Alckmin
pretende fazer obra em UC com ‘desafetação’
de área
Governo do SP enviará projeto de lei à Assembleia
para não ter que discutir questões legais
15/10/2012
– Governo do Estado de São Paulo pretende
utilizar um projeto de lei para aprovar a nova concessão
ao Centro de Exposição Imigrantes e dobrar
sua área de abrangência, no Parque Estadual
das Fontes do Ipiranga – PEFI, antigo Parque do
Estado para facilitar aprovação.
Segundo
uma fonte do próprio Palácio dos Bandeirantes,
o governo deve encaminhar em breve um projeto de lei para
a Assembleia Legislativa com a solicitação
de ‘desafetação’ da área
que pretende colocar na nova concessão. A área
hoje é ocupada pela Secretaria Estadual de Agricultura
e Abastecimento e pelo Instituto Geológico de São
Paulo, e se o projeto for aprovado, a nova obra deverá
ocupar cerca de 400 mil metros quadrados.
Divulgação/Pick-upau |
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Parque
Estadual das Fontes do Ipiranga. |
Utilizando
este mecanismo, o governo evitaria uma discussão
sobre o Plano de Manejo do parque, de leis estaduais e
federais de proteção ao meio ambiente, como
as regras do SNUC – Sistema Nacional de Unidades
de Conservação da Natureza. No máximo
o CONSEMA – Conselho Estadual de Meio Ambiente de
São Paulo poderia, eventualmente, discutir um EIA-Rima.
Já o CONDEPEFI – Conselho de Defesa do Parque
Estadual das Fontes do Ipiranga se limitaria a discutir
algumas ‘compensações’, o que
parece ser o desejo de alguns membros.
Segundo
o diretor-executivo da Agência Ambiental Pick-upau,
J. Andrade, o governo do Estado quer facilitar o caminho
da aprovação, mas a estratégia não
garante sucesso ao Palácio dos Bandeirantes. “Primeiro
o projeto de lei tem que ser aprovado na Assembleia, assim
o governo terá que combinar tanto com a bancada
governista quanto com a oposição, que já
interrompeu processos parecidos, como o caso da Jureia”,
diz Andrade. “O governo ainda pode ter que lidar
com o Ministério Público que será
acionado e com a reação da sociedade, que
pode ser decisiva neste caso”, completou.
Segundo
a presidente da Agência Ambiental Pick-upau, Andrea
Nascimento, deputados da oposição na Assembleia
Legislativa de São Paulo já estão
sabendo do caso. “Trinta e sete deputados da Assembleia
já foram informados sobre as intenções
do governo sobre o Parque, agora vamos aguardar um posicionamento
desses parlamentares”, disse Nascimento.
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Da
Redação
Fotos: Divulgação
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Sobre o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga
Também conhecido como Parque do Estado ou Parque
da Água Funda, o PEFI tem sua origem no século
XIX, precisamente em 12 de setembro de 1893. A partir
da Lei de 17 de agosto de 1892 que autorizava o reforço
do abastecimento de água em São Paulo, resultou
o Decreto Estadual nº 204 de 12 de setembro de 1893
que declarou de utilidade pública os terrenos da
Bacia do Ribeirão Ipiranga, pertencente à
época a diversos proprietários. O parque
inicialmente englobava uma área de 6.969.000 m2,
cerca de 22% maior do que é hoje. A área
do parque evidência suas qualidades e riquezas naturais
que o coloca ainda como referência na área
dos conhecimentos científicos voltados para a botânica
e a zoologia. Na década de 1920 instala-se no PEFI
o Horto Botânico, hoje denominado Jardim Botânico.
A
função de abastecimento de água findou-se
na década de 1930 com a reformulação
dos sistemas de abastecimento de água para o município.
Em
1942 a vocação do Parque reafirma-se com
a criação do Departamento de Produção
Animal-DPA, implantado através do Decreto-Lei nº
12.504 de 10 de janeiro de 1942. E com a reorganização
do Departamento de Botânica em meados de 1946 é
criada, em área transferida do DPA, a Escola de
Horticultura da Diretoria de Ensino Agrícola. Pouco
mais tarde, no mesmo ano, é criado o Instituto
Astronômico e Geofísico (IAG), incorporado
à Universidade de São Paulo através
do Decreto nº 16.622, de 30 de dezembro de 1946.
Posteriormente,
em 1953 a área da Escola de Horticultura é
cedida ao Serviço Social do Estado. Cerca de duas
décadas depois, em 1971, parte dessa área
é transferida para o Centro Estadual de Agricultura.
Outras
importantes alterações ocorrem na década
de 1950, quando, através do Decreto 30.487, de
24 de dezembro de 1957, instala-se no parque o Hospital
Psiquiátrico e o Departamento de Assistência
aos Psicopatas, hoje denominado Hospital CAISM Dr. David
Capistrano da Costa Filho.
