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Pesquisa mostra que monitorar aves específicas beneficia outras espécies da mesma região
Equipe de pesquisadores descobriu que 95% das aves florestais estudadas apresentaram associações positivas com outras espécies
 

29/12/2025 – Um novo estudo do Laboratório de Ornitologia Cornell, publicado na revista Conservation Biology, revela que monitorar e proteger espécies selecionadas de aves pode beneficiar diversas outras espécies em uma mesma região. A pesquisa analisou mais de 892.000 horas de gravações de sons de aves na Sierra Nevada, na Califórnia, e testou o conceito de “espécies guarda-chuva” — a ideia de que proteger algumas espécies-chave pode ajudar na conservação de comunidades inteiras de fauna.

A pesquisadora Kristin Brunk, do Centro K. Lisa Yang de Bioacústica da Conservação, explica que a ideia de usar algumas espécies para representar o estado de outras em habitats semelhantes é antiga, mas raramente testada em larga escala. Em um estudo inovador, ela e sua equipe usaram gravações e inteligência artificial para analisar a coocorrência de seis espécies substitutas — como a coruja-da-califórnia e o pica-pau-de-dorso-preto — com outras 63 espécies de aves em uma vasta área de 25.000 km² de floresta. As espécies substitutas foram escolhidas por representarem condições de habitat que também sustentam outras espécies.

A presença da coruja-malhada da Califórnia é vista como um indicativo de florestas maduras, um habitat raro do qual outras aves, como o Regulus spp., a toutinegra-eremita e o tordo-eremita, também dependem. Segundo o conceito de espécies guarda-chuva, proteger o habitat da coruja pode beneficiar essas outras espécies. No estudo, dispositivos de gravação SwiftOne captaram sons de aves em 1.651 locais na Sierra Nevada, e o software de inteligência artificial BirdNET ajudou a identificar as espécies a partir de centenas de milhares de horas de gravações.

Reprodução/Pixabay

 



Segundo o pesquisador Connor Wood, estamos entrando em uma nova era na ciência da conservação, com tecnologias que permitem coletar e analisar dados em larga escala. O estudo mostrou que 95% das aves florestais analisadas tiveram associações positivas com ao menos uma das seis espécies substitutas, indicando que o manejo do habitat focado nessas espécies pode beneficiar muitas outras que compartilham os mesmos ambientes.

Os pesquisadores celebraram os resultados como um dos primeiros testes concretos do conceito de espécies guarda-chuva, frequentemente ensinado, mas raramente validado em grande escala. O extenso conjunto de dados permitiu analisar não só a eficácia dessas espécies substitutas, mas também como essa eficácia varia ao longo da Sierra Nevada. Eles descobriram que a utilidade de uma espécie substituta pode mudar com a latitude — uma ave associada positivamente a uma espécie substituta no norte da região pode não ter a mesma relação no sul, ou até apresentar associação negativa. Isso destaca a importância de considerar fatores regionais no planejamento da conservação.

Brunk destacou que os resultados do estudo têm implicações importantes para a conservação, alertando que o que funciona em uma região pode não funcionar em outra. As necessidades de habitat das espécies variam ao longo de sua distribuição, e estratégias baseadas em espécies substitutas devem ser avaliadas na mesma escala em que serão aplicadas. Os pesquisadores também ressaltaram a importância de escolher espécies substitutas adequadas — aquelas com requisitos de habitat específicos que possam refletir as condições necessárias para outras espécies. O estudo chega em um momento crítico, com os gestores florestais enfrentando desafios como mudanças climáticas e incêndios, e oferece orientações valiosas para decisões mais eficazes de conservação.

Saiba mais: Kristin M. Brunk et al., Avaliação da variabilidade espacial e eficácia de espécies substitutas em escala ecossistêmica, Conservation Biology (2025). DOI: 10.1111/cobi.70058

Criado em 2015, dentro do setor de pesquisa da Agência Ambiental Pick-upau, a Plataforma Darwin, o Projeto Aves realiza atividades voltadas ao estudo e conservação desses animais. Pesquisas científicas como levantamentos quantitativos e qualitativos, pesquisas sobre frugivoria e dispersão de sementes, polinização de flores, são publicadas na Darwin Society Magazine; produção e plantio de espécies vegetais, além de atividades socioambientais com crianças, jovens e adultos, sobre a importância em atuar na conservação das aves.

Da Redação, com informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay

 
 
 
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