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QUILOMBOLAS REIVINDICAM
UM PLANO DE
DESENVOLVIMENTO PARA AS SUAS COMUNIDADES
Panorama Ambiental
Brasília (DF) – Brasil
Julho de 2003
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Seis integrantes da Comissão
Nacional de Quilombolas, de diversas regiões do País,
estão em Brasília até amanhã (18) para
discutir um plano de desenvolvimento para as suas comunidades. Eles
estão participando de reuniões junto aos órgãos
federais que integram um grupo de trabalho criado especialmente para
esse fim. A principal reivindicação é a demarcação
dos territórios remanescentes de quilombos e a publicação
de um novo decreto que redefina as competências para a regularização
dessas áreas. O último decreto sobre o tema, publicado
em setembro de 2001, delega a competência à Fundação
Cultural Palmares e uma portaria, da mesma época, impede o
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra) de atuar nas comunidades. O grupo já discutiu o assunto
com a coordenação do Programa de Ações
Afirmativas do Ministério do Desenvolvimento Agrário
(MDA).
A titulação das terras remanescentes de quilombos significa
a verdadeira libertação da escravidão para o
paraense Silvano Silva Santos. Integrante da comunidade Oriximinã,
ele garante que essa luta não é apenas sua, mas representa
o ideário dos quilombolas brasileiros. Na sua opinião,
a Lei Áurea significou apenas um artifício para a manutenção
do regime de escravidão. "Esta é a primeira vez
na história do Brasil que temos a oportunidade de discutir
e trabalhar para a criação de um decreto de lei que
venha beneficiar as nossas comunidades", enfatizou. "Queremos
que a titulação de terras volte para a competência
do Incra."
Gonçalina Almeida que é da comunidade Mata Cavalo, de
Mato Grosso, considera subhumanas as condições de vida
em algumas comunidades quilombolas. Por isso, além da demarcação
das suas terras, também buscam o desenvolvimento de outras
políticas públicas voltadas às suas singularidades.
A capacitação de professores para atuar nas comunidades
é um dos exemplos, além de outras conquistas nas áreas
de educação, saúde e cultura. "Estamos tendo
a oportunidade de apresentar para cada ministério os pontos
que defendemos", disse Gonçalina. "Antes as decisões
vinham de cima para baixo e agora a gente, que realmente sente na
pele a discriminação, está podendo apresentar
estas políticas para a promover a igualdade social."
A inclusão de representantes dos quilombolas nos fóruns
de consulta do Plano Plurianual 2004-2007 e no Conselho Nacional de
Desenvolvimento Rural Sustentável são algumas ações
já concretizadas pelo MDA neste ano para o desenvolvimento
de políticas públicas voltadas a essas comunidades.
Segundo a assessora do Programa de Ações Afirmativas,
Renata Leite, as políticas estão voltadas para a organização
e apoio à produção, promoção do
acesso à terra e a equipamentos de infra-estrutura, fortalecimento
e ampliação da cidadania e articulação
integrada entre órgãos oficiais. Também integram
o grupo de trabalho que discute o plano de desenvolvimento para os
quilombolas os Ministérios da Educação, Saúde,
Justiça, Defesa, Assistência Social, Segurança
Alimentar e Combate à Fome, Casa Civil, a Secretaria Especial
de Promoção da Igualdade Social e a Advocacia Geral
da União.
Fonte: www.amazonia.org.br
MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário (www.mda.gov.br)
Assessoria de imprensa