Panorama
 
 
 

MINISTRO DESCARTA VANTAGEM NA NEGOCIAÇÃO COM PRODUTOR QUE ADOTAR PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS

Panorama Ambiental
Brasília (DF) – Brasil
Abril de 2008

9 de Abril de 2008 - Luana Lourenço - Repórter da Agência Brasil - José Cruz/Abr - Brasília - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o deputado André de Paula (DEM-PE) e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, participam da audiência pública que discute o desmatamento na Amazônia
Brasília - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, descartou hoje (9) a possibilidade de conceder vantagens na renegociação da dívida de produtores que se comprometerem a aplicar práticas sustentáveis.

A sugestão foi feita pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante audiência pública na Câmara dos Deputados: “Por que não pensar em algo para aqueles que fizerem recuperação de reserva legal, recuperação das áreas de preservação permanente, os que querem fazer manejo de pastagens ou recuperação com espécies nativas?”

Na avaliação da ministra, essas medidas permitiriam um processo “ganha-ganha”, com benefícios para os produtores e para a preservação das florestas. “É uma idéia a ser discutida e debatida para que essa agenda seja positiva, no lugar de ficarmos discutindo como se houvesse um grupo a favor de destruir a Amazônia e outro contra o desenvolvimento da Amazônia”, apontou.

No entanto, de acordo com Stephanes a compensação da dívida e o estímulo a práticas agrícolas sustentáveis na Amazônia são “programas” diferentes. “Até porque o endividamento está no Centro-Sul, de Mato Grosso para baixo, incluindo o estado, mas temos que considerar que grande parte do estado é cerrado, não estamos falando do bioma Amazônia – terão que ser programas separados”, avaliou.

O ministrou afirmou durante a audiência pública que o aumento da produtividade da agricultura, principalmente de grãos, não depende mais do avanço sobre a floresta: “Podemos aumentar nossa produção sem derrubar nenhuma árvore”. E anunciou que investimentos em pesquisas para aumentar a produção sem abrir novas áreas vão fazer parte do chamado PAC da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], que segundo ele será anunciado em breve.

Apesar da divergência sobre a inclusão do viés ambiental na renegociação da dívida agrícola, a ministra Marina Silva reiterou que o governo está comprometido em frear a devastação das florestas e disse que ela e o ministro Stephanes pertencem a um “mesmo grupo”, a favor do desenvolvimento sustentável aliado à preservação da Amazônia.

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Ministro da Agricultura afirma que falta clareza sobre definição de Amazônia Legal

9 de Abril de 2008 - Luana Lourenço - Repórter da Agência Brasil - Brasília - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou hoje (9) que a falta de clareza sobre os conceitos de bioma amazônico e de Amazônia Legal na aplicação de políticas públicas e medidas regulatórias para a região prejudica o setor agropecuário.

Segundo Stephanes, a aplicação de medidas restritivas a produtores da Amazônia Legal também atinge propriedades localizadas no cerrado, fora das áreas de cobertura florestal amazônica. A indefinição, de acordo com o ministro, também gera distorções estatísticas para o setor.

“Às vezes consideram o boi do cerrado como se estivesse na floresta”, disse. “O que definiu a Amazônia Legal? Não existe conceito”, completou, ao lembrar que a definição usada até hoje foi estabelecida pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) “apenas para efeitos de planejamento”.

A Amazônia Legal é formada por nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão.

Apesar de reconhecer distorções na definição de Amazônia Legal, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que se o parâmetro serviu para facilitar incentivos fiscais para a região, também deve ser utilizado para fiscalizar e aplicar medidas regulatórias. “Me perdoem pela metáfora, mas é como dizia minha avó, quem leva o cachorro também corre o risco de levar a pulga.”

Os ministros participam de audiência pública na Câmara dos Deputados, promovida pelas Comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional.

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Ambientalistas criticam conceito de desenvolvimento sustentado

5 de Abril de 2008 - Stênio Ribeiro - Repórter da Agência Brasil - Brasília - A professora de sociologia e antropologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Andréa Zhouri, disse hoje (5) que "não se pode falar em desenvolvimento sustentado apenas do ponto de vista do crescimento econômico, sem a respectiva preocupação com a proteção ambiental e com a igualdade social". Segundo ela, o que se pratica hoje é o conceito de "desenvolvimento a qualquer custo", por imposição da força econômica.

Andréa Zhouri coordenou nesta semana, em Belo Horizonte, o 1º Seminário Nacional sobre Desenvolvimento e Conflitos Ambientais. Segundo ela, durante o encontro, pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento humano debateram, "de forma crítica e inovadora", o conceito de desenvolvimento sustentável.

Em entrevista à Agência Brasil, ela afirmou que a exploração econômica, como se dá atualmente, "não tem favorecido as populações mais fragilizadas, que não têm sequer o direito de decidir seus próprios destinos". Citou, principalmente, as comunidades rurais, indígenas, ribeirinhas e quilombolas, que são as mais afetadas nos conflitos ambientais e "pagam custo social muito alto".

Como exemplos de desrespeito ao meio ambiente, a professora enumerou a criação de camarão em cativeiro (carcinocultura), que prejudica seriamente os manguezais do Nordeste e tira o sustento das comunidades que vivem da pesca de caranguejo; a política agroenergética do governo, que estimula monoculturas de cana-de-açúcar e eucalipto; bem como a construção de grandes represas para produção de energia elétrica, que obriga o deslocamento de comunidades inteiras do seu habitat natural.

Andréa Zhouri lembrou, entre os debates feitos atualmente nesse sentido, a transposição das águas do Rio São Francisco para perenizar rios do Nordeste. Para ela, a transposição vai atender projetos do agronegócio, e "as populações mais pobres não serão beneficiadas".

Durante o seminário na capital mineira, foram discutidas ainda questões como poluição industrial e uso de agrotóxicos que, na opinião da professora, têm se constituído em graves problemas de saúde para as populações. Outro tema foi o das usinas de produção de álcool no interior de São Paulo, que provocam nuvens de fuligem, decorrentes da queima de cana-de-açúcar, e dão exemplo de desenvolvimento econômico predatório.

Andréa Zhouri disse que o próximo seminário nacional para dar sequência a essas discussões será realizado em Fortaleza, em 2010.

 
 

Fonte: Agência Brasil - Radiobras

 
 
 
 

 

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