Do
Brasil até a Austrália: a jornada mais longa
de uma baleia já registrada
Pesquisadores
acompanharam a viagem de mais de 15 mil km e estudo foi divulgado
com fotos do trajeto
20/05/2026 –
Um estudo científico publicado na Royal Society Open
Science,revelou que baleias-jubarte percorreram distâncias
recordes pelos oceanos. Os pesquisadores analisaram cerca
de 20 mil fotos das caudas desses animais, registradas desde
os anos 1980 na plataforma Happywhale. A pesquisa identificou
duas baleias que cruzaram o Oceano Pacífico e chegaram
até a costa brasileira, no outro lado da América
do Sul. Com isso, o estudo estabeleceu novos recordes das
maiores distâncias já confirmadas entre avistamentos
de baleias-jubarte no mundo.
O estudo revelou
que uma baleia fotografada na Austrália em 2013 foi
registrada novamente no litoral de São Paulo em 2019,
após percorrer cerca de 14,2 mil quilômetros.
Outra baleia foi vista em Abrolhos, na Bahia, em 2003, e reapareceu
22 anos depois na Austrália, a 15,1 mil quilômetros
de distância — o maior trajeto já registrado
entre avistamentos da mesma jubarte. A identificação
foi possível graças às caudas das baleias,
que possuem marcas únicas, como impressões digitais
humanas.
Os pesquisadores
usaram um algoritmo de reconhecimento de imagens e análise
visual das fotos para confirmar as longas viagens das baleias
jubarte. Apesar dos recordes, o estudo mostra que essas travessias
são extremamente raras: entre quase 20 mil baleias
analisadas em mais de 40 anos, apenas dois casos foram identificados.
Segundo Stephanie Stack, da Universidade Griffith, nunca havia
sido registrada evidência fotográfica conectando
essas duas populações de baleias em áreas
de reprodução diferentes.
Segundo a pesquisadora,
o contato entre diferentes populações de baleias
pode aumentar a diversidade genética e ajudar na recuperação
das espécies após os impactos da caça.
Além disso, essas interações favorecem
a troca de comportamentos e conhecimentos entre os animais.
Ela destacou que a descoberta só foi possível
graças a décadas de pesquisa, colaboração
internacional e ao registro de baleias fotografadas por diferentes
pessoas em regiões opostas do planeta.
O cientista marinho
Wally Franklin explicou que já se sabia que baleias
jubarte de regiões como África, Austrália
e Brasil migravam para a Antártica, mas ainda havia
dúvidas sobre o quanto essas populações
se misturavam durante esse percurso. As novas descobertas
reforçam a chamada hipótese da “Troca
no Oceano Antártico”, segundo a qual baleias
de diferentes grupos podem se encontrar em áreas de
alimentação comuns e, depois, seguir rotas migratórias
diferentes, passando a viver em novas regiões de reprodução.
Franklin destacou
ainda a importância das plataformas de ciência
cidadã, como a Happywhale, para esse tipo de descoberta.
Segundo ele, qualquer pessoa que fotografe a cauda de uma
baleia pode enviar a imagem para bancos de dados globais,
onde pesquisadores do mundo todo compartilham e comparam registros
fotográficos, ampliando o conhecimento sobre as rotas
e comportamentos desses animais.
Conheça
a pesquisa
Da Redação,
com informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay
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