O
que são fontes de energia?
Entende-se por energia a capacidade
de realizar trabalho. Fontes de energia, dessa forma, são
determinados elementos que podem produzir ou multiplicar o trabalho:
os músculos, o sol, o fogo, o vento etc.
Através do uso racional do trabalho, especialmente na atividade
industrial, o homem não apenas sobrevive na superfície
terrestre – encontrando alimentos, abrigando-se das chuvas ou
do frio etc –, mas também domina e transforma a natureza:
destrói florestas, muda o curso dos rios, desenvolve novas
variedades de plantas, conquista terras ao mar, reduz distâncias
(com modernos meios de transporte e comunicação),
modifica os climas (com a poluição, as chuvas artificiais
etc), domestica certos animais e extermina outros.
As primeiras formas de energia que o homem utilizou forma o esforço
muscular (humano e de animais domesticados), a energia eólica
(do vento) e a energia hidráulica, obtida pelo aproveitamento
da correnteza dos rios. Com a Revolução Industrial,
na Segunda metade do século XVIII e no século XIX,
surgem as modernas máquinas, inicialmente movidas a vapor
e que hoje funcionam principalmente a energia elétrica.
A eletricidade pode ser obtida de várias maneiras: através
da queima do carvão e do petróleo (usinas termelétricas),
da força das águas (usinas hidrelétricas),
da fissão do átomo (usinas nucleares) e de outros
processos menos utilizados.
As chamadas modernas fontes de energia, ou seja, as mais importantes,
são: o petróleo, o carvão, a água
e o átomo. As fontes alternativas, que estão conhecendo
um grande desenvolvimento e devem tornar-se mais importantes no
futuro, são o sol (energia solar), a biomassa e os biodigestores,
o calor proveniente do centro da Terra energia geotérmica),
as marés, o xisto betuminoso e outras.
É importante ressaltar que as fontes de energia estão
ligadas ao tipo de economia: quanto mais industrializada ela for,
maior será o uso de energia. O carvão mineral foi
a grande fonte de energia da Primeira Revolução
Industrial, e o petróleo foi a principal fonte de energia
do século XX e continua a desempenhar esse papel, apesar
de um recente e progressivo declínio. Tanto o petróleo
como o carvão mineral são recursos não renováveis,
isto é, que um dia se esgotarão completamente; eles
também são muito poluidores, na medida em que seu
uso implica muita poluição do ar. Por esses dois
motivos eles estão em declínio atualmente, em especial
o petróleo, que foi básico para a era das indústrias
automobilísticas e petroquímicas. Vivemos na realidade
numa época de transição, de passagem do domínio
do petróleo para a supremacia de outras fontes de menos
poluidoras e renováveis, ou seja, que não apresentam
o problema de esgotamento. Este pensamento está pelo menos
na cabeça dos ambientalistas de todo o planeta, mas a realidade
ainda é um mundo dominado pelos combustíveis fósseis.
A série “Que energia é essa?” irá trazer
as principais fontes de energia usadas em nosso planeta; como
surgiram, onde são usadas, qual a dependência humana
dessas fontes e muito mais. Neste capítulo conheceremos
a fonte de energia chamada “Hidrelétrica”.
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Breve
introdução
Nesse tipo de usina, a máquina
responsável pela produção de energia
elétrica chama-se gerador. Trata-se de uma máquina
rotativa composta de um estator, onde estão localizadas
ao bobinas de fio e de um rotor elétrico, que vem
a ser o núcleo de ferro das experiências
que descobriram a energia elétrica. O campo magnético
é fornecido por um imã ou uma excitatriz
que polarizará o rotor. O gerador terá que
girar o suficiente para produzir uma tensão elétrica
com freqüência de 60 ciclos ou Hertz, que é
a freqüência adotada em todo sistema brasileiro.
Acoplado ao eixo do gerador está uma turbina. O
fluido que irá mover a turbina é a água
estocada no reservatório, que movimentará
as palhetas da turbina por ação de seu próprio
volume e gravidade. Então, temos a barragem, para
represar o rio, as comportas e o vertedouro, que controlam
o nível da água da represa, e a casa de
máquinas, onde estão instalados os geradores
acoplados às turbinas. Para transformar a força
das águas em energia elétrica, a água
represada possa dar dutos forçados, gira a turbina
que, por estar interligada ao eixo gerador, faz com que
este entre em movimento, gerando a eletricidade. Essa
forma de obtenção de energia provoca um
forte impacto ambiental, devido à construção
de barragens e o alongamento de áreas imensas,
destruindo assim o ecossistema local.
