04/05/2026
– Nas florestas do Havaí, pesquisadores da UC Riverside
descobriram que o roubo de materiais de ninhos entre pássaros
canoros é um comportamento comum, conhecido como cleptoparasitismo.
O estudo, liderado por Erin Wilson Rankin, é o primeiro
a rastrear e quantificar esse tipo de comportamento na natureza.
Os resultados indicam que essa prática pode representar
uma ameaça adicional para espécies já vulneráveis.
Embora esse comportamento já
fosse observado por especialistas, ele nunca havia sido documentado
em detalhes. O estudo permitiu identificar quais espécies
roubam material, quais são mais afetadas e o que acontece
com os ninhos após os furtos. Durante seis meses, pesquisadores
acompanharam mais de 200 ninhos de aves nativas do Havaí,
como o I'iwi escarlate, o Apapane e o Amakihi. O Apapane foi a
espécie mais envolvida no roubo e também a mais
vitimada, possivelmente por ser a mais comum na região.
A maior parte dos roubos de material
entre ninhos ocorreu entre estruturas localizadas em alturas semelhantes
nas árvores, apoiando a hipótese de que as aves
acabam encontrando esses ninhos ao acaso durante a busca por alimento.
Em geral, os ninhos já estavam abandonados quando foram
alvo de furto, mas em cerca de 10% dos casos ainda estavam ativos,
com ovos ou filhotes, e alguns desses episódios levaram
ao fracasso da reprodução.
O estudo observou que cerca de
5% dos ninhos falharam após episódios de roubo de
material, seja por danos à estrutura ou por abandono causado
pela perturbação dos pais. Embora essa taxa pareça
baixa, os pesquisadores alertam que esse impacto pode ser significativo
para espécies já ameaçadas pela perda de
habitat, doenças e mudanças climáticas, especialmente
quando somado a outros fatores de pressão, como a malária
aviária, podendo acelerar o declínio das populações.
O estudo, publicado
em The American Naturalist, também analisou as aves que
praticam o roubo de materiais de ninhos. Embora essa estratégia
possa economizar energia na construção, ela pode
trazer riscos, como a transmissão de parasitas e doenças,
além de possíveis conflitos com outras aves. No
caso das espécies havaianas estudadas, o comportamento
agressivo é raro. Um aspecto curioso é que o roubo
também ocorre entre indivíduos da mesma espécie,
como observado entre os Apapane.
Rankin iniciou a pesquisa ao estudar
artrópodes florestais e, junto com seu marido, o biólogo
coletou dados detalhados sobre o ciclo de vida de aves havaianas
com foco em conservação. Embora as espécies
estudadas não estejam ameaçadas de extinção,
elas fazem parte de um grupo de aves nativas que vem sendo forçado
a migrar para áreas mais altas devido a doenças
transmitidas por mosquitos introduzidos pelos humanos. Os pesquisadores
alertam que essas florestas, antes refúgios seguros, estão
se tornando ambientes mais competitivos e pressionados para essas
aves.
Segundo Rankin, o roubo de materiais
de ninhos pode se tornar mais frequente caso haja escassez de
recursos ou de locais seguros para nidificação,
sendo um comportamento que merece monitoramento. Entender quais
espécies são mais vulneráveis e em quais
condições isso ocorre pode ajudar a orientar estratégias
de conservação, especialmente diante da contínua
fragmentação dos habitats.
O pesquisador destaca que, ao
prever quando e onde o roubo de materiais de ninhos ocorre, mesmo
que não seja possível evitá-lo totalmente,
é possível adotar medidas para apoiar espécies
ameaçadas. O estudo também busca incentivar uma
nova forma de olhar para comportamentos aparentemente simples
na natureza, que podem ter impactos importantes na sobrevivência
das espécies. Segundo ela, nem todas as ameaças
vêm de predadores ou humanos, mas também de interações
entre animais da mesma espécie ou de espécies semelhantes.
Criado em 2015, dentro do setor
de pesquisa da Agência Ambiental Pick-upau, a Plataforma
Darwin, o Projeto Aves realiza atividades voltadas ao estudo e
conservação desses animais. Pesquisas científicas
como levantamentos quantitativos e qualitativos, pesquisas sobre
frugivoria e dispersão de sementes, polinização
de flores, são publicadas na Darwin Society Magazine; produção
e plantio de espécies vegetais, além de atividades
socioambientais com crianças, jovens e adultos, sobre a
importância em atuar na conservação das aves.
Da Redação,
com informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay
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