Um
ano depois, em 1958, é criada a Fundação
Parque Zoológico de São Paulo. O Zoológico,
por força da Lei nº 5.116, de 31 de dezembro
de 1958, passa então a utilizar uma área
transferida do Instituto de Botânica. Posteriormente,
em 1963, o IAG, através da Lei nº 7.721, de
22 de janeiro de 1963, transfere mais uma área
para a Fundação Parque Zoológico.
Pouco mais tarde, em 1966, o IAG concede mais uma porção
de seu terreno, desta vez para o Instituto de Botânica,
que recebe esta denominação em 1938.
Em
1969 a Siderúrgica Allipertti sofre uma ação
de desapropriação através do Decreto
50.620, de 31 de outubro de 1969, para ampliação
do Jardim Botânico.
No
início dos anos 70 começam as obras da construção
da Rodovia dos Imigrantes e muitas áreas foram
incorporadas pelo DERSA. Há inclusive algumas áreas
remanescentes, situadas depois das faixas de rodagem do
que é hoje a Avenida Ricardo Jafet, que estão
completamente dissociadas do PEFI, algumas inclusive invadidas.
Em
1972, é criado o Parque Simba Safári, em
área cedida pela Fundação Parque
Zoológico para a iniciativa privada. Recentemente
a concessão encerrou-se e a Fundação
Parque Zoológico assumiu as atividades, alterando
o sistema de gestão e a denominação
para Zoo Safári, que continua sendo uma das atrações
do PEFI.
Em
1974, através do Decreto nº 3628 de 7 de maio
de 1974, a Fundação do Bem -Estar do Menor
-Pró-Menor, denominada Fundação do
Bem-Estar do Menor - FEBEM/SP, a utilizar a titulo precário,
imóvel situado a Rua Ambores nº 145, então
Instituto de Menores Dona Paulina de Souza Queiroz.
Em
1975, o Instituto de Botânica sofre uma exclusão
de parte de sua área em favor de herdeiros de Salomão
Bumaruff - Processo nº 216/56 de 12 de abril de 1976,
1ª Vara da Fazenda Estadual. Ainda em 1975, o Instituto
de Botânica transfere parte de sua área para
a Fundação Parque Zoológico de São
Paulo - Processo 71.555/75, transferência esta assegurada
legalmente até a data de 31 de dezembro de 2008.
Neste
mesmo ano, foi criado o Instituto Geológico (IG),
vinculado à Secretaria da Agricultura, com a finalidade
de coordenar todos os trabalhos relacionados às
áreas de Geologia e Geodésia.
As
origens do instituto remontam à Comissão
Geográfica e Geológica (CGG) da Província
de São Paulo, criada em 1886, com o objetivo de
planejar e executar as pesquisas para subsidiar a ocupação
do território paulista. A CGG existiu durante 45
anos, e seus serviços foram gradativamente sendo
transferidos para outras instituições antes
de sua extinção, particularmente para a
Secretaria de Agricultura. Entre as instituições
estavam o Instituto de Botânica e o Instituto Geográfico
e Geológico (IGG). O IGG foi transferido para a
Secretaria de Economia e Planejamento em 1975, e extinto
no mesmo ano, originando o Instituto Geográfico
e Cartográfico (IGC) e o Instituto Geológico
(IG). Em 1976 o IG se instalou no Centro Estadual da Agricultura,
no PEFI.
A
Secretaria do Meio Ambiente foi criada pelo Decreto nº
24.932 de 24 de março de 1986, que instituiu o
Sistema Estadual do Meio Ambiente. Em 1987 os Institutos
de Botânica e o Geológico foram transferidos
para esta pasta (Decreto nº 26.942), mas continuaram
fisicamente instalados no PEFI.
Em
2001, a área pertencente a FEBEM (Decreto 3.628,
de 07/05/1974), é transferida para a Secretaria
de Assistência e Desenvolvimento Social (Decreto
nº 46.270, de 12/11/2001), onde foi criado o Centro
de Esportes, Cultura e Lazer. Este Centro conta com um
complexo esportivo e oferece um infocentro com acesso
gratuito a Internet, cursos profissionalizantes, atividades
culturais, artísticas e socioeducativas para toda
a comunidade.
Em
2001, o antigo Instituto Astronômico e Geofísico
passou a se denominar Parque de Ciência e Tecnologia
da USP e em 2004, através do Decreto 48.604/04
foi criado o Centro de Logística e Exportação
(CELEX) com objetivo de apoiar as empresas com informações
e fomento às atividades exportadoras do Estado
de São Paulo.
Por
fim, o PEFI abriga ainda o 97º Distrito de Polícia
Militar e o 2º Batalhão da Polícia
Ambiental do Estado de São Paulo, importantes colaboradores
na segurança dos usuários do PEFI e vigilância
deste Centro de Conservação de Biodiversidade
e do patrimônio Histórico destinado à
pesquisa, cultura, lazer, saúde, centro de negócios,
exportação e desenvolvimento nacional.
Acesse: www.condepefi.sp.gov.br