Noruega pretende apostar no Brasil para acelerar transição da reciclagem do plástico e impulsionar energia limpa

Para Noruega, o Brasil é o caminho para investimentos de sua estratégia climática

 
 

26/03/2026 – A relação entre Brasil e Noruega vive um momento de maior aproximação política e empresarial, impulsionado principalmente pela agenda climática, que colocou temas como transição energética e economia circular no centro da parceria, indo além do comércio e dos investimentos tradicionais; com quase US$ 14 bilhões investidos no Brasil até 2024 e cerca de 300 empresas ativas no país, a Noruega é atualmente o 12º maior investidor estrangeiro no mercado brasileiro, tendo ampliado em 900% seus investimentos diretos nos últimos dez anos, segundo o relatório Norway in Brazil: Investment and Trade Report 2025, e destinado, desde 2023, US$ 1,8 bilhão a projetos de energia renovável, como solar, eólica, bioenergia, hidrogênio e baterias.

A cônsul-geral da Noruega no Rio de Janeiro, Mette Tangen, afirmou que os últimos anos foram intensos na relação bilateral com o Brasil, marcados por diversas visitas e encontros políticos de alto nível entre autoridades dos dois países. Segundo ela, esse fortalecimento do diálogo institucional ajudou a recolocar o Brasil no radar estratégico norueguês, destacando sua importância crescente, ainda que tradicionalmente receba menos atenção do que países como China e Índia.

A transição energética tornou-se o principal foco dos novos investimentos da Noruega no Brasil, com empresas utilizando o país como base para reduzir emissões em cadeias globais, graças à matriz elétrica mais limpa e ao custo competitivo das renováveis. Segundo a cônsul os maiores aportes recentes concentram-se em energia eólica, solar e, mais recentemente, baterias, destacando que o Brasil é estratégico para o cumprimento de metas climáticas corporativas globais. Um exemplo é a planta da Yara em Cubatão, que investe na produção de amônia e fertilizantes verdes com biogás e biometano, alcançando redução de 70% nas emissões.

Reprodução/Pixabay

 

 

Na economia circular, o Brasil é visto pela Noruega como mercado estratégico para expansão, especialmente diante de avanços regulatórios que podem impulsionar investimentos em reciclagem. A multinacional TOMRA avalia que o decreto brasileiro do plástico (nº 12.688/2025) pode destravar aportes em infraestrutura ao estabelecer metas graduais de recuperação e de uso de conteúdo reciclado. A norma prevê aumento da coleta de 30% em 2025 para 50% em 2040, além de exigências de conteúdo reciclado pós-consumo que sobem de 22% para 40% no mesmo período.

Segundo Tove Andersen, da TOMRA, metas ambiciosas de coleta e de conteúdo reciclado são essenciais para gerar demanda e atrair capital privado, desde que acompanhadas de rastreabilidade, fiscalização e penalidades para evitar fraudes. Ela afirma que políticas consistentes mudam o comportamento do mercado ao atribuir valor econômico aos resíduos. A Noruega é referência nesse modelo, coletando mais de 90% das embalagens de bebidas e utilizando cerca de 80% de material reciclado em novas garrafas, dentro de um arcabouço regulatório com metas rígidas, restrições a aterros e incentivos econômicos. O país também se destaca pela separação de resíduos nas residências, com recipientes específicos e ampla rede de pontos de coleta, o que aumenta a eficiência e a participação da população no sistema de reciclagem.

Outro pilar do modelo da Noruega é o sistema de depósito para garrafas e latas, no qual o consumidor paga um valor extra reembolsável ao devolver a embalagem, garantindo altas taxas de retorno e incentivando o descarte correto, apesar de debates sobre o impacto das embalagens descartáveis. O país também investe em tecnologia, com triagem automatizada, inteligência artificial e aplicativos que orientam a coleta. Mais recentemente, tem avançado na economia circular ao priorizar reutilização, reparo e design durável, apoiado por iniciativas comunitárias, educação ambiental desde a infância e campanhas públicas que reforçam a responsabilidade coletiva e sustentam seus elevados índices de reciclagem.

A Noruega é referência mundial em sistemas de devolução com depósito para embalagens de bebidas, modelo criado voluntariamente pela indústria e em operação desde 1999 para embalagens descartáveis. O sistema combina incentivo financeiro ao consumidor com estímulos regulatórios aos produtores, reduzindo taxas ambientais conforme aumentam os índices de retorno — que, ao atingir 95% ou mais, garantem isenção do imposto. Em 2023, o país registrou taxa de retorno de 92,3%, com mais de 1,54 bilhão de latas e garrafas devolvidas. Operado pela organização sem fins lucrativos Infinitum, o modelo funciona com cerca de 3.900 máquinas automáticas e milhares de pontos manuais, oferecendo um ponto de coleta para cada 362 habitantes; com depósitos de 2 ou 3 coroas norueguesas por embalagem, menos de 1% das unidades são descartadas de forma inadequada, tornando-o um dos sistemas mais eficientes do mundo.

No Brasil, o principal desafio para avançar na economia circular ainda é estrutural, especialmente na coleta de resíduos, segundo Tove Andersen, da TOMRA. Embora o país tenha forte atuação do setor informal na recuperação de alumínio e papelão — com o alumínio sendo competitivo — o plástico enfrenta dificuldades devido aos baixos preços da resina virgem, o que impede que a cadeia se sustente apenas pelo mercado. Para a executiva, é fundamental internalizar os custos ambientais, já que produtores não arcam plenamente com o impacto de seus produtos. Apesar disso, o fortalecimento regulatório e novos instrumentos financeiros sustentáveis sinalizam uma nova fase, com potencial de crescimento do Brasil e da América Latina nos próximos anos. Andersen ressalta que não é possível copiar integralmente o modelo da Noruega, mas destaca que princípios como atribuir valor econômico aos resíduos são universais, além de gerar negócios, empregos e reduzir a dependência de importações.

Da Redação, com informações de agências de notícias
Matéria elaborada com auxílio de inteligência artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay

 
 
 

 

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