouco exigente em fertilidade de solo. É uma
das principais culturas de subsistência do semi-árido
nordestino – onde foi originada a BRS-Mazagão - e
nos últimos anos passou a ser consumido em áreas
isoladas da Amazônia, especialmente nas regiões
onde se instalaram imigrantes nordestinos. Entre as condições
que viabilizam o cultivo do feijão-caupi no Amapá
é a condição ecológica ideal
para sua exploração, por tratar-se de uma
região tropical úmida. O meio ambiente também
agradece, pois o plantio é recomendado para áreas
antropizadas e devido à resistência natural
a doenças, demanda uso reduzido de agrotóxicos.
O manejo florestal
de mínimo impacto para açaizais nativos, voltado
à produção de frutos, também
foi incluída na obra. O Engenheiro Florestal Antônio
Leite explica que, ao contrário da exploração
tradicional de palmito do açaizeiro, esta técnica
de manejo visa à produção de frutos
e, por isso, garante a manutenção das diversas
espécies vegetais na floresta. "Contribui para
conservação da biodiversidade", acrescentou
Leite. Em um trecho do livro, consta que o benefício
à agricultura familiar é o aumento na produção
de frutos de açaí e na renda dos agricultores,
enquanto o impacto socioeconômico é que o açaí
está bastante valorizado, nos mercados brasileiro
e internacional, o que agrega divisas ao Estado do Amapá
e ao país.
Outro tema abordado
na publicação é a adubação
para seringal de cultivo, uma tecnologia que foi recomendada
após cinco anos de observação com a
cultura em diferentes combinações de nitrogênio,
fósforo, potássio e magnésio. A adoção
desta tecnologia possui como benefícios a redução
do custo de produção e aumento da produtividade,
além de dispensar uso intensivo de fertilizantes
no solo.
A quarta tecnologia
gerada pela Embrapa Amapá, divulgada em "Agricultura
Familiar na Dinâmica da Pesquisa Agropecuária",
é a cultivar de mandioca Jururá. Esta variedade
foi selecionada depois de várias etapas de avaliação
e recomendada para mata de terra firme no Amapá.
Apresenta ciclo de 12 a 18 meses e tem como características
uma altura média de 1,8 metro, casca da raiz marron
clara, polpa creme, folha verde e haste prateada. A produtividade
média da Jururá é de 19 toneladas de
raízes por hectares, o que pode levar a um incremento
de 90% em relação à produção
média estadual, que é de 10 toneladas por
hectares.
Dulcivânia
Freitas
Embrapa Amapá |
|
| |
|
|
|
|
| |
Pesquisa sobre extrativismo
da castanha |
|
| |
Pesquisa
sobre extrativismo da castanha na Reserva do Cajari será
apresentada na Embrapa Amapá
A boa cotação
do preço da castanha-do-brasil provocou uma mudança
nas atividades produtivas da Reserva Extrativista do Rio
Cajari (Resex CA), município de Laranjal do Jari,
uma região abundante de castanhais, na fronteira
dos estados do Amapá e Pará. De 2000 a 2005,
o preço do hectolitro do produto saltou de R$ 22
para R$ 90. Essa valorização no mercado fez
com que, neste mesmo período, muitas famílias
da Reserva trocassem a atividade mista de agricultura e
extrativismo para se dedicarem ao extrativismo baseado na
coleta da castanha.
Estes dados fazem parte
de uma pesquisa do agrônomo Walter Paixão,
da Embrapa Amapá, para sua dissertação
de Mestrado em Agriculturas Amazônicas, pela Universidade
Federal do Pará. Nesta sexta-feira, 4, a partir das
9 horas, Paixão fará uma palestra sobre o
assunto, no Auditório da Embrapa Amapá, reunindo
pesquisadores e técnicos de diversas instituições
convidadas, entre universidades, órgãos federais,
estaduais e municipais.
Para realizar o estudo,
Paixão analisou as atividades produtivas das comunidades
Marinho, Açaizal e Martins, referentes aos anos de
2000 e 2005. O objetivo foi observar se os extrativistas
seguem as normas de uso do Plano de Utilização
da Reserva, elaborado pelo Ibama e pela comunidade local.
Apenas dois casos de não cumprimento foram registrados,
referentes à atividade pecuária, que é
proibida em área de reserva.
Divulgação/Embrapa |
|
Agrônomo Walter
Paixão, da Embrapa Amapá. |
Dividida em três
capítulos, a dissertação apresenta
o contexto histórico, sócio-econômico
e humano que envolve a região de localização
da Reserva Extrativista do Rio Cajari, onde o autor faz
uma análise da relação extrativismo
versus agricultura no período colonial brasileiro
e amazônico, passando pelos ciclos do extrativismo,
com ênfase ao ciclo da borracha. "Fazemos também
uma análise da ameaça aos sistemas extrativistas
da Amazônia por políticas desenvolvimentistas
das décadas 70 e 80, a emergência da cultura
conservacionista associada ao desenvolvimento", acrescenta
Paixão.
Foi neste contexto
que surgiu a regulamentação das novas Unidades
de Conservação da Natureza na Amazônia,
como as reservas extrativistas criadas pelo governo federal
no final dos anos 80, que associam a conservação
da biodiversidade com a necessária presença
do homem. Uma Reserva Extrativista tem a função
de conservar a floresta amazônica e proteger o direito
das populações locais, que ficaram responsáveis
pela proteção da biodiversidade dos ecossistemas,
mas não são proprietárias das áreas.
Uma das conclusões
da pesquisa é que nenhuma família deixou de
fazer agricultura e nem reduziu suas áreas de cultivo,
mesmo mantendo a atividade de coleta e venda da castanha.
"O que aconteceu foi um impacto grande na renda das
famílias, devido ao alto preço e ao aumento
da produção da castanha", explicou Walter
Paixão. As famílias continuam plantando roças
para consumo ou venda, com destaque para a mandioca. Outras
culturas são a banana, batata, cará e abóbora,
além da criação de galinhas, patos
e suínos.
A Reserva do Rio Cajari,
a primeira do Amapá, foi criada em 1990. Trata-se
de uma área onde predomina uma floresta densa. Nos
diferentes processos de ocupação desta área,
desde 1890, sob a propriedade de José Julio, até
a atual Reserva, passando pelo domínio dos portugueses
e do Projeto Jari, a extração da castanha
sempre foi a principal atividade do Alto Cajari, localizada
no Sul do Estado. A pesquisa foi orientada pela professora
Laura Angélica Ferreira, e contou com apoio financeiro
da Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA).
Dulcivânia
Freitas
Embrapa Amapá
|
|
| |
|
|
| |
|
Publicidade |
|
| |
|
| |
| |
| |
|
Publicidade
|
|
| |
| |
| |
| |
| |
Publicidade |
|
| |
|