Brasil
apresenta compromissos voluntários na 11ª Conferência
Nosso Oceano e reforça agenda de proteção
marinha
Evento
realizado no Quênia reuniu governos, organismos internacionais
e sociedade civil para impulsionar ações concretas
em prol da saúde dos oceanos
30/06/2026 –
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
(MMA) participou da 11ª Conferência Nosso Oceano
(Our Ocean Conference), realizada em Mombasa, no Quênia.
O evento reuniu governos, organizações internacionais,
setor privado, comunidade científica e sociedade civil
para debater soluções e assumir compromissos
voluntários voltados à proteção
dos oceanos.
Com o tema “Nosso Oceano,
Nosso Patrimônio, Nosso Futuro”, a conferência
desta edição destacou o papel dos oceanos para
culturas, comunidades e meios de subsistência, além
de abordar desafios globais como mudanças climáticas,
perda de biodiversidade, poluição marinha e
segurança alimentar.
Durante a conferência,
o Brasil apresentou nove compromissos voluntários,
sendo quatro liderados pelo MMA, e reforçou compromissos
assumidos na Terceira Conferência dos Oceanos das Nações
Unidas (UNOC3), realizada em Nice, na França, em junho
de 2025.
A diretora do Departamento de
Oceano e Gestão Costeira do MMA, Ana Paula Prates,
destacou a importância da cooperação internacional
para a governança oceânica. Segundo ela, o lema
da conferência deve ser compreendido como uma “responsabilidade
compartilhada entre os países”. "Essa posição
foi reforçada por diversos representantes de governo
presentes no evento, inclusive pelo MMA, em suas diferentes
intervenções, ao destacar a importância
da responsabilidade coletiva pelo Oceano e o papel da cooperação
internacional em sua proteção”, pontuou.
Compromissos liderados pelo
MMA
Entre os compromissos apresentados pelo Brasil, quatro iniciativas
são coordenadas pelo MMA. O primeiro deles reforça
a implementação da Estratégia Nacional
Oceano sem Plástico (ENOP), instituída pelo
Decreto nº 12.644/2025, com o objetivo de prevenir, reduzir
e eliminar a poluição plástica nos ambientes
marinhos até 2030. A estratégia prevê
ações integradas entre União, estados
e municípios, além de articulação
com sociedade civil, setor produtivo e comunidade científica.
O segundo compromisso trata
da implementação do Planejamento Espacial Marinho
(PEM) em toda a área marinha sob jurisdição
brasileira até 2030, incluindo leito e subsolo. A iniciativa
busca ordenar de forma integrada e sustentável os diferentes
usos do mar, como pesca, turismo, energia e conservação
marinha, sendo coordenada pela Secretaria da Comissão
Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), em parceria
com o MMA.
O terceiro compromisso propõe
a incorporação de ações baseadas
no oceano na nova Contribuição Nacionalmente
Determinada (NDC) do Brasil, no Plano Clima de Adaptação
e na Estratégia e Plano de Ação Nacionais
para a Biodiversidade (EPANB). A medida busca integrar agendas
de clima e biodiversidade por meio da conservação
de ecossistemas costeiros e marinhos.
Já o quarto compromisso,
também liderado pelo MMA em conjunto com o Instituto
Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(ICMBio), prevê o fortalecimento da rede brasileira
de áreas marinhas protegidas, em alinhamento ao compromisso
global “30x30” assumido na UNOC3. A proposta é
ampliar em 240 mil km² as áreas protegidas marinhas
e costeiras nos próximos cinco anos, elevando a proteção
da Zona Econômica Exclusiva brasileira para 33,38%.
Outros compromissos apresentados
pelo Brasil
O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) apresentou
compromisso voltado à implementação do
Acordo sobre Medidas do Estado do Porto (PSMA), com o objetivo
de prevenir e combater a pesca ilegal, não declarada
e não regulamentada até 2028.
O Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com
o Ministério da Educação, propôs
a inclusão da Cultura Oceânica na Base Nacional
Comum Curricular (BNCC) até 2029, além da criação
de sistema de observação em unidades de conservação
em ilhas oceânicas e da realização da
Semana Nacional de Ciência e Tecnologia com foco em
cultura oceânica.
O Ministério das Relações
Exteriores propôs, no âmbito da Zona de Paz e
Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS),
promover até 2028 o diálogo entre países
interessados na criação de uma área marinha
protegida no Atlântico Sul, em conformidade com o Acordo
BBNJ, ratificado pelo Brasil em 2025.
Agenda internacional
Ao longo da conferência, a delegação brasileira
participou de painéis, workshops e reuniões
bilaterais com representantes de diferentes países
e organismos internacionais. Entre os temas debatidos estiveram
a integração entre oceanos e clima, financiamento
de ações marinhas e a preparação
para a COP31 da Convenção-Quadro das Nações
Unidas sobre Mudança do Clima.
A diretora do MMA também
participou de debates sobre poluição marinha,
cultura oceânica, conservação de recifes
de coral e fortalecimento de áreas marinhas protegidas,
além de encontros sobre governança oceânica
e cooperação internacional.
A participação
brasileira reforça o compromisso do país com
a agenda global dos oceanos, integrando conservação
marinha, ação climática e desenvolvimento
sustentável. O Brasil reafirma, assim, seu papel na
promoção de soluções baseadas
no oceano e no fortalecimento da cooperação
internacional para a proteção dos ecossistemas
marinhos.
Assessoria Especial de Comunicação Social do
MMA
Do Ministério do Meio
Ambiente
Fotos: Reprodução/Pixabay
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