A Prefeitura de São Paulo irá cobrar a partir de abril
deste ano, um novo tributo da população. Uma bi-tributação
(ato inconstitucional), segundo alguns especialistas. Os paulistanos
terão que se acostumar com a nova taxa do lixo, como se já
não bastasse a enxurrada de impostos paga pelo cidadão.
A “idéia” da prefeita Marta Suplicy (PT) aprovada na Câmara
Municipal irá retirar do bolso dos contribuintes, um valor
entre R$ 6,14 e R$ 61,36 por mês, de acordo com a quantidade
de lixo produzida por cada domicílio (resultado obtido através
de uma média).
Mas o que pode haver de positivo nesta situação? Nos
últimos meses houve um aumento significativo na procura de
locais para a coleta seletiva e um acréscimo na venda de
produtos relacionados a separação e armazenamento
do lixo, e mais, uma crescente cobertura da mídia sobre o
assunto.
Tratando-se de uma cidade com as proporções de São
Paulo, (hoje, com cerca de 10 milhões de habitantes) que
produz uma quantidade assustadora de lixo por dia, (6.946,5 toneladas/dia)
e que vê a situação de seus aterros sanitários
cada vez mais complicada, (com estimativa média de mais 5
anos de utilização) a nova taxa pode ser um mal que
vem para o bem.
A coleta seletiva é mais do que uma boa idéia, pode
ser a grande solução para um problema que vem crescendo
cada vez mais nas grandes metrópoles. A procura por técnicas
e informações sobre a reciclagem de lixo, à
fim de driblar a tal taxa, tem um resultado positivo, porém,
a conscientização ainda é o meio mais eficaz
de fazê-la. Afinal, resolver uma questão em uma prova
e acertar por adivinhação ou chute tem uma diferença
muito grande em entender o problema e saber porque deverá
resolvê-lo. No meio deste turbilhão de lixo e taxas,
a população têm a oportunidade de enxergar e
exercer um dos conceitos básicos da ecologia social: a reciclagem.
O triste desta história, é que essa, não foi
nem de longe a intenção da Prefeitura, por mais que
digam o contrário.
Temos que aprender a cultivar essa cultura ecológica por
espontânea vontade e não através de taxas, tributos
ou ameaças do colapso da vida natural. Se tivermos que condicionar
nossas ações através de penalidades, seremos
apenas uma bando de burros (em ambos os sentidos) que precisa por
vezes de algumas chibatadas no lombo, para que siga em frente. Se
atrelarmos nossas ações sociais às medidas
descabidas do Estado estaremos condenados a um triste futuro de
taxas e lixos.
Ficamos na esperança de que nem todo o lixo, tampouco a tal
taxa vá simplesmente para o lixo.
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