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A relação
nociva entre a prática de queima de florestas na
Amazônia e o aumento da temperatura na Terra é
o tema da palestra do pesquisador da Embrapa Amapá,
Marcelino Guedes, durante a programação alusiva
à Semana do Meio Ambiente, realizada pela Secretaria
Estadual de Meio Ambiente do Amapá(Sema), em Macapá.
O evento tem como tema geral "Aquecimento Global -
O planeta em alerta!", é gratuito e aberto a
estudantes do curso de Engenharia Florestal, de áreas
afins e interessados no assunto.
A queimada e desmatamento
na Amazônia é a atividade que mais contribui
para o Brasil ocupar o quarto lugar na lista dos dez maiores
emissores mundiais de CO2 no ar, o principal gás
que provoca o efeito estufa e o aquecimento da Terra de
forma desequilibrada. "Entre as conseqüências
temos cenários que apontam para o aumento do nível
dos oceanos que podem sumir com cidades inteiras, o desequilíbrio
dos ecossistemas envolvendo toda a parte de fauna e flora
e dificuldades de adaptação de culturas agrícolas,
o que pode gerar problemas para a produção
de alimentos", afirmou Marcelino Guedes, doutor em
Recursos Florestais.
Divulgação/Embrapa |
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Região do
Jari (Amapá) |
O pesquisador lembra
que não trata-se de uma visão especulativa
de catástrofes. "É a realidade, não
é uma questão de sensacionalismo. Temos cenários
mais pessimistas, outros menos pessimistas, mas todos são
pessimistas. Não vemos cenários otimistas,
há muita gente trabalhando no mundo inteiro com este
problema", ressaltou Guedes. De acordo com o pesquisador,
as principais fontes de emissão do CO2 são
as queimadas das florestas (a maior parte da fumaça
é CO2), os veículos automotores e as indústrias.
"Nos países industrializado as principais fontes
são as indústrias e os veículos. No
Brasil mais de 50% da emissão total estão
ligados diretamente às queimadas e o desmatamento
na Amazônia".
Neste contexto, o Amapá
não chega a ser um vilão, até porque
trata-se do Estado no Brasil com maior área preservada
de florestas nativas, graças entre outros fatores
a um forte mecanismo que é a criação
de áreas protegidas que chegam a alcançar
72% do território amapaense, em forma de unidades
de conservação, reservas indígenas
e florestas de produção. "As áreas
preservadas fazem parte de uma política irreversível
e temos que fortalecer isso, além de avançarmos
na parte produtiva utilizando o manejo de mínimo
impacto, para evitar atividade florestal degradante",
observou
Guedes.
Durante a palestra,
Marcelino Guedes vai explicar como funciona e os benefícios
da tecnologia Tipitamba - Plantio direto na capoeira, desenvolvida
pela Embrapa como alternativa ao uso do fogo no preparo
da área para plantio. Em abril deste ano, a Embrapa
Amapá e o Rurap realizaram um Dia de Campo sobre
esta tecnologia, na Escola Família Agrícola
do Pacuí, município de Macapá, reunindo
cerca de 200 pessoas, entre autoridades do Governo do Estado
e de Prefeituras, técnicos de extensão, alunos,
professores e agricultores da região. Na ocasião
houve a demonstração prática do uso
do Tritucap, um trator e um implemento que corta a capoeira
em vez de queimá-la. O equipamento foi transportado
de Belém, especialmente para esta atividade.
Divulgação/Embrapa |
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Floresta do Jari
(Amapá) |
Posteriormente foram
instaladas 10 unidades de observação em propriedades
no Pacuí e Cutias. "Logo depois do Dia de Campo
fizemos o plantio de mandioca, macaxeira, melancia, milho,
e na próxima semana vamos plantar feijão,
para podermos acompanhar o crescimento diretamente nas propriedades
dos agricultores", acrescentou Marcelino. Os alunos
da Escola Família do Pacuí acompanham esta
atividade de extensão.
Além da
tecnologia Tipitamba, o pesquisador vai falar sobre a valorização
de uma política florestal que inclusive a Embrapa
defende, que é a valorização da floresta
em pé e agregação de valor econômico
aos produtos florestais não-madeireiros. "Se
o ribeirinho conseguir tirar renda da floresta em pé,
ele vai conservar a floresta, é aí que entra
a política de produtos florestais não-madeireiros,
como andiroba, copaíba e outros que não precisam
derrubar a floresta e têm potencial para internalizar
renda nas comunidades", finalizou Marcelino Guedes.
Dulcivânia Freitas
Embrapa Amapá
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