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PARA DIRETOR-EXECUTIVO DA ONU, PAÍSES DEVEM SE UNIR

Panorama Ambiental
Brasília (DF) – Brasil
Março de 2007

Em sua primeira visita ao Brasil após empossado no cargo, o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, foi o principal palestrante no painel Os desafios do desenvolvimento sustentável e as respostas do sistema multilateral ocorrido hoje pela manhã no auditório do Ibama/Sede, em Brasília. Estiveram presentes à mesa representantes dos setores governamental, legislativo, não-governamental e popular: a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o presidente do Ibama, Marcus Barros, o deputado federal Fernando Gabeira, entre outras autoridades.

Nascido no Brasil em 1961, Steiner foi chefe da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a maior organização mundial de proteção à natureza. Considerado um dos maiores pensadores de meio ambiente da atualidade, para ele, “o homem mudou a batida do coração do planeta”. “Fomos além do momento onde nossas ações têm impacto”, explica. Mesmo com 60% de todos os ecossistemas mundiais degradados ou usados de formas insustentáveis, o diretor-executivo acredita que a sociedade está diante de uma grande oportunidade de mudança positiva. “É necessário uma reforma do sistema multilateral, um novo entendimento que emerge por causa da mudança climática e da possibilidade de uma globalização inteligente”, afirma.

Por outro lado, o secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa, aponta alguns dos problemas para se combater as mudanças climáticas. Segundo ele, os países desenvolvidos, à exceção da Inglaterra e Alemanha, estão longe das metas do protocolo de Kyoto; os países em desenvolvimento seguem os padrões de consumo dos desenvolvidos; e dentro de cada país se reproduz as desigualdades entre os países, com os mais ricos sendo os mais responsáveis pelas emissões de gases prejudiciais. Mesmo assim, Pinguelli observa que o Brasil traz imensas vantagens ao utilizar em sua matriz energética energias renováveis. “O uso de carvão e óleo diesel pode ser evitado”, acredita.

Para Paulo Moutinho, representante do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o grande desafio é a operacionalização de um novo modo de consciência nas respostas multilaterais. “É necessário mudar paradigmas. Uma ação multilateral precisa de um mínimo de consenso entre países”, lembra. Essa mudança passa por uma nova forma de ver que a biodiversidade pode ser um ativo. “O governo que opta por valorizar a floresta deve ser compensado pelos serviços ambientais prestados ao planeta, pois é tão caro para o país em desenvolvimento fazer uso da sustentabilidade quanto para o já desenvolvido mudar sua matriz energética”, afirma. Opinião semelhante tem o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco. Segundo ele, não há nada que diga que o Brasil não possa receber créditos de carbono por diminuir o desmatamento, por exemplo. Além disso, para ele, o país deve aproveitar suas vantagens comparativas em biocombustíveis “viáveis e os que melhor funcionam economicamente”.

Mas o Congresso Nacional não fica de fora desse debate. Como o tema extrapola os círculos acadêmicos e científicos e se transforma em preocupação social, o deputado federal Fernando Gabeira informa que há dois projetos de lei sobre política de mudança climática em tramitação. “Além disso, cinco comissões díspares colocaram o tema aquecimento global em sua pauta”, informa. Para ele, “o álcool não pode ser apenas uma commoditie, mas devem ser levados em consideração os custos sociais e ambientais”. “O brasileiro protege o meio ambiente não apenas por uma questão de sobrevivência, mas, principalmente, porque gosta da natureza, e isso deve se expressar em nossa política”, enfoca.

Com um pouco menos de otimismo, Roberto Kishinami, consultor ambiental independente, pensa que, mesmo que sejam tomadas todas as medidas possíveis num curto espaço de tempo para se minimizar os efeitos das emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa, o melhor a fazer é nos adaptarmos às mudanças. “Isso não significa acomodação. Devemos olhar para a frente e ver nossas oportunidades”, enfatiza. Mesmo assim, Kishinami tem grande preocupação com a questão dos biocombustíveis. “Falta cuidado com as cláusulas ambientais no caso Brasil/Eua: são muito frouxas”, informa.

De acordo com o presidente o Ibama, Marcus Barros, o Brasil deve fazer uma reflexão sobre que tipo de desenvolvimento quer. “Não devemos crescer a qualquer custo”, enfatiza. Para ele, o governo brasileiro pode se posicionar por meio de um Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que leve em consideração a variável ambiental.

Para a ministra do Meio Ambiente, “estamos criando uma nova narrativa para o que fazemos”. Segundo Marina, a sociedade caminhou da posse de terras para a de dinheiro, depois para a tecnológica e, agora, apenas marcas. “Devemos produzir uma marca que respeite o sócio-ambiental e o ético, com uma narrativa baseada na realidade, não na mídia”, sugere. Para ela, a marca apenas construída no midiático não sobrevive “pois o novo olhar é de sobrevivência e vida na terra”.

Para finalizar, Steiner afirma que, por causa das mudanças climáticas, todos sofreremos as conseqüências, sem vencedores. Segundo ele, a natureza não é apenas uma externalidade, mas uma variável fundamental no desenvolvimento econômico. “Este painel mostra que o futuro deve ser desenvolvido com os países vivendo em comunidade”, sonha. “Foi bom ver como o Brasil está agindo, pois é um dos países que pode mudar a inflexibilidade mundial”, observa.
Luis Lopes

 
 

Fonte: Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (www.ibama.gov.br)
Ascom

 
 
 
 

 

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