Panorama
 
 
 

VALE PROMETE RECORRER DE DETERMINAÇÃO DE
PAGAMENTO DE R$ 1,3 MILHÃO A ÍNDIOS XIKRIN

Panorama Ambiental
Brasília (DF) – Brasil
Outubro de 2007

1 de Outubro de 2007 - Luana Lourenço e Roberta Lopes - Repórteres da Agência Brasil - Brasília - Uma decisão da Justiça Federal em Marabá (PA) determinou que a Companhia Vale do Rio Doce (CRVD) pague R$ 1,3 milhão, dentro de dez dias – contados a partir da última quinta-feira (27) –, pelas compensações à população indígena xikrin pelos impactos do Programa Grande Carajás, em Parauapebas, no sul do Pará.

A Vale informou, por meio de nota, “que vem cumprindo regularmente as decisões judiciais”, e que pretende entrar com recurso para questionar a decisão.

O gerente da Associação Bep-Nói de Defesa dos Xikrin, Salomão Santos, disse, em entrevista à Agência Brasil, que o dinheiro será utilizado na recuperação de uma estrada que corta a terra indígena e na construção de casas e benfeitorias em uma das aldeias da comunidade, que abriga cerca de mil índios.

“É uma estrada que corta a reserva ao meio, é utilizada para chegar a Marabá e a outros municípios. Vai começar o período da chuva na região e, se esse recurso não for liberado com urgência, os índios vão ficar praticamente ilhados. O acesso vai ficar difícil e o prejuízo será muito grande”, avaliou.

Após a ocupação indígena das instalações da Vale em Carajás, em outubro de 2006, a empresa suspendeu o repasse feitos aos Xikrin, regulamentados por um convênio. Uma liminar da Justiça determinou a retomada do pagamento em dezembro. O processo foi suspenso em abril de 2007 para uma tentativa de acordo. Durante o período de suspensão, o valor repassado pela Vale aos índios foi reduzido de R$ 596.915,89 para R$ 243.578,29, por decisão judicial. Como as partes não chegaram a um acordo, o processo foi reaberto e os R$ 1,3 milhão cobrados agora referem-se a essa diferença no valor dos repasses.

Na nota, a Vale afirma que o valor da dívida, na verdade, é R$ 1.060.012,80. Além de contestar o valor, a empresa argumenta que o convênio firmado com os índios foi cancelado após a invasão das instalações da companhia, “não podendo a empresa ser obrigada a assumir responsabilidades primárias do Poder Público”, segundo a nota.

De acordo com o representante dos índios, não houve cancelamento formal do convênio. “A Vale aproveitou o incidente para tomar essa atitude, essa rescisão unilateral. A empresa está querendo fugir do compromisso assumido com a Funai e com os Xikrin”, afirmou Santos.

Na avaliação do procurador da República em Marabá, Marcelo Ferreira, o possível cancelamento do convênio não isenta a Vale do Rio Doce da responsabilidade de compensar os indígenas. “Eles tratam como se fosse uma boa ação, um projeto social da empresa. Não é. A Vale tem que compensar os indígenas pelas interferências causadas pelos empreendimentos mineradores na região, independentemente da existência de convênio ou termos de compromisso”.

De acordo com o Ministério Público Federal, o decreto presidencial que liberou a exploração dos recursos minerais na região obriga a Vale a “amparar as populações indígenas existentes nas proximidades da área concedida”.

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Conanda discute violação dos direitos de crianças indígenas em Mato Grosso do Sul

4 de Outubro de 2007 - Grazielle Machado - Da Agência Brasil - Brasília - A falta de terras demarcadas e a proximidade com o homem branco têm levado os índios Kaiowa Guarani, do Mato Grosso do Sul (MS), a enfrentar problemas ligados à violação dos direitos de crianças indígenas. Para discutir essa questão o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), órgão ligado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência República (SEDH), está realizando nesta semana uma série de discussões no estado. O evento termina hoje (4).

“Essa comunidade vive numa área de 3 mil hectares para 14 mil índios. Hoje um pecuarista do estado trabalha com uma proporção de um hectare por boi. Ou seja, nós estamos destinando uma área cinco vezes menor para as pessoas, isso é inadmissível. Essa é a principal violência, todas as outras são decorrência de não se garantir o direito à terra”, afirmou, a presidente do Conanda e subsecretária dos Direitos da Criança e do Adolescente da SEDH, Carmen Oliveira.

A presidente citou que os principais tipos de violência são: a desnutrição infantil, causada pela falta de condições desses indígenas; o trabalho infantil nas plantações de cana de açúcar e até a exploração sexual.

Para Carmem além da questão das terras ainda existe um fator social. Ela explica que, por causa da proximidade das tribos com a cidade, muitos jovens indígenas estão se envolvendo com o crime. “É quase uma aldeia urbana o que existe aqui. Esse convívio com a sociedade branca, que é uma sociedade de consumo, faz com que o adolescente indígena tenha vontade de ter bens e isso está gerando a violência”, afirmou.

