Panorama
 
 
 

GREENPEACE PEDE DEVOLUÇÃO
DE MOGNO ILEGAL AO BRASIL

Panorama Ambiental
Brasília (DF) – Brasil
Maio de 2003

Justiça dos EUA proibiu a entrada de mogno ilegal apreendido nos portos norte-americanos

O Greenpeace enviou carta (1) à Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, para que o governo brasileiro assegure a volta imediata das exportações de mogno ilegal, apreendidas nos portos dos Estados Unidos. O Greenpeace também pediu esclarecimentos sobre o destino de mais de 18 mil metros cúbicos de mogno exportados graças a
liminares judiciais, bem como sobre as empresas envolvidas no comércio ilegal da espécie. De acordo com a organização ambientalista, os custos pela devolução do mogno devem correr por conta das empresas exportadoras e importadoras.
No último dia 16 de abril, o juiz Thomas Penfield Jackson, da Corte do Distrito de Columbia, em Washington, deu ganho de causa ao governo americano num processo movido por sete importadores de mogno que tiveram seus carregamentos apreendidos em portos dos EUA entre fevereiro e julho do ano passado (2). O juiz proibiu a entrada da madeira ilegal nos Estados Unidos. A apreensão do mogno ocorreu como resultado de informações fornecidas às autoridades americanas pelo Greenpeace (3) de que o mogno havia sido extraído ilegalmente no Brasil.
As informações foram posteriormente confirmadas pelo Ibama.
Entre 2000 e 2002, o Greenpeace documentou grandes explorações ilegais de mogno em terras indígenas e em outras áreas não autorizadas no Pará e produziu um relatório mostrando que projetos autorizados pelo governo estavam, na verdade, gerando papéis para legalizar mogno ilegal (4). Em função das denúncias, o Ibama determinou uma investigação, suspendendo, através da Instrução Normativa 17, de outubro de 2001, as autorizações de exploração, transporte e comércio (5). Apesar disso, madeireiros conseguiram exportar 18.459 metros cúbicos de mogno serrado e laminado graças a liminares concedidas por juízes de primeira instância. Os madeireiros alegavam ter adquirido o produto antes da entrada em vigor da Instrução Normativa 17. A Cites (Convenção das Nações Unidas sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas) recomendou aos países da União Européia e aos Estados Unidos que não comprassem mogno brasileiro até o fim das investigações. Carregamentos foram apreendidos na Alemanha, Holanda, Bélgica e Estados Unidos.
Levantamento feito pelo Ibama com base em dados de autorizações de transporte e notas de exportação mostrou que apenas 7.398 metros cúbicos teriam origem de alguma forma "comprovada" - ou seja, mais de 11 mil metros cúbicos do mogno liberados pelos juízes brasileiros eram totalmente ilegais. Seis das dez empresas tinham exportado mogno em volume superior à documentação de que dispunham.
Não tendo como dizer quais dos carregamentos dessas empresas seriam "legais" e quais seriam "ilegais", o Ibama sugeriu aos Estados Unidos que liberassem o mogno por ordem de chegada. O Greenpeace considera o método adotado completamente esdrúxulo e legalmente discutível, já que o Ibama baseou-se em dados de autorizações de exploração para planos de manejo, que na maioria dos casos inflam os estoque de madeira na floresta para obter papéis para legalizar a madeira ilegal.
"Além disso, os números do Ibama são inconsistentes, como atesta o exemplo da Tapajós Timber, do Pará (6)", explica Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia do Greenpeace. "Em carta ao governo americano, datada de 22 de maio de 2002, a então direção do Ibama informou que, dos 5.898 metros cúbicos exportados pela Tapajós Timber graças a liminares judiciais, 3.726 metros cúbicos teriam `origem legal`. No entanto, em estudo produzido três meses depois, o mesmo Ibama disse que a empresa exportou 5.894 metros cúbicos e que apenas 2.556 tinham `origem comprovada`. Ou seja, 1.342 metros cúbicos, no valor de mais de US$ 1 milhão, teriam sido liberados indevidamente. O mesmo pode ter ocorrido em outros casos", diz Adário.
Até agora, o mogno estava listado no Anexo III da Cites, que demonstrou ser insuficiente para impedir que madeireiros, muitas vezes com o beneplácito de juízes locais, se aproveitassem da falta de estrutura do Ibama e do insuficiente controle nos portos brasileiros para explorar e exportar mogno de origem ilegal e predatória. Depois de forte campanha do Greenpeace, a Cites determinou, em novembro de 2002, o aumento da proteção ao mogno. A decisão da Convenção de incluir o mogno no chamado Anexo II, obrigando países exportadores e importadores a garantir que a madeira seja explorada de forma legal e não coloque em risco a sobrevivência da espécie, só entra em vigor em novembro deste ano.

Fonte: Greenpeace (www.greenpeace.org.br)
Assessoria de imprensa

 
 
 
 

 

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