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Revista
Néz Adventure/Reprodução
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Usinas
Hidrelétricas
As usinas hidrelétricas suprem cerca de 10% da
energia e 20% do consumo total de eletricidade do globo. Essa
forma de energia passou a ser utilizada na Europa a partir de
1860. Mas foi após a Segunda Guerra Mundial que a energia
hidrelétrica ganhou real importância, com a construção
de um número cada vez maior de usinas que produzem eletricidade
pela utilização das águas correntes. A obtenção
de energia hidrelétrica depende da existência de
rios caudalosos e de planalto que são os que possuem maior
quantidade de queda-d’água. Por esse motivo, são
poucos os países que possuem grande potencial hidrelétrico.
Esses países, que apresentam enormes territórios
e grande quantidade de rios, são a Rússia, o Canadá,
os Estados Unidos e o Brasil.
Apesar de também ser sujeita a certos limites de produção
– existe um potencial hidráulico, que depende da quantidade
de rios e quedas-d’água, e quando esse potencial pode ser
aproveitado se esgotarão as possibilidades de construção
de novas usinas –, a energia hidrelétrica apresenta em
relação ao petróleo, ao carvão e à
energia atômica, algumas vantagens: não provoca diretamente
(pela queima ou combustão) grande poluição
e principalmente não se esgota, isto é, a usina
construída pode continuar indefinidamente a produzir eletricidade.
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As
Fontes de Energia/Reprodução

Visão panorâmica de Sete Quedas, que foi uma
das mas belas paisagens naturais do Brasil. Infelizmente,
em 1984 elas deixaram de existir, para dar lugar à
imensa usina hidrelétrica de Itaipu. O grande problema
ambiental provocado pelas hidrelétricas refere-se
à enorme área que o represamento dos rios
alaga. Esse fato causa a perda. Esse fato causa a perda
de bons solos agrícolas e até a remoção
forçada das populações que ali residem.
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Só que as
usinas hidrelétricas costumam provocar um outro tipo
de impacto ambiental: as represas artificiais formadas pelas
barragens dos rios ocasionam a expulsão de populações
ribeirinhas, a imersão de algumas cidades, povoados
e florestas, e até a perda de bons solos cultiváveis
e de material arqueológico, de riquezas pré-históricas
que podem existir no subsolo da área alagada.
No Brasil, devido à grande riqueza em rios de planalto
e à carência de petróleo e carvão,
cerca de 86% do total da energia elétrica consumida
é gerada em usinas hidrelétricas. Mas o Brasil
é um caso à parte nesse aspecto. Convém
destacar a construção da maior usina hidrelétrica
do mundo, a de Itaipu, no rio Paraná, empreendida
por Brasil e Paraguai. Sua capacidade total é de
cerca de 12000 megawatts (MW), o que equivale a 12 milhões
de quilowatts (kW)*. Mas a energia hidrelétrica não
tem um grande futuro, uma vez que necessita de rios caudalosos
e com quedas-d’água, o que poucos países têm
em boa quantidade. Ela deverá continuar a ser uma
das fontes de energia do século XXI, em especial
nesses poucos países mencionados, mas sem se comparar
com os investimentos e as prováveis evoluções
que deverão ocorrer em outras fontes mais “limpas”
(o seja, que não poluem), especialmente as biológicas.
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A energia
hidrelétrica
A produção de energia elétrica é
feita basicamente a partir de usinas hidrelétricas, termelétricas
e nucleares. As hidrelétricas produzem energia através
de geradores movidos a força hidráulica (quedas-d’água).
As termelétricas produzem energia através de geradores
acionados por aquecimento obtido a partir da utilização
de combustíveis fósseis, como o petróleo
e o carvão. E as nucleares, por sua vez, produzem energia
através de geradores movidos por aquecimento obtido a partir
de minerais atômicos, como o urânio e o tório.
