30-11-2006 - São Paulo - Pela primeira vez na história
a mais alta instância jurídica americana discute
um assunto ligado a mudanças climáticas. Greenpeace
e 12 estados querem que indústria automobilística
adote medidas que reduzam emissões de CO2
Numa iniciativa histórica, a Suprema Corte dos Estados
Unidos começou a discutir na quarta-feira (29/11) os
efeitos do volume de dióxido de carbono (CO2) lançado
na atmosfera por veículos que circulam no país.
É a primeira vez que o mais importante tribunal americano
se depara com um caso relacionado às mudanças
climáticas. Os juízes da Suprema Corte podem forçar
o governo Bush a adotar medidas contra o aquecimento global,
com base numa legislação de 30 anos atrás,
a Lei do Ar Puro, aprovada em 1970 pelo então presidente
Richard Nixon.
O processo foi iniciado por 12 estados americanos e diversos
grupos ambientalistas, entre os quais o Greenpeace, que afirmam
ser o CO2 um potente poluente e um dos principais gases que
provocam o aquecimento do planeta.
A ação movida pelos governos estaduais e ONGs
quer que a Agência de Proteção Ambiental
(EPA, na sigla em inglês) regule as emissões de
gases CO2 para proteger a população americana
da exposição a poluentes do ar. O governo Bush
alega que a agência não tem autoridade para decidir
se o CO2 é ou não um poluente, nem regular suas
emissões.
Caso a decisão da Suprema Corte seja favorável
aos ambientalistas e estados americanos, os fabricantes de veículos
poderão ser forçados a tornar mais eficiente o
uso de combustível para reduzir as emissões. Além
disso, a decisão poderá provocar um efeito cascata
e gerar mudanças também nas emissões de
indústrias e termelétricas espalhadas pelos Estados
Unidos.
"O dióxido de carbono é o principal gás
responsável pelo aquecimento global, o que ameaça,
sim, a saúde e a vida de pessoas em todo o planeta",
afirmou Carlos Rittl, coordenador da Campanha de Clima do Greenpeace
no Brasil. "A regulamentação das emissões
de CO2 deverá forçar a indústria automobolística
americana a investir em combustíveis alternativos aos
fósseis e incentivar o uso de fontes de energia limpa,
o que será um importante passo para a redução
de emissões de gases de efeito estufa do maior poluidor
do planeta", acrescentou.
"No Brasil, o setor de transportes é a segundo
maior fonte de emissões de gases de efeito estufa e a
principal fonte em grandes centros urbanos, como São
Paulo. Deveríamos ter também uma regulamentação
mais rigorosa das emissões de poluentes incluindo o gás
carbônico, o que seria benéfico para a saúde
de nossa população e para o clima do planeta",
explicou Rittl.
Os Estados Unidos, que têm 5% da população
mundial, detêm 37% da frota de veículos do planeta
e são responsáveis por 25% das emissões
dos gases que intensificam o efeito estufa. Ainda assim o governo
Bush se recusa a aceitar limites para tais emissões.
O governo americano alega que esses limites prejudicariam a
economia do país, afetando empresas e cortando empregos.
Para ele, a solução está no desenvolvimento
de novas tecnologias. Apesar da resistência de Bush, algumas
iniciativas locais mostram que o assunto preocupa muito e gera
ações em busca de soluções.
Em setembro, por exemplo, o estado da Califórnia abriu
um processo judicial contra seis grandes montadoras de veículos
- Toyota, Chrysler, Ford, General Motors, Honda e Nissan - alegando
que os gases emitidos pelos carros dessas empresas causaram
bilhões de dólares em prejuízos. Foi o
primeiro processo que tentou responsabilizar as indústrias
por danos provocados pela poluição de veículos.
A Assembléia Legislativa da Califórnia aprovara,
um mês antes, uma lei exigindo redução nas
emissões de gases poluentes, tidos como responsáveis
pelo aquecimento global, em 25% até 2020 e 80% até
2050.
O processo exige indenizações pela influência
passada e futura dos carros no aquecimento global, e pede às
empresas que sejam responsabilizadas por futuros prejuízos
monetários à Califórnia. A ação
lembra que o Estado está gastando milhões de dólares
para lidar com degelos, erosão de praias, poluição
por ozônio e ameaças a peixes e outros animais.
Foto: Greenpeace