23/04/2026
– A ecologista Laura Kelley passou a estudar gaivotas ao
assumir um cargo na Universidade de Exeter, já que não
podia mais realizar pesquisas na Austrália com um bebê
pequeno. Na Cornualha, essas aves são abundantes e difíceis
de ignorar, vivendo próximas aos humanos. Embora algumas
pessoas as apreciem como símbolos do litoral, outras as
veem como incômodas por seu comportamento invasivo, como
roubar comida e ocupar áreas urbanas.
As gaivotas enfrentam problemas
de imagem devido ao comportamento invasivo, como roubar comida,
sujar carros e espaços urbanos, e até a dificuldade
das pessoas em identificar corretamente suas espécies.
Para investigar se essa má reputação é
justa, Kelley se uniu à colega Neeltje J. Boogert, também
da Universidade de Exeter, para estudar o comportamento dessas
aves localmente.
Kelley, como ecóloga comportamental,
se interessou pelo esforço das gaivotas e outras espécies
consideradas "intrusas" em ambientes urbanos. Ela defende
a convivência com esses animais, que estavam presentes antes
dos humanos. Pesquisas recentes ajudaram a melhorar a reputação
das gaivotas, revelando diferenças individuais entre elas
e oferecendo insights sobre como coexistir com a vida selvagem
urbana.
As gaivotas são aves cosmopolitas,
com mais de 50 espécies distribuídas por todos os
continentes, incluindo a Antártida, e muitas vivem tanto
em cidades quanto em áreas remotas. Uma característica
marcante é o cleptoparasitismo: roubar comida de outros
animais, comportamento compartilhado com outras aves marinhas,
mas mais notório nelas por ocorrerem perto dos humanos.
Gaivotas roubam comida de outras
aves mergulhando sobre a presa até consegui-la, um comportamento
diferente do roubo de comida de humanos. Para entender como elas
interagem com pessoas, pesquisadoras realizaram experimentos em
praias, colocando sacos de batatas fritas pesados próximos
e observando as reações das aves ao tentarem pegá-los.
Em um experimento com 74 gaivotas,
as cientistas observaram como elas reagiam à presença
humana ao tentar pegar comida. Apenas 27 se aproximaram do saco
de batatas fritas, e 19 tentaram realmente pegá-lo. As
aves demonstraram sensibilidade à observação,
sendo mais ousadas quando o pesquisador desviava o olhar do que
quando as encarava diretamente.
O estudo sugere que
a maioria das gaivotas tem mais medo de humanos do que se imagina
e que a atenção à direção do
olhar indica cognição sofisticada. A variação
entre indivíduos, com algumas adotando comportamento “criminoso”
e outras não, é particularmente intrigante. Pesquisas
adicionais mostram que gaivotas podem sincronizar sua alimentação
e até identificar objetos manuseados por pessoas, escolhendo
o que parece mais atraente para roubar.
Em experimentos com pacotes de
batatas fritas de cores diferentes, as gaivotas demonstraram observar
atentamente qual pacote o pesquisador segurava, mostrando grande
astúcia. Apenas cerca de um quinto das aves pegou o alimento,
mas algumas retornaram ao local depois do teste, indicando memória
e aprendizado. Isso sugere que algumas gaivotas se especializam
em roubar comida humana, enquanto outras mantêm uma dieta
mais tradicional.
Embora cães e cavalos percebam
sinais humanos devido à domesticação, a habilidade
das gaivotas de entender o que os humanos consideram comestível
é surpreendente. Sem histórico de domesticação,
essa capacidade indica cognição avançada,
comparável à de aves reconhecidas por sua inteligência,
como os corvos.
Experimentos conduzidos por Kelley
e colegas também investigaram como gaivotas reagem a diferentes
formas de comunicação humana ao tentar proteger
comida. Eles colocaram batatas fritas em caixas transparentes
e, quando uma gaivota se aproximava, reproduziam três tipos
de estímulos sonoros: o canto de um pisco-de-peito-ruivo,
a voz de um homem falando em tom neutro “Não! Fique
longe! Essa é a minha comida, esse é o meu pastel!”
e a mesma frase dita em tom estridente.
Os resultados mostraram que as
gaivotas prestaram pouca atenção ao canto de outro
pássaro, mas reagiram às vozes humanas, estremecendo
e interrompendo a investida contra o alimento. Além disso,
eram mais propensas a voar para longe diante de gritos do que
de uma fala neutra, evidenciando que conseguem perceber diferenças
sutis no tom de voz e ajustar seu comportamento de forma estratégica.
Isso demonstra uma capacidade cognitiva sofisticada e um nível
de atenção social impressionante, inesperado em
aves que não têm história de domesticação
com humanos.
O estudo das gaivotas levanta
novas perguntas sobre comportamento, aprendizado e reconhecimento
individual. Kelley observa que aves mais velhas ou experientes
tendem a atacar com sucesso, sugerindo aprendizado, e que mudanças
recentes em cidades como Exeter indicam comportamentos em evolução,
antes não vistos. Para proteger a comida, recomenda-se
usar barreiras físicas ou se sentar de costas para estruturas.
Embora inicialmente vistas como incômodas, as gaivotas mostram
inteligência e adaptabilidade, levando Kelley a considerá-las
encantadoras.
Criado em 2015, dentro do setor
de pesquisa da Agência Ambiental Pick-upau, a Plataforma
Darwin, o Projeto Aves realiza atividades voltadas ao estudo e
conservação desses animais. Pesquisas científicas
como levantamentos quantitativos e qualitativos, pesquisas sobre
frugivoria e dispersão de sementes, polinização
de flores, são publicadas na Darwin Society Magazine; produção
e plantio de espécies vegetais, além de atividades
socioambientais com crianças, jovens e adultos, sobre a
importância em atuar na conservação das aves.
Da Redação,
com informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay
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