Das três, a termelétrica apresenta o mais baixo custo
de implantação, embora sua manutenção
seja dispendiosa. Já a hidrelétrica apresenta maiores
problemas com relação ao porte de energia produzida,
pois nem sempre as áreas onde as usinas podem ser implantadas
estão próximas aos mercados consumidores, e a intensidade
da energia vai se dissipando à medida que aumenta a distância
das usinas geradoras.
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As
Fontes de Energia/Reprodução

As usinas hidrelétricas são as que predominam
no país, devido às possibilidades naturais
e escassez de combustíveis fósseis do Brasil.
Acima a usina de Tucuruvi, que com 8 milhões de kWh
é a segunda do Brasil e a quarta do mundo.
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Bacias
hidrográficas - Brasil |
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Bacias
autônomas |
Áreas
(km²) |
%
da área do país |
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Amazônica |
3.984.467 |
48 |
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Paraná |
891.309 |
10 |
|
Tocantins-Araguaia |
809.250 |
9 |
|
São Francisco |
631.133 |
7 |
|
Paraguai |
345.701 |
4 |
|
Uruguai |
178.255 |
2 |
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Bacias agrupadas |
Áreas
(km²) |
% da área
do país |
|
Nordeste |
884.835 |
10 |
|
Leste |
569.310 |
7 |
|
Sudeste |
222.688 |
3 |
No Brasil, apesar
do alto custo de implantação e de transporte,
as hidrelétricas são a fonte mais vantajosas
de energia elétrica, pois não utilizam combustíveis
fósseis (como as termelétricas), nem apresentam
o alto custo tecnológico e o risco de uma usina nuclear.
O Brasil possui uma ampla rede hidrográfica, em conseqüência
do predomínio no país de climas caracterizados
por elevados índices pluviométricos. Além
disso, os rios brasileiros são predominantemente
planálticos, o que implica presença de desníveis
acentuados ao longo de seus cursos. Tais desníveis
ou quedas determinam uma grande potência hidráulica,
estimada em 209 milhões de kW, sem se considerar
as pequenas quedas, com as quais a potência hidráulica
atingiria 400 milhões de kW.
Nos anos 70, o governo priorizou a expansão da produção
e do consumo da energia elétrica de origem hidráulica,
procurando substituir na indústria o petróleo
pela energia hidrelétrica. A expansão da produção
ficou sob responsabilidade da Eletrobrás, através
de suas subsidiárias: Eletronorte, Eletrosul, Furnas
e Chesf.
Para a construção das usinas, forma utilizadas
linhas de crédito internacionais que estavam abertas
a juros baixíssimos (6% ao ano). Essa grande oferta
de dinheiro decorria do fato de que os dois choques do petróleo
(1973 e 1979) canalizaram bilhões de dólares
para os países exportadores do produto que, por segurança
e rentabilidade, os depositaram em bancos europeus e norte-americanos.
Tais entidades financeiras, com folga de recursos, dispunham-se
a fazer financiamentos para áreas politicamente confiáveis,
caso do Brasil, na época sob forte regime militar.
Com base em slogans como “Ninguém segura esse país”,
projetaram-se planos de expansão, observando-se taxas
de crescimento econômico para o Brasil em torno de
10% ao ano.
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Reprodução

A Eletrobrás, empresa mista sob controle estatal,
foi criada em 1961 e atua no Brasil através de suas
subsidiárias |
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Os riscos de recessão
e declínio do preço do petróleo foram
descartados, era a euforia do milagre econômico escondendo
os questionamentos e as críticas.A Eletrobrás
optou pelo grandioso: em vez de fazer usinas ao longo de
um rio, de acordo com a necessidade e como mandava a prudência,
construía uma gigantesca, no último degrau
do rio, para aproveitar toda a sua potência. Os desastres
ecológicos foram inúmeros: alagamentos de
florestas, áreas agrícolas, cidades etc. e
imensos represamentos dificultando os processos de irrigação
e navegação em áreas próximas
às usinas.
Tal política de expansão a qualquer custo
muito caro ao país. Em 1979, percebeu-se que o crescimento
econômico projetado no início da década
foram uma utopia, pois os estragos provocados pelos choques
do petróleo acarretaram uma recessão econômica
mundial. A produção de energia tornou-se excedente
e, por isso, paralisaram-se algumas obras.