O coordenador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) do MS, Hegon Heck, que também participa das discussões, afirma que sem resolver a questão da distribuição de terras não tem como resolver os problemas do povo Kaiowa Guarani no estado.

“É preciso identificar, demarcar e garantir o território desses indígenas. Para que dessa forma as famílias possam se reorganizar e dar uma qualidade vida a esses jovens”, disse em entrevista à Agência Brasil.

Heck lembra ainda que muitos jovens indígenas da região estão envolvidos com drogas e álcool e que por causa da falta de qualidade de vida muitas famílias indígenas estão desorganizadas e desestruturadas.

Também participam das palestras e debates: representantes da Unicef, da Funai, do Ministério da Educação, da Saúde, representantes do governo municipal e estadual, de Conselhos Tutelares, do Conselho Indígena, da Associação Brasileira de Magistrado e Promotores de Justiça e da Juventude e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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Ministro defende discussão sobre fiscalização de fronteira em áreas indígenas e ambientais

Kelly Oliveira - Repórter da Agência Brasil - Brasília - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, dá entrevista a emissoras parceiras da Radiobrás, no estúdio da Rádio Nacional de Brasília
Brasília - As regiões de fronteira da Amazônia serão vistoriadas na próxima semana pelos ministros da Defesa, Nelson Jobim, e da Casa Civil, Dilma Rousseff. Jobim deu esta informação durante entrevista coletiva a emissoras de rádio parceiras da Radiobrás, hoje (4), em que defendeu uma discussão sobre regras de fiscalização em reservas ambientais e indígenas.

No último dia 25, o diretor do Departamento de Política e Estratégia do Ministério da Defesa, Arnon Lima Barbosa, disse que as áreas protegidas na fronteira brasileira na Amazônia dificultam a presença das Forças Armadas e da Polícia Federal.

Hoje, Jobim voltou ao tema. "Temos que propor uma discussão sobre a possibilidade de que as áreas indígenas e ambientais situadas em zonas de fronteira se submetam às regras de fiscalização de fronteira”.

O Artigo 91 da Constituição afirma que "é competência do Conselho de Defesa Nacional, órgão consultivo do presidente da República e formado inclusive pelos comandantes militares, propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas relacionadas com a preservação e a exploração dos recursos naturais de qualquer tipo".

A fiscalização de regiões de fronteira é uma das atividades do grupo de trabalho criado em setembro deste ano para elaborar o Plano Estratégico de Defesa Nacional. O ministro afirmou que o planejamento estará pronto no próximo ano, mas até lá serão feitos investimentos voltados para a “autonomia tecnológica do país”. “Deveremos estimular sempre a nacionalização de uma indústria de defesa”, disse.

Também foram convidados para a vistoria da próxima semana comandantes das Forças Armadas e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), instâncias que tomarão eventuais decisões referentes às fronteiras, segundo Jobim.

O ministro explicou que o objetivo é fazer um monitoramento do espaço aéreo da Amazônia, aumentando a disponibilidade de aeronaves "com pontos de deslocamento rápido”.

Jobim também defendeu aumento do número de jovens no serviço militar e recomposição da diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

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Exército pode participar de retirada de arrozeiros da Terra Indígena Raposa Serra do Sol

2 de Outubro de 2007 - Amanda Mota - Repórter da Agência Brasil - Brasília - O Exército brasileiro poderá participar da retirada dos arrozeiros que ainda permanecem na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. A avaliação é do general Augusto Heleno Pereira, responsável pelo Comando Militar da Amazônia (CMA).

Em entrevista à Agência Brasil, ele disse que o Exército poderá entrar em ação se for acionado pelo governo federal. Isso porque, segundo o general, o caso representa uma operação de segurança pública.

"A questão da retirada dos arrozeiros da reserva já está em nível de governo federal e, como tal, não temos mais o que discutir sobre a decisão”, avaliou o general. “O que nos compete, do ponto de vista legal, é proporcionar apoio logístico para a operação, que ainda não teve data nem definição quanto ao que vai precisar do CMA. É uma operação de segurança pública e, portanto, afeta aos órgãos responsáveis pela segurança pública, e, dependendo dos meios que nos forem solicitados, teremos condições ou não de apoiar.”

Apesar da declaração de que não há mais prazo para permanência dos arrozeiros na área em Roraima, feita pelo comitê gestor responsável pela desocupação, a Polícia Federal (PF) no estado afirma que ainda não recebeu nenhuma ordem para retirada dos não-índios do local.

De acordo com a assessoria de comunicação da PF no estado, não está programada nenhuma ação específica dos policiais no momento. Segundo a assessoria, para uma ação mais rígida para retirada dos não-índios do local precisaria existir uma ordem do Ministério da Justiça, ao qual o órgão federal em Roraima está subordinado.

A briga entre arrozeiros e indígenas pela posse de terras no norte de Roraima, onde foi homologada a reserva, já dura mais de dois anos. Teve início quando a demarcação foi oficializada pelo decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio de 2005. A lei determina que a posse dos quase 2 milhões de hectares da reserva seja dos 18 mil indígenas que vivem na região.

