05/03/2026
– O inseto terrestre mais austral do planeta, a Belgica antarctica,
já está ingerindo microplásticos, segundo estudo
conduzido por pesquisadores da University of Kentucky Martin-Gatton
College of Agriculture, Food and Environment e publicado na Science
of the Total Environment. É a primeira confirmação
da presença dessas partículas em insetos antárticos
coletados na natureza, evidenciando que a poluição
plástica alcançou até os ecossistemas mais
isolados do planeta.
Com cerca de cinco milímetros
de comprimento, a espécie é um mosquito não
picador que habita tapetes úmidos de musgos e algas na Península
Antártica. Suas larvas podem atingir densidades de até
40 mil indivíduos por metro quadrado e desempenham papel
fundamental na ciclagem de nutrientes em solos pobres e frágeis,
o que torna a descoberta ainda mais preocupante para o equilíbrio
ecológico local.
Em experimentos de laboratório,
pesquisadores avaliaram os efeitos da exposição a
microplásticos nas larvas de Belgica antarctica e observaram
que, mesmo nas maiores concentrações testadas, não
houve redução na sobrevivência nem alterações
no metabolismo básico. No entanto, análises detalhadas
identificaram um impacto sutil: a diminuição das reservas
de gordura nas larvas mais expostas — um fator crítico
para armazenar energia em um ambiente de frio extremo e escassez
de recursos — enquanto carboidratos e proteínas permaneceram
estáveis.
Em etapa posterior, durante
expedição realizada em 2023, na Península Antártica
Ocidental, a equipe coletou larvas em 20 pontos de 13 ilhas e utilizou
técnicas avançadas de imagem para detectar partículas
de até quatro micrômetros. Foram encontrados dois fragmentos
de microplástico entre 40 indivíduos analisados, confirmando
a presença de poluição plástica em insetos
antárticos na natureza.
Embora a quantidade detectada tenha
sido baixa, os pesquisadores consideram o achado um alerta inicial:
a Antártida ainda apresenta níveis de plástico
inferiores aos de outras regiões do planeta, mas a presença
confirmada indica que o material já entrou no ecossistema
e, em concentrações mais altas, pode alterar o balanço
energético do inseto. Estudos anteriores já haviam
encontrado fragmentos plásticos na neve e na água
do mar da região, transportados por correntes oceânicas,
ventos e atividades humanas associadas a estações
de pesquisa e embarcações.
Como a Belgica antarctica não
possui predadores terrestres conhecidos, o plástico ingerido
tende a permanecer no nível do solo, mas os pesquisadores
alertam que a exposição prolongada, especialmente
diante do aquecimento e de alterações na umidade,
pode gerar impactos cumulativos. O estudo, financiado pela Antarctic
Science International Bursary, pela National Science Foundation
e pelo National Institute of Food and Agriculture, recomenda novas
pesquisas para monitorar microplásticos nos solos antárticos
e investigar os efeitos de longo prazo sobre esse inseto e outros
organismos do ecossistema polar.
Da Redação, com informações
de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Freepik
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