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Reprodução

As décadas de 70 e 80 foram marcadas pela construção
de grandes usinas hidrelétricas
e o grande exemplo dessa magnitude é Itaipu no rio
Paraná.
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Para estimular os
empresários a usarem energia elétrica em lugar
do petróleo, criou-se o programa EGTD (Energia Garantida
por Tempo Determinado) que estabelecia tarifas de até
70% abaixo do custo, implicando pesados ônus financeiros
para o país.
Nos anos 80, a situação se complicou ainda
mais, devido à elevação dos juros internacionais
– que chegaram a 18% ao ano – e à dificuldade de
obtenção de linhas de crédito.
A construção de usinas na escala projetada
tornou-se inviável e todo o esforço dirigiu-se,
então, para o término das obras em andamento.
Enquanto isso, o processo industrial se expandia (movido
a energia elétrica) e o preço do petróleo
começava a declinar no mercado internacional. O governo,
sem recursos, elimina o EGTD e estimula novamente o uso
de petróleo no parque industrial, agora em substituição
à energia elétrica. Tal aventura – subsídios
ao uso de energia elétrica – custou ao país
cerca de 25 bilhões de dólares (que era a
divida da Eletrobrás) e uma crise energética
fabricada aqui dentro.
A falta de energia elétrica ameaça o futuro
do parque industrial brasileiro. O racionamento é
eminente, sobretudo durante o verão (o que explica
medidas como o horário de verão), pois os
rios brasileiros apresentam predominantemente regime tropical
(cheias de verão e vazante no inverno), o que implica
redução da produção no início
do verão, quando o nível da represa está
muito baixo. |
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Reprodução
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Bacias
hidrográficas no Brasil
Sobre os aspectos
abordados, muito se tem discutido e publicado, veja a seguir
um artigo publicado pelo jornal O Estado de São
Paulo.
BACIA
DO PARANÁ...
Esta bacia apresenta cerca de 70% de toda a potência
instalada no Brasil. O grande aproveitamento hidrelétrico
da área se deve à sua potencialidade natural
e à sua localização, próxima
às principais áreas urbanas e industrias do
país.
Observa-se na área a presença de várias
hidrelétricas, destacando-se as do rio Paraná,
como por exemplo o conjunto Urubunpungá, da Companhia
Hidrelétrica de São Paulo (CESP), que engloba
duas usinas de grande porte (Ilha Solteira e Jupiá),
além de Itaipu, maior usina hidrelétrica do
mundo, cuja potência é de 12,6 milhões
de quilowatts.
USINA DE ITAIPU...
Situada a 14 km da foz do Iguaçu, no rio Paraná,
a construção da usina de Itaipu foi definida
em 1973, num tratado entre Brasil e Paraguai, o qual estabeleceu
as seguintes linhas gerais: |
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Reprodução

Pelas suas dimensões, a represa de Sobradinho é
vista pelos habitantes da área como
a realização da profecia do beato Antônio
Conselheiro: “o sertão vai virar mar”. |
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·
Formação da empresa Itaipu-Binacional para
a construção da usina, ficando a Eletrobrás
e a Administracion Nacional de Eletricidade do Paraguai
(ANDE) como membros da comissão técnica do
projeto.
· Os limites d aproveitamento dos recursos hidrelétricos
do rio Paraná, entre Salto Guaíra ou Sete
Quedas (inclusive) e Foz do Iguaçu, pertencem em
condomínio aos dois países.
· A empresa Itaipu-Binacional pagará as partes
contratantes pelo direito de utilização e
a energia não consumida por um dos sócios
será vendida ao outro.
A obra, grandiosa, utilizou concreto suficiente para a construção
de oito cidades como Campinas, no estado de São Paulo.
O lago de 1.400 km² comportaria cinco vezes a baía
de Guanabara e o vertedouro apresenta quase meio quilômetro
de comprimento. Os custos estimados da obra (1988) giravam
em torno de 18,5 bilhões de dólares (inclusos
os custos financeiros e de transmissão) e os recursos
foram fundamentalmente captados no exterior sob responsabilidade
brasileira (55% - Eletrobrás, maior credora de Itaipu).
