Pescadores da República Democrática do Congo estão recolhendo lixo plástico usando arrasto

A pesca é escassa: peixes pequenos, muitas garrafas de plástico e fraldas usadas em excesso

 
 

26/05/2026 – O rio Congo, essencial para milhões de pessoas na República Democrática do Congo, enfrenta uma grave poluição por plástico. Pescadores próximos à capital têm encontrado mais lixo do que peixes em suas redes, e alguns passaram a ganhar dinheiro vendendo o plástico retirado do rio. Com mais de 4.300 km de extensão, o Congo é o segundo rio mais poderoso do mundo, atrás apenas do Amazonas, e ainda fornece cerca de 60 mil toneladas de peixe por ano, segundo o governo.

Nos últimos anos, pescadores próximos a Kinshasa têm percebido uma forte queda na quantidade de peixes no rio Congo devido à poluição. Segundo relatos, espécies maiores desapareceram da região, enquanto redes agora capturam principalmente pequenos peixes, garrafas plásticas e fraldas usadas. Muitos pescadores, que dependem da atividade há décadas, temem pelo fim de sua profissão e pela própria sobrevivência.

Kinshasa, com mais de 17 milhões de habitantes, enfrenta altos níveis de poluição plástica, produzindo cerca de 10 toneladas de resíduos por dia. Grande parte desse lixo se acumula nas ruas e acaba sendo levado pelos cursos d’água até o rio Congo, causando danos à vida selvagem e contaminando a água.

Reprodução/Pixabay

 



Um estudo da Universidade de Kinshasa revelou que o plástico no rio Congo se transforma em microplásticos, que são ingeridos pelos peixes e prejudicam seu crescimento, reprodução e sobrevivência. Essas partículas também entram na cadeia alimentar, afetando humanos e animais. Além disso, os resíduos poluem a água e danificam áreas de alimentação e reprodução dos peixes. Especialistas alertam que a poluição plástica atingiu níveis críticos, enquanto menos de 20% do lixo é tratado.

A República Democrática do Congo proibiu, em 2017, a fabricação e importação de sacolas e garrafas plásticas, mas a lei pouco é respeitada. Em Kinshasa, a falta de recursos compromete a coleta de lixo, favorecendo o descarte irregular de resíduos, especialmente perto dos cursos d’água.

Na ilha fluvial de Kimpoko, próxima a Kinshasa, mais de 600 famílias ainda dependem da pesca artesanal, mas a renda caiu drasticamente nas últimas décadas. Pescadores que antes ganhavam cerca de 100 dólares por semana hoje recebem apenas entre 10 e 20 dólares. Diante da crise, muitos passaram a recolher lixo plástico do rio para vender a empresas de reciclagem.

A venda de lixo plástico retirado do rio Congo se tornou mais lucrativa do que a pesca, com pescadores recebendo cerca de 40 centavos de dólar por quilo de resíduos. Em algumas áreas, o acúmulo de lixo já formou “ilhas” de plástico, e alguns trabalhadores chegam a recolher até 50 quilos por semana. Apesar das dificuldades, muitos continuam nessa atividade para sustentar suas famílias e garantir estudo aos filhos, enquanto outros ainda esperam apoio do governo para voltar a pescar em regiões mais afastadas e menos poluídas.

Da Redação, com informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay

 
 
 

 

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