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PEDRO ISAL

Há lixo que vem para o bem

 

A Prefeitura de São Paulo irá cobrar a partir de abril deste ano, um novo tributo da população. Uma bi-tributação (ato inconstitucional), segundo alguns especialistas. Os paulistanos terão que se acostumar com a nova taxa do lixo, como se já não bastasse a enxurrada de impostos paga pelo cidadão. A “idéia” da prefeita Marta Suplicy (PT) aprovada na Câmara Municipal irá retirar do bolso dos contribuintes, um valor entre R$ 6,14 e R$ 61,36 por mês, de acordo com a quantidade de lixo produzida por cada domicílio (resultado obtido através de uma média).

Mas o que pode haver de positivo nesta situação? Nos últimos meses houve um aumento significativo na procura de locais para a coleta seletiva e um acréscimo na venda de produtos relacionados a separação e armazenamento do lixo, e mais, uma crescente cobertura da mídia sobre o assunto.

Tratando-se de uma cidade com as proporções de São Paulo, (hoje, com cerca de 10 milhões de habitantes) que produz uma quantidade assustadora de lixo por dia, (6.946,5 toneladas/dia) e que vê a situação de seus aterros sanitários cada vez mais complicada, (com estimativa média de mais 5 anos de utilização) a nova taxa pode ser um mal que vem para o bem.

A coleta seletiva é mais do que uma boa idéia, pode ser a grande solução para um problema que vem crescendo cada vez mais nas grandes metrópoles. A procura por técnicas e informações sobre a reciclagem de lixo, à fim de driblar a tal taxa, tem um resultado positivo, porém, a conscientização ainda é o meio mais eficaz de fazê-la. Afinal, resolver uma questão em uma prova e acertar por adivinhação ou chute tem uma diferença muito grande em entender o problema e saber porque deverá resolvê-lo. No meio deste turbilhão de lixo e taxas, a população têm a oportunidade de enxergar e exercer um dos conceitos básicos da ecologia social: a reciclagem. O triste desta história, é que essa, não foi nem de longe a intenção da Prefeitura, por mais que digam o contrário.

Temos que aprender a cultivar essa cultura ecológica por espontânea vontade e não através de taxas, tributos ou ameaças do colapso da vida natural. Se tivermos que condicionar nossas ações através de penalidades, seremos apenas uma bando de burros (em ambos os sentidos) que precisa por vezes de algumas chibatadas no lombo, para que siga em frente. Se atrelarmos nossas ações sociais às medidas descabidas do Estado estaremos condenados a um triste futuro de taxas e lixos.

Ficamos na esperança de que nem todo o lixo, tampouco a tal taxa vá simplesmente para o lixo.

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