Em 1984 começaram a funcionar duas turbinas da usina
hidrelétrica de Itaipu. Leia o trecho da reportagem
sobre a inauguração, publicada na Folha de
São Paulo, feita pelo jornalista João Vitor
Strauss. |
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Reprodução
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A
MAIOR HIDRELÉTRICA DO MUNDO JÁ PRODUZ ENERGIA...
(...) Itaipu é uma das raras obras de grande
porte dadas ao presidente Figueiredo inaugurar. Planejada
quando o regime se entretinha com seguidos acessos de grandeza,
a hidrelétrica teve melhor sorte que outras ilusões
da mesma época, como a rodovia Perimetral Norte ou
a malfadada usina nuclear de Angra I. Considerada obra prioritária
ao longo de três governo militares, Itaipu salvou-se
dos cortes de verbas que se abateram sobre outros projetos
insaciáveis, como a ferrovia do aço e o programa
nuclear teuto-brasileiro.
Os macronúmeros de Itaipu impressionaram. A começar
pelo custo previsto até o fim da obra, que Costa
Cavalcanti fixa em quinze bilhões de dólares
(algo em torno de 10% da dívida externa da época).
É o preço do gigantismo da hidrelétrica.
Quando sua dezoito turbinas estiverem girando, ela produzirá
12,6 milhões de quilowatts – três a mais do
que a Segunda usina do planeta, Grand Coulee, nos Estados
Unidos, limitada a 9,7 milhões de quilowatts.
Na construção de Itaipu forma removidos 22
milhões de metros cúbicos de rocha, o equivalente
ao Pão de Açúcar, e utilizado concreto
suficiente para construir duzentos Maracanãs. Por
cada uma das turbinas de Itaipu a vazão de água
é a mesma do rio Tietê, em São Paulo.
Aparentemente, usar água como fonte de energia é
um bom negócio. Afinal, produzir 12,6 milhões
de quilowatts através de termelétricas (usando
petróleo) implicaria um consumo diário de
aproximadamente 600 mil barris/dia de petróleo. Entretanto,
os recursos empregados na construção de Itaipu
foram captados basicamente no exterior e, sendo os juros
internacionais muito elevados, tal fato serve para aumentar
ainda mais os custos da enorme dívida externa brasileira.
Esse ônus obrigatoriamente tem de ser repassado às
tarifas, o que implica elevação dos custos
da produção industrial. |
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Conhecer
Atual/Reprodução

Para construir a hidrelétrica de Itaipu, no Paraná,
foi preciso submergir as Sete Quedas, essa é uma
das últimas fotos do local. |
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Construir uma usina do tamanho de Itaipu não gerou
somente problemas de ordem financeira, provocou também
grandes desastres ecológicos e crises de ordem geopolítica.
Do ponto de vista ecológico, destaca-se o desaparecimento,
sob um lago, de Sete Quedas ou Guaíra, submersa 18
metros.
Com relação aos problemas geopolíticos
pode-se citar o da vazão do rio Paraná, que
acaba gerando tensões nas relações
Brasil-Argentina. Represa tanta água para o funcionamento
de Itaipu, segundo a Argentina, que prejudicaria a navegação
e implantação de usinas em suas terras. A
assinatura do Acordo Tripartite (Brasil, Paraguai e Argentina)
para a compatibilização das hidrelétricas
resolveu o impasse pelo menos aparentemente, mas nada garante
que no futuro, sob outras circunstâncias, o assunto
não volte a gerar crises entre os países. |
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Conhecer
Atual/Reprodução

Usina hidrelétrica de Itaipu |
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BACIA
AMAZÔNICA...
O potencial hidráulico na Amazônia
é estimado pela Eletrobrás em 100 milhões
de quilowatts, 80% distribuídos ao longo dos rios
da bacia Amazônica e 20% n bacia do Tocantins-Araguaia.
O desenvolvimento tecnológico dos setores de transmissão
de energia tem atenuado o problema da distância das
quedas aos centros consumidores. Assim, o aproveitamento
de potencial hidráulico da Amazônia deixa de
ser sonho e passa a ser uma possibilidade concreta. Exemplo
de tal fato é a implantação no rio
Tocantins da usina hidrelétrica de Tucuruí,
segunda do Brasil em potência, a 300 km de Belém
do Pará em linha reta.
