USO DE ANIMAIS EM CIRCOS DIVIDE OPINIÕES

Panorama Ambiental
Brasília (DF) – Brasil
Abril de 2009

Akemi Nitahara - Repórter da Rádio Nacional - Brasília - O uso de animais como atrações circenses é polêmico e divide opiniões. Muitos defendem que, sem os animais, o espetáculo perdeu a graça. Outros acreditam que os bichos são mal tratados.

Para o relações públicas do Circo Europeu, Carlos Santos Sobrinho, os animais são importantes para a vida do circo.

“O animal faz muita falta no circo. O povo fala que sofre, mas não sofre não. Porque o animal de circo é como eu, o cara que é nascido em circo. A maioria desses animais é nascida em circo e não se acostuma fora. Ele não nasceu lá na selva. Aqui no circo ele come porque a gente dá, ele não precisa caçar para comer. E come muito bem”, garante.

Já o coordenador de operações da diretoria de produção ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Roberto Cabral Borges, afirma que é regra encontrar animais em condições ruins nos circos.

“Basicamente todos os chimpanzés que a gente encontra em circo estão com os dentes arrancados. Os felinos normalmente têm suas garras, principalmente as anteriores, arrancadas. Os elefantes são mantidos amarrados por uma pata da frente e outra de trás impedindo a movimentação e o hipopótamo, quando a gente encontra, é com a água suja, o espaço na maioria das vezes é ínfimo”, diz o coordenador.

Borges também afirma que os bichos não recebem alimentação adequada e não têm acompanhamento veterinário. O Ibama também verifica a origem dos animais silvestres e os riscos que eles podem vir a oferecer ao público.

O relações públicas Carlos lembra que, por causa da polêmica, os animais do Circo Europeu foram doados. Ele credita parte das dificuldades enfrentadas hoje pelo circo à falta dos bichos como atração.

O coordenador da área de circo da Funarte, Marcos Teixeira, explica que não se pode generalizar e colocar o circo como o grande vilão na questão dos maus tratos. Ele defende a regulamentação do uso dos animais.

“Existe uma generalização que não pode ser feita com relação aos animais, nós estamos trabalhando junto com o Ministério do Meio Ambiente, com o Ibama, com o Ministério da Justiça, para que haja uma regulamentação para o uso de animais no circo. Não é proibição, tem que haver uma regulamentação."

Para o coordenador do Ibama, é muito difícil manter animais em boas condições em circos. “A gente fez uma análise técnica de que é incompatível a atividade circense, que é uma atividade itinerante, com o bem estar dos animais e a segurança tanto desses animais quanto do público. Em vista disso, seria interessante que a diversão não fosse pautada no sofrimento dos animais e, sim, na habilidade dos artistas.”

Ainda não existe lei específica sobre o uso de animais em circos. Um projeto de lei do deputado Augusto Carvalho proíbe o uso de animais em apresentações. Mas ele tramita apensado a outro projeto, do senador Álvaro Dias, que institui o registro dos circos e prevê condições para o emprego de animais na atividade.

Ontem (26), véspera do Dia Nacional do Circo, foi lançada na Câmara a Frente Parlamentar do Circo Brasileiro, que tem como objetivo identificar os problemas encontrados na legislação para as comunidades circenses, aumentar os recursos para capacitar os profissionais e criar uma previdência para os artistas.

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Funarte estima que Brasil tenha 500 grupos circenses

Akemi Nitahara - Repórter da Rádio Nacional - Brasília - Estimativa da Fundação Nacional de Artes (Funarte), órgão ligado ao Ministério da Cultura, aponta que existam no Brasil 500 circos de pequeno, médio e grande porte. Para determinar esse número com precisão, a Funarte realiza um censo que deve terminar ainda este ano.

O coordenador da área de circo da fundação, Marcos Teixeira, diz que o Brasil passa por uma ótima fase. “Eu acho que é um bom momento para o circo no Brasil, se você for notar, tudo tem circo no meio, os anúncios de televisão, os espetáculos teatrais, de dança, tudo tem circo, envolve técnicas circences e tudo mais”.

A coordenação de circo lança editais para fomento, compra de lonas, criação de novos números e pesquisa, além de oferecer capacitação na área de gestão e manter a Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro.

O Brasil comemora hoje (27) o Dia Nacional do Circo. A data homenageia Piolin, nascido em 1897, um dos primeiros e maiores palhaços do Brasil.

Atualmente, o país conta com muitos artistas de circo. Mas a vida e o trabalho deles nem sempre são um espetáculo. Criado em ambiente circense, Thiago Medeiros, 27 anos, trabalha como palhaço desde os 13. Atualmente no Circo Europeu, ele diz que muitas vezes falta espaço até para armar a lona. “A maior dificuldade da vida de circo é que muita gente não dá apoio. Chegar num canto que o pessoal às vezes não gosta de circo.”

Ancomárcio Saúde, do Circo Teatro Artetude, diz que também falta apoio. “Ainda sofremos com falta de apoio, de reconhecimento de alguns órgãos, ou mesmo de alguns patrocinadores.”

Palhaça há cinco anos, Erika Mesquita, da companhia Circo Rebote, diz que o apoio do governo melhorou, mas ainda é muito pouco.

“Eles fazem essa distinção entre o tamanho da companhia, qual é o tipo de companhia, se é itinerante, mas mesmo assim, até para esses circos que são enormes, é uma parcela muito pequena que eles destinam pro circo. Se você for comparar com as companhias de dança e de teatro, a porcentagem que é destinada ao circo é sempre muito baixa. Mas eu acredito que a gente vai conseguir galgar valores maiores daqui pra frente”.

O Circo Rebote é formado por Erika e seu companheiro Atawalpa Coello. A filha do casal, Iacy, de 7 anos, já participa dos espetáculos e pretende seguir a carreira dos pais. “Eu faço perna de pau, tecido e lira. Eu quero ser uma palhacinha quando crescer.”
O palhaço Thiago Medeiros, do Circo Europeu, diz que gosta da vida no circo. “Para quem é acostumado é bom. Para mim, que nasci no circo, ou para muitas crianças que nasceram no circo, é bom”.

O Circo Europeu já está na sexta geração de artistas da família. O relações públicas Carlos Santos Sobrinho, também nascido no circo, lembra que as dificuldades e burocracias são muitas.

“Ver terreno, arrumar o local, ver na prefeitura, vem os direitos autorais, o Ecad, sindicato dos artistas, corpo de bombeiros, tem que ter uma firma, vem o meio ambiente, Defesa Civil... São as burocracias que existem, e isso aí que está fazendo com que o circo acabe.”

Ele diz que o único benefício que o artista circense tem é o direito de os filhos frequentarem as aulas nas escolas públicas onde o circo passa.

“É a única coisa que funciona para nós, do circo. Fora isso nós não temos um sindicato, não temos com quem reclamar, não tem praça para armar mais circo, você tem que partir para um particular, shopping, mas é caríssimo. Também isso prejudica e o circo vai se acabando cada vez mais”.

Luciano Porto, do Circo Teatro Udi Grudi, diz que o circo e o palhaço são necessários para a saúde da sociedade.

“Eu acho que cada vez se precisa mais de palhaços hoje em dia, para contrabalancear todo o baixo astral desse mundo inteiro. O palhaço cuida da saúde da sociedade, porque rir é o melhor remédio. Então o palhaço é uma profissão que tem que ser respeitada e hoje, mais do que nunca, é mais do que necessário existirem palhaços.”

 
 

Fonte: Agência Brasil - Radiobras

 
 
 
 

 

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