Vida marinha é transformada com desaparecimento do gelo marinho da Antártica
Gelo marinho da Antártica vem diminuindo há 10 anos

29/04/2026 – O derretimento do gelo é um dos sinais mais visíveis das mudanças climáticas, não apenas no Ártico, mas também na Antártica. Dados de satélite mostram que uma vasta área do oceano, quase do tamanho da Groenlândia, perdeu seu gelo sazonal em poucos anos, causando impactos em espécies de plâncton essenciais para a cadeia alimentar marinha. O que parecia ser uma mudança temporária passou a ser entendido como o início de uma nova fase caracterizada por baixos níveis de gelo.

As consequências ecológicas são significativas, e a rapidez do derretimento do gelo entre 2016 e 2017 surpreendeu cientistas e modelos climáticos, que têm dificuldade em prever mudanças bruscas. A transformação acelerada deixou pouco tempo para observações diretas dos impactos nos organismos antárticos. Diante disso, pesquisadores passaram a utilizar dados de satélite, em vez de estudos de campo tradicionais, para analisar as mudanças, em um projeto financiado pela ESA e liderado pelo Laboratório Marinho de Plymouth.

A equipe utilizou dados de satélite sobre a cor do oceano para analisar como a luz solar refletida revela condições biológicas no Oceano Antártico. Com esses sinais, os cientistas classificaram diferentes “paisagens marinhas”, cada uma associada a condições específicas. Essa abordagem permitiu identificar a quantidade e os tipos de fitoplâncton presentes, fundamentais para a base da cadeia alimentar da região.

Os resultados do estudo revelaram mudanças inesperadas no Oceano Antártico: grandes áreas passaram de níveis muito baixos de fitoplâncton para uma produtividade mais elevada. Atualmente, cerca de 70% da região apresenta concentrações de fitoplâncton no verão maiores do que antes da redução do gelo marinho, iniciada há aproximadamente uma década. Para entender os impactos dessa transformação, os cientistas combinaram dados de satélite com informações históricas sobre krill e salpas.

Reprodução/Pixabay

 



O krill antártico, essencial para a cadeia alimentar, sustenta diversas espécies, como baleias, focas e pinguins, além de desempenhar papel importante nos ciclos de nutrientes. Já as salpas, organismos gelatinosos filtradores, também são fundamentais para o ecossistema e tendem a prosperar quando o krill diminui. O estudo dessas espécies ajuda a compreender como as mudanças ambientais estão afetando o equilíbrio do sistema marinho antártico.

Embora o aumento do fitoplâncton após o derretimento do gelo marinho possa parecer positivo, o gelo desempenha um papel essencial ao oferecer abrigo, áreas de reprodução e sustentar algas que alimentam eficientemente a cadeia alimentar. Esse novo cenário favorece mais as salpas do que o krill, mas elas têm menor capacidade de armazenar e transportar carbono para as profundezas do oceano, tornando-se menos eficazes na regulação do clima global.

Os cientistas ainda estão começando a compreender como a redução do gelo está transformando os ecossistemas antárticos, especialmente com a possível substituição do krill por salpas. Como essas espécies têm papéis diferentes no armazenamento de carbono e nas cadeias alimentares, essa mudança pode alterar os ciclos de nutrientes e o equilíbrio ecológico do oceano. Assim, a diminuição do gelo não é apenas um sinal das mudanças climáticas, mas também um fator que provoca profundas transformações biológicas no Oceano Antártico.

O estudo destaca que os dados de satélite da ESA são uma ferramenta essencial para monitorar o Oceano Antártico de forma contínua e em grande escala. Eles permitem compreender melhor como a perda acelerada de gelo marinho está alterando os habitats de espécies-chave de plâncton, com impactos em toda a cadeia alimentar. Diante da provável persistência de baixos níveis de gelo, essas informações serão fundamentais para orientar pesquisas, estratégias de conservação e políticas climáticas globais.

Da Redação, com informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay

 
 
 
 

 

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