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ÁREAS INDÍGENAS CONCENTRAM GRANDE PARTE DE FLORESTAS COM ARAUCÁRIAS

Panorama Ambiental
Curitiba (PR) – Brasil
Abril de 2010

Na data em que comemora-se o Dia do Índio – 19 de abril - o Governo do Estado revela que as áreas indígenas concentram grande parte das florestas com araucária protegidas no Paraná. Dos 11% de remanescentes de Floresta com araucária que ainda restam no Paraná, 4,2 % estão localizadas em terras indígenas.

Para que se tenha uma ideia, a área indígena de Mangueirinha – localizada na região sudoeste do Paraná – abriga os mais antigos exemplares de pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia) do mundo. Calcula-se que dos 17 mil hectares que integram a área, nove mil hectares são formados por floresta com araucárias nativas, ou seja, em estágio original.

“Trata-se de uma das áreas mais importantes para a biodiversidade do Estado e que abriga um remanescente da árvore símbolo do Paraná, a araucária”, declara o secretário do Meio Ambiente, Jorge Augusto Callado Afonso.

Para ele, os indígenas são os grandes aliados que o Paraná possui para conservação do patrimônio ambiental. “Os índios tem muito a nos ensinar no que tange ao relacionamento do homem com a natureza”, completa o secretário. Como exemplo, ele cita a forma de cultivo agrícola utilizada tradicionalmente pelos índios, em sua maioria sem impacto ao meio ambiente.

O secretário destaca ainda a importância da relação das comunidades indígenas com a preservação dos rios e nascentes. “Eles possuem a mata ciliar conservada e preocupam-se com a qualidade das suas águas”, ressalta Callado. Os rios de maior influência para as comunidades indígenas, pelo fato de terem vivido às suas margens, são o rio Iguaçu, rio Tibagi, rio Paraná e rio Ivaí.

Outro dado importante e que mostra a consciência ambiental dos povos indígenas é o tamanho da cobertura florestal mantida em suas áreas. De acordo com a Funai, o Paraná possui 22 áreas indígenas oficialmente demarcadas em seu território, totalizando 90 mil hectares. Destes, 56 mil hectares são de florestas e áreas de reflorestamento de espécies nativas.

Para Ivan Bribis Rodrigues, indígena e representante do Conselho Nacional de Política Indígena (CNPI), a preservação das florestas tem um significado muito importante. “Na nossa cultura o homem faz parte da natureza e uma coisa não pode ser separada da outra. E ao agirmos diferente estamos colocando em risco esta relação. Isso é o que estamos vendo acontecer em muitos países do mundo”, enfatiza Ivan.

Segundo ele, no momento, os índios pensam apenas no futuro de seus filhos e na qualidade da terra que eles herdaram. “Estamos trabalhando para cuidar do que temos e, em outros lugares, resgatar o que foi perdido”, finaliza Rodrigues.

O Paraná conta hoje com uma população de 14 mil índios das etnias Caigangue, Guarani e Xetá, que vivem em 32 locais diferentes do Estado. Somam, aproximadamente, 4 mil índios Guarani e 9,5 mil Caigangues. Da etnia Xetá restam apenas seis índios de contato primitivo e 90 descendentes.

INCENTIVO – Além dos benefícios que os indígenas têm assegurado para o patrimônio ambiental do Estado, eles também contribuem com a economia dos municípios. A Lei do ICMS Ecológica, criada em 11000, prevê que 5% do ICMS arrecadado pelo Estado deve ser dividido entre os municípios que possuem terras indígenas, áreas de florestas ou mananciais de abastecimento público.

Segundo dados do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o Governo do repassou, apenas no mês de março deste ano, mais de R$ 1,3 milhão em recursos para 133 municípios inclusos na Lei do ICMS Ecológico.

FORMAÇÃO - Desde o início de 2010 uma turma com 40 alunos indígenas foi criada no Colégio Estadual de Educação Profissional Newton Freire Maia, em Curitiba, no curso de Agropecuária com ênfase em agroecologia. O curso pretende formar até o final de 2012 os índios (Guaranis e Caingangues) que aplicarão todos os conhecimentos do modelo agroecológico (agricultura sustentável) em suas comunidades de origem.

Durante os três anos do curso os alunos cumprirão um regime de alternância, com um mês de aulas presenciais no colégio e dois meses em suas próprias aldeias, que tem o custo do transporte bancado pela Secretaria Estadual da Educação. “A intenção é capacitar essa turma e outras que virão, mostrando que eles podem produzir de forma sustentável e gerando renda, afinal de contas hoje essa é uma necessidade das comunidades indígenas também”, explica Eduardo Kardush, diretor-geral do colégio.

O currículo do curso é composto por disciplinas com foco em agroecologia e os alunos têm acesso a toda estrutura do colégio como quatro laboratórios de análises químicas, físicas e biológicas, três laboratórios de informática, dois auditórios, duas cozinhas e dois refeitórios. “Na turma indígena também incluímos curso das línguas indígenas das etnias”, lembra Kardush.

