Este ano, 2003, marca uma nova era no Brasil. Pela primeira vez,
o País é governado por um partido de oposição,
e mais: comandado por um homem vindo do povo. Junto ao novo governo,
uma gigantesca onda de esperança tomou conta do País
e a sociedade, agora, espera uma mudança política
e social das mãos do novo poder.
Questões partidária-ideológicas à parte,
o povo brasileiro anseia por uma renovação geral na
vida cotidiana da nação. E o que se pode esperar de
Luiz Inácio Lula da Silva e de sua equipe para a área
ambiental? Os problemas já são conhecidos e algumas
soluções também. Falta aí a tal “vontade
política”. Apesar de ainda ser cedo para análises
mais profundas, a verdade é que o governo Lula tem escorregado
em alguns assuntos importantes na questão do meio ambiente,
mote deste breve artigo.
Um decreto assinado pelo Presidente, em fevereiro, abriu as portas
do Brasil para um problema com destino preocupante. Mesmo sendo
contra uma resolução do Conama (Conselho Nacional
do Meio Ambiente), o Presidente da República assinou documento
que libera a cobrança de multa para importação
de pneus reformados dos países do Mercosul.
Apesar do rendimento de 30% a 60% inferior aos pneus novos, da questão
da reciclagem e até mesmo do estado de nossas rodovias, além
das possíveis epidemias como a dengue e a febre amarela,
Lula autorizou, por decreto, que pneus de segunda-mão entrem
livremente no Brasil. Tal ação evidencia a desinformação
ambiental no caso, além de um certo unilaterismo em relação
ao Ministério do Meio Ambiente, que ficou fora da negociação.
Outro assunto que preocupa os ambientalistas, neste início
de mandato, é a conduta adotada pelo governo na questão
indígena. Na recém-criada Secretaria Especial de Políticas
de Promoção da Igualdade Racial, os benefícios
ficaram restritos aos negros, deixando os índios de fora.
Para se comprovar a tal falta de senso na exclusão dos índios
à pasta, basta perceber o pequeno número de indígenas
que habitam o Brasil e quais suas condições de vida.
Não se pode esquecer, aqui, de citar o caso da não-homologação
da terra indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, cercada
de contradições, onde há suspeita de que o
governador Flamarion Portela (ex-PSL, atualmente PT) tenha usado
a mudança de partido como “moeda de troca”, como sugere o
presidente do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), Dom
Gianfranco Masserdotti.
Se a não-homologação está ou não
condicionada à negociação política,
ainda não se sabe ao certo. Porém, a medida que dá
o direito aos índios sobre a terra (até o fechamento
desta edição) não foi assinada pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, que não depende de nenhuma
pasta, ministério ou pendência jurídica para
torná-la uma reserva.
Transgênicos
Quando o assunto são
os transgênicos os problemas do governo tornam-se ainda
maiores. Como agradar agricultores, consumidores, ONGs e grandes
corporações, tendo que enfrentar até a falta
de consenso entre os governantes?