Tucuruí, parte do conjunto de obras faraônicas
projetada nos anos 70, apresenta grandiosidade e complexidade
comparável apenas a Itaipu, com um agravante: está
sendo construída na selva amazônica, sob condições
climáticas adversas e distantes dos centros fornecedores
de material e equipamentos para sua construção.
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Folha
Imagem

Reservatório da Chesf (Companhia Hidrelétrica
do São Francisco) na
barragem de Sobradinho (BA), com o nível d’água
bem abaixo do normal |
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A
grandiosidade da obra e as dificuldades locais transformaram
Tucuruí num verdadeiro desafio à engenharia
nacional. Um exemplo: o rio Tocantins, no local da usina,
chega a atingir três quilômetros de largura
e, em alguns pontos, 40 metros de profundidade. O procedimento
rotineiro de desviar o rio para a construção
da barragem,
neste caso, era praticamente
impossível. A empresa contratada pela Eletronorte
para a execução da obra lançou, então,
sobre o seu leito, uma muralha de pedra, terra e concreto
de 57 metros de altura para que fosse possível o
desenvolvimento das obras.
Desnecessário dizer que a construção
de Tucuruí custou muito dinheiro ao país e
foi alvo de muitas críticas: foram gastos 8,5 bilhões
de dólares, sendo 3,5 bilhões referentes somente
a juros do financiamento, além de a região
ter sofrido grave impacto ecológico.
A Eletronorte rebate as críticas destacando sua importância
regional, através da viabilização de
projetos como carajás e Albrás, do fornecimento
de energia para Belém e toda a região Norte
e da geração de empregos.
Leia a seguir trecho de artigo de Liana John em O Estado
de São Paulo, sobre o impacto ambiental causado pela
construção de hidrelétricas na Amazônia.
IMPACTO DE USINAS
É IMPREVISÍVEL...
A construção de 76 usinas hidrelétricas
ameaça a Amazônia. Uma prova é o que
houve em Tucuruí. |
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Conhecer
Atual/Reprodução

O relevo acidentado do Sudeste permite o represamento dos
rios para obtenção
de energia elétrica. Barragem da hidrelétrica
de Ilha Solteira, em São Paulo, na confluência
dos rios Paraná e Tietê. |
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| Setenta
e seis novas usinas hidrelétricas das Centrais Elétricas
do Norte do Brasil S.A. (Eletronorte) vão inundar
na Amazônia perto de 80 mil quilômetros quadrados
de florestas, área equivalente ao estado de Santa
Catarina. Ninguém pode saber ainda o que essa água
vai sepultar em termos de ecossistema, vegetação
ou fauna, nem o que isso vai significar para a natureza
brasileira.
A experiência de outras hidrelétricas já
construídas na região – Tucuruí e Balbina
– demonstraram a incapacidade da Eletronorte em tratar das
questões do meio ambiente. A barragem de Tucuruí
foi fechada para a formação do lago antes
da retirada de uma floresta e com isso o país perdeu
milhões de dólares em madeiras nobres além
de terem sido arrasados 6500 quilômetros quadrados
de riquezas naturais e um lago e um rio terem ficado seriamente
poluídos pela floresta apodrecida.
Desastres como esse obrigaram os bancos internacionais a
suspender os financiamentos do setor energético devido
a pressão de entidades ambientalistas mundiais. Mesmo
depois das negociações com os bancos norte-americanos
e depois do pacote ecológico do governo federal,
o setor energético continua com os empréstimos
suspensos até Segunda ordem, enquanto outros projetos
na Amazônia voltaram a ser discutidos. Sinal de que
a credibilidade do setor ainda está balada. E não
sem razão: nos planos das centrais elétricas,
o enfoque dado ao meio ambiente é basicamente o mesmo
dos últimos anos enquanto existem hidrelétricas
ainda maiores do que Tucuruí projetadas para regiões
ecologicamente mais ricas e diversificadas. Ou seja, onde
o impacto contra o meio ambiente poderá ser maior
do que o ocorrido em Tucuruí. (...) |
BACIA DO SÃO
FRANCISCO...