Para o coordenador do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA), Júlio Veiga, a formação agroecológica entre os indígenas pode aproximar o modo de produção indígena com a agricultura sustentável. “Temos que buscar caminhos e evitar que os índios busquem outro via, como a agricultura convencional. A agroecologia pode ser este caminho para eles”, enfatizou.

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Sistema adotado pelo IAP torna mais rápida a conclusão de processos por crime ambiental

O novo sistema de julgamento dos processos de multa por crime ambiental - implantado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em julho do ano passado – está tornando mais ágil a tramitação dos processos. Entre novembro e março deste ano, o IAP julgou mais de 350 processos, dos 55 mil que estavam acumulados e sem previsão para finalização, tendo em vista que o órgão não possuía capacidade operacional de concluí-los.

Além da agilidade, o chamado Colegiado de Julgamento de Multas ambientais está trazendo resultados rápidos na recuperação do dano e na execução de projetos ambientais nos municípios onde os crimes ambientais são cometidos. “Conseguimos julgar processos que muitas vezes demoravam, em média, cinco anos para serem concluídos e prescreviam devido à falta de recursos humanos e demora na tramitação. Não havia pena para o infrator e o dano ambiental não era recuperado”, explica o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Jorge Augusto Callado Afonso.

FUNCIONAMENTO – O fiscal não define mais o valor da multa em campo. Ele faz apenas a descrição detalhada do que possa caracterizar potencial ou efetivo dano ambiental. Depois, o dano será avaliado e o valor do auto de infração definido por um colegiado.

O colegiado é formado por, no mínimo três pessoas, o chefe regional e um técnico do IAP e um oficial da Polícia Ambiental/Força Verde. Ele apura as infrações ambientais e julga os pedidos de conversão de multas administrativas. Atualmente, todos os 20 escritórios regionais do IAP possuem colegiados e são responsáveis por julgar multas de até R$ 20 mil e aquelas lavradas pelo escritório antes da implantação do novo sistema.

O diretor de Controle de Recursos Ambientais do IAP, Harry Telles, explica que o infrator recebe ofício do IAP e é chamado para fazer a sua defesa. Com base nestas informações, o colegiado define o valor da multa e estabelece a obrigação de recuperação do dano, e se for o caso, aplica multa administrativa. A cobrança da multa é efetivada através do recolhimento do valor atribuído pelo colegiado – destinado ao Fundo Estadual de Meio Ambiente. “Em alguns casos o valor pode ser convertido em projetos de recuperação ambiental. Priorizamos sempre a solução conciliatória”, destaca Harry.

MODELO – O novo procedimento de julgamento de multas ambientais do IAP já é referência para outros estados. Em 2009, foi adotado por Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. E em março deste ano, técnicos do IAP estiveram em São Paulo capacitando equipes da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A partir de maio, São Paulo já usará o sistema de julgamento de multas paranaense.

Desabamentos retratam a importância das mudanças climáticas, afirma especialista

Durante a aula inaugural do Curso de Capacitação em Mudanças Climáticas, organizado em parceria pelos fóruns brasileiro e paranaense de mudanças do clima, que começou quarta-feira (28) e vai até esta sexta-feira (30), em Curitiba, o professor Marcos Freitas, do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais da UFRJ afirmou que o debate sobre o tema pode solucionar problemas ambientais que fazem parte do cotidiano como moradias em áreas de risco e poluição de rios.

“O fato de promovermos o debate sobre as mudanças do clima vai além do aquecimento global. O tema é uma bela oportunidade para conhecermos e resolvermos problemas menores e que estão interligados como as moradias em áreas de risco e os desabamentos que estamos vendo em todo o país”, comentou citando os casos recorrentes de desabamentos no país.

Segundo Freitas, existe no Brasil uma ideia falsa de que o país não possui problemas climáticos ou fenômenos naturais. “A gente tem aquela imagem de um país abençoado e que é diferente do resto do mundo, mas se pararmos para pensar as chuvas no Brasil matam mais que qualquer outro evento extremo: inundações, deslizamentos, avalanches e epidemias”, exemplificou.

Em relação ao Paraná, Freitas mencionou o aumento considerável de chuva em todo o Estado e suas consequências para as mudanças climáticas. “No Paraná, assim como em todo sul do país, as chuvas atingiram níveis elevadíssimos. A bacia do Rio Paraná teve aumento de 2,50 milímetros a mais do que a normalidade. Isso é positivo por um lado, pois aumenta também o potencial hidrelétrico e as produções agrícolas que dependem das chuvas, mas, por outro lado, é negativo pelos eventos que levam até a morte de seres humanos”, alertou.

Participam da capacitação técnicos de órgãos públicos, prefeituras, empresas públicas e privadas e organizações não-governamentais. Além dos fóruns o curso de apoio da Petrobras.

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Escritório do IAP em Toledo é recordista no julgamento de multas ambientais

Somente na região de Toledo, entre novembro a março deste ano, 23 processos do Instituto Ambiental do Paraná foram solucionados de forma conciliatória. “Com isso garantimos a conversão imediata do valor da multa em projetos ambientais, nos municípios afetados por degradação ou poluição”, conta o chefe do escritório regional do IAP em Toledo, José Volnei Bisognin.