De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o processo de reassentamento dos não-índios da reserva vem sendo realizado desde o ano passado e, para permitir a continuidade dos trabalhos dos rizicultores em outras terras, uma área de 24 mil hectares estará à disposição desses produtores.

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Governo decide retirar últimos arrozeiros da Raposa Serra do Sol

2 de Outubro de 2007 - Leandro Martins - Da Rádio Nacional da Amazônia - Brasília - Os sete arrozeiros que ainda estão na terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, terão de deixar a área. O assessor da Casa Civil José Nagib, que chefia o Comitê Gestor para Desocupação da Terra Indígena, criado pelo Governo Federal, afirma que o prazo dado aos produtores esgotou. "Não tem mais prazo. A Funai e o Ibama já estão no Estado. Nós só estamos aguardando a chegada da Polícia Federal para iniciar as operações. Não tem como esperar mais", alerta.

Em troca, o governo federal oferece uma área no município de Caracaraí, a 150 quilômetros de Boa Vista, para a transferência dos produtores. Nessa área, de 24 mil hectares, cada arrozeiro vai poder escolher 1.500 hectares. A região tem energia elétrica, fica próxima a um porto, um aeroporto e uma estrada, para facilitar o escoamento da produção.

Nagib explica que não existe nenhum entrave jurídico que impeça a operação de retirada. Ele lembra que a terra é considerada indígena há 33 anos. "O governo homologou em abril de 2005 e deu um ano para retirarmos todos os não-índios dali. Já saíram 108 pecuaristas dali, com grandes criações, que estão sendo reassentadas pelo Incra", reforça.

Mas o presidente da Associação dos Arrozeiros de Roraima, Paulo César Quartiero, reclama que a área onde plantam foi engolida por demarcações de territórios indígenas. Quartiero lembra que estava entre os produtores que chegaram na região há 30 anos, quando as condições de vida no local eram difíceis. E garante que não está em terra indígena.

"Eu cheguei há 31 anos, quando havia 40 mil pessoas, não tinha ônibus nem estrada, tinha malária, agora vêm pessoas não sei de onde e dizem que somos invasores. Não podemos sair de nossas terras, porque nós nunca estivemos na Terra Raposa Serra do Sol. Ela começou pequena, e foi crescendo até nos atingir. Ali nunca foi área indígena, nunca", protesta.

Segundo a Funai, já foram feitos a avaliação das lavouras de arroz e o pagamento de indenizações. Mas alguns produtores não aceitaram o valor das indenizações, e o dinheiro foi depositado em juízo. O representante do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Hudson Macuxi, diz que as 194 comunidades indígenas do local habitam hoje quatro regiões: a Serra, o Surumú, o Baixo-Cotingo e Raposa. Macuxi diz que as lideranças indígenas das comunidades decidirão o que produzir na área após a desapropriação.

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Comissão discute política e novo estatuto dos povos indígenas

11 de Outubro de 2007 - Gilberto Costa - Da Rádio Nacional da Amazônia - Brasília - A Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) encerra hoje (11) sua terceira reunião ordinária, iniciada ontem para discutir o anteprojeto de lei para a criação do Conselho Nacional de Política Indigenista.

De acordo com Pierlângela Nascimento Cunha, representante wapichana (RR) na comissão, o Conselho de Política Indigenista estabelecerá normas e regras para serem cumpridas pelo poder público. Sua prioridade será aprovar o Estatuto dos Povos Indígenas em substituição ao Estatuto do Índio (1973).

"O objetivo de formular um novo estatuto é buscar a autonomia dos povos indígenas no sentido que sejam protagonistas das suas políticas públicas, daquilo que eles querem, respeitando-se a diversidade de cada povo", acredita Cunha. Proposta de novo estatuto tramita no Congresso Nacional há mais de 15 anos.

Marcos Luidson de Araújo, da etnia Xucuru (PE) e membro da subcomissão que redigiu a primeira versão do anteprojeto em discussão na CNPI, considera inovadora a elaboração da proposta. "Não só o governo está formulando a política indigenista, nós seremos ouvidos e construiremos conjuntamente, deliberando sobre ela", pondera.

O anteprojeto deverá ser concluído até abril do próximo ano. A idéia é que a comissão promova oficinas regionais para discussão direta da proposta com os indígenas de todo o país.

Além do anteprojeto, a comissão discute a indicação de um nome do Brasil para o cargo de relator dos povos indígenas na Organização das Nações Unidas (ONU) e a realização de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que afetam as comunidades indígenas. Outra discussão é a "agenda social" dos povos indígenas, lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Amazonas, que prevê investimentos de R$ 305,7 milhões no período 2008-2010.

A Comissão Nacional de Política Indigenista reúne-se a cada dois meses. Foi criada em 22 março de 2006 por meio de decreto presidencial e efetivada em 19 de abril deste ano. A comissão é presidida por Márcio Meira, presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai). Além de 12 representantes do governo, têm direito a voto na comissão dez lideranças indígenas de todas as regiões do país e dois representantes de organizações indigenistas.

 
 

Fonte: Agência Brasil - Radiobras (www.radiobras.gov.br)

 
 
 
 

 

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