O rio São Francisco drena parte do Sertão nordestino,
de clima semi-árido. Trata-se do único rio perene
da região, sendo, por isso fundamental para o desenvolvimento
de importantes projetos regionais, de irrigação
e transporte.
O represamento das águas de um rio importante como o São
Francisco provoca alterações em sua vazão,
gerando, conseqüentemente, obstáculos para o seu melhor
aproveitamento. A construção da usina de Três
Marias, em Minas Gerais, é u exemplo: no período
de estiagem (inverno), retém-se tanta água na represa
para o funcionamento das turbinas geradoras, que resta pouca água
rio abaixo, dificultando seu aproveitamento tradicional para irrigação
e navegação no Sertão nordestino.
Das usinas construídas ao longo do São Francisco
– Paulo Afonso, Itaparica, Três Marias -, a de Sobradinho
é a mais importante, com 4 414 km² (350 km de comprimento
e 13 km e largura), submergiu quatro municípios (remanso,
Casa Nova, Sento Sé e Pilão Arcado), expulsando
cerca de 70 mil habitantes da área.
A usina, localizada no estado da Bahia, apresenta uma potência
instalada de 1 milhão de quilowatts e foi construída
pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF),
que empregou cerca de 9 mil homens e 800 milhões de dólares
na construção. O processo de relocamento dos moradores
das cidades inundadas custou à CHESF 15% do valor da obra,
sendo as famílias transportadas para quatro novas cidades
e cerca de 30 vilarejos. Esse procedimento, entretanto, tem acarretado
problemas, como inadaptação dessa população
aos novos locais e também às novas rotinas do rio,
agora subordinadas ao comando dos técnicos da usina. Leia
sobre o assunto no texto a seguir. (publicado no jornal O Globo)
SECA AGRAVA-SE EM SOBRADINHO
E AMEAÇA CAUSAR NOVO DRAMA SOCIAL NO NORDESTE...
Para produzir energia e alimentar a barragem de Paulo Afonso,
responsável pelo fornecimento de eletricidade a quase todo
o Nordeste, Sobradinho tem que liberar uma cota mínima
de 2 100 metros cúbicos de água por segundo. Atualmente,
devido à seca, somente 1 300 metros cúbicos estão
chegando à barragem de Sobradinho. A previsão de
chuvas no norte de Minas Gerais e para novembro e, até
lá, a CHESF – Companhia Hidrelétrica do São
Francisco – calcula que o nível do lago terá baixado
cerca de sete metros.
(...) A barragem de Sobradinho fornece para todo o estado do Maranhão,
partes do Piauí e Pará e uma pequena área
da Bahia.
Os efeitos da estiagem começaram a ser discutidos pela
CHESF, governo da Bahia e populações dos municípios
de Juazeiro, Casa Nova, Sento Sé, Remanso, Pilão
Arcadio, cujas principais atividades econômicas estão
ameaçadas. A produção agrícola de
cebola, milho, feijão, mandioca, melão e melancia
deverá se perder.
Às margens do lago de Sobradinho vivem 14 240 famílias,
das quais 11 200 possuem lavouras irrigadas. Em alguns povoados,
como Itapera, no município de Sento Sé, a água
do lago recuou 800 metros e, no período mais crítico
de estiagem, em novembro, esta marca poderá ultrapassar
um quilômetro. Estimativa da Companhia de Desenvolvimento
e Ação Regional, da Secretaria de Planejamento da
Bahia, diz que a vazante afetara’18 500 hectares de terras irrigadas,
prejudicando mais de 80% do rebanho bovino de 11 308 cabeças
e podendo dizimar todo rebanho caprino de 32.367 cabeças,
em virtude do lamaçal que se formará entre o lago
e sua margem original.
A pesca também será prejudicada, pois haverá
muito peixe para pouca água, o que causará a captura
de alevinos (filhotes) e matrizes (fêmeas). A saúde
da população correrá sérios riscos,
pois o lamaçal facilitará o surgimento de focos
de epidemias.
Dessa forma, fica claro que a construção de hidrelétricas
não é um processo tão simples como se coloca,
pois envolve desde questões econômicas até
ecológicas e sociais.
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