Segundo ele, durante a primeira sessão de julgamento com as novas regras já foi possível solucionar o processo que, desde 2004 estava parado. Um frigorífico havia sido multado em R$ 400 mil, devido à emissão de efluentes químicos de forma irregular e por poluição atmosférica. “Reduzimos a multa em 30% com a recuperação da área degradada e revertemos R$ 280 mil em bens e serviços para melhoria da qualidade ambiental na região”, conta Volnei. Além disso, a empresa adquiriu oito veículos para o escritório regional do IAP em Toledo, que possuía uma frota com mais de dez anos de uso.

Outro caso solucionado pelo regional de Toledo foi o acidente de combustível ocorrido em Marechal Cândido Rondon. A transportadora foi multada em R$ 100 mil por contaminação de combustível em área de captação. A empresa responsável foi autuada e teve a multa integralmente revertida para um projeto ambiental de reestruturação do aterro sanitário municipal e que também irá incluir a Associação de Catadores Municipais, por meio do projeto Ehco Lixo Útil do IAP.

Todos os municípios e empresas públicas podem elaborar projetos. Nesta sexta-feira (23), técnicos do IAP de Toledo irão capacitar técnicos da prefeitura de Icaraíma para a elaboração de projetos para conversão de multas ambientais. Todos os projetos devem relacionar os bens solicitados ao cumprimento de metas ambientais e passam por uma câmara técnica do IAP em Curitiba, podendo ser aprovados ou não.

O regional do IAP de Toledo já possui um banco de projetos aprovados, em diversos municípios, para que possam ser apresentados em caso de multa. Um deles foi elaborado pela Escola Municipal Antônio Scain de Toledo e prevê uma Sala de Educação Ambiental, totalmente equipada a um custo de R$ 27 mil. “Estamos trabalhando para que as multas sejam revertidas para os municípios. Isso é muito importante”, explica Volnei Bisognin.

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Secretaria do Meio Ambiente debate mudança climática

A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, por meio do Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas Globais, promoveu entre os dias 28 e 30 de abril, em Curitiba, o Curso de Capacitação em Mudanças Climáticas destinado para técnicos de órgãos públicos, prefeituras, empresas privadas e organizações não governamentais. O curso reuniu mais de 80 participantes e foi realizado em parceria com o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e apoio da Petrobras.

Para o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Jorge Augusto Callado Afonso, a iniciativa do encontro é muito importante para integrar resultados técnicos e científicos sobre o tema. “O curso proporciona a troca de experiências e também mostra panorama dos impactos e as alternativas de enfrentamento”, destaca o secretário.

Durante os três dias de encontro os participantes receberam informações de especialistas e profissionais sobre as ações que vem sendo feitas a nível nacional e global que contribuem para a solução de problemas ambientais.

Entre os temas abordados, estavam ciência do clima, principais fontes de emissão, vulnerabilidade e repercussões sócio-econômicas, formas de remediação e mitigação, convenção do clima e o que o Brasil está fazendo para reduzir os efeitos de mudanças climáticas.

Na manhã desta sexta-feira (30) o palestrante foi o representante do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais, Ednaldo de Paiva Pereira, que apresentou um histórico sobre os estudos e eventos internacionais que vem sendo feito a nível global sobre o tema. Pereira comentou também sobre a importância das políticas públicas, obrigação e deveres sobre o tema. “O papel das políticas públicas é muito importante mas não podemos depender só desta ferramenta. Temos que fazer a nossa parte com educação, conscientização e capacitação”, disse.

A assessora da Casa Civil da Presidência da República, Leiza Dubugras, participou todos os dias do curso e fez um balanço positivo do encontro que teve como princípio a multiplicação. “Foi muito importante porque as pessoas que participaram da capacitação chegarão nos seus locais de trabalho com uma noção e direcionamento para tratar do assunto conforme as suas realidades”, apontou Leiza.

ATUAÇÃO - Atualmente a mudança climática é tratada por apenas nove instituições no País que desenvolvem estudos e pesquisas sobre o assunto. O Paraná, por meio do Fórum Paranaense em Mudanças Climáticas Globais, concluiu em maio de 2009 um levantamento da produção científica relacionada às pesquisas em mudanças climáticas no Estado, bem como dos pesquisadores e instituições que atuam na área, a fim de conhecer e identificar possíveis lacunas que necessitam de maior aprofundamento e eventual apoio público.

Além disso, já foram realizadas diversas ações nos municípios pela Coordenadoria de Mudanças Climáticas da Secretaria para levar o assunto para conhecimento da população paranaense.

“Estamos tratando do assunto há algum tempo e também promovendo várias ações com a participação da sociedade. O Governo tem um papel fundamental neste contexto mas precisa do apoio de todos os envolvidos”, destaca a coordenadora em Mudanças Climáticas da SEMA, Manyu Chang.

 


 

Fonte: Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Paraná
Assessoria de imprensa

 
 
 
 

 

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