| 27/01/2026
– O tubarão-da-Groenlândia (Somniosus
microcephalus), conhecido por atingir até
seis metros e viver cerca de 400 anos, antes era
considerado quase cego devido a olhos opacos e infestados
por parasitas. No entanto, um estudo publicado na
Nature Communications mostra que ele possui um sistema
visual funcional e bem preservado, com mecanismos
de reparo do DNA que protegem a retina do desgaste
ao longo de sua longevidade extrema.
A fisiologista
Dorota Skowronska-Krawczyk, da Universidade da Califórnia
em Irvine, observou que o globo ocular do tubarão-da-Groenlândia
se movia lentamente seguindo uma fonte de luz, indicando
visão funcional. A descoberta desafia a ideia
de que esses tubarões seriam funcionalmente
cegos, uma suposição baseada na presença
de parasitas nos olhos e na vida em águas
profundas e escuras do Ártico e do Atlântico
Norte.
Embora
a cegueira do tubarão-da-Groenlândia
parecesse plausível, já que espécies
de ambientes escuros frequentemente perdem a visão,
o movimento ocular em direção à
luz indicava algo diferente. Para investigar, a
equipe de Dorota Skowronska-Krawczyk coletou amostras
raras entre 2020 e 2024, capturando tubarões
ao largo da Ilha Disko, na Groenlândia, e
dissecando globos oculares de animais, inclusive
centenários, para análises detalhadas.
Quando
uma amostra de globo ocular de 200 anos chegou ao
laboratório da UC Irvine, a equipe, acostumada
a olhos minúsculos de camundongos, precisou
adaptar seus protocolos. Após um descongelamento
cuidadoso, as análises histológicas
e moleculares revelaram nenhum sinal de morte celular
ou degeneração da retina, mesmo em
tubarões extremamente antigos, surpreendendo
os pesquisadores.
As análises
mostraram que os tipos celulares essenciais à
visão estavam presentes e organizados de
forma funcional, com a rodopsina ativa adaptada
à luz azul, que penetra melhor nas profundezas
oceânicas. Os parasitas na córnea não
impedem completamente a passagem da luz, e a anatomia
do olho indica adaptação à
visão em baixa luminosidade. A análise
genética revelou alta expressão de
genes de reparo do DNA na retina, um mecanismo que
protege os tecidos oculares do desgaste ao longo
de séculos, prevenindo danos relacionados
à idade, como degeneração macular
e glaucoma.
As descobertas
tornam o tubarão-da-Groenlândia um
modelo biológico valioso, já que poucos
vertebrados vivem tempo suficiente para mostrar
como tecidos sensíveis, como a retina, podem
escapar da degeneração associada ao
envelhecimento extremo. Compreender esses mecanismos
pode inspirar novas terapias para preservar a visão
humana. Segundo Emily Tom, estudos sobre visão
e longevidade em tubarões ainda são
raros, e o financiamento científico será
crucial para futuros avanços nessa área.
O estudo
desafia ideias prévias sobre evolução,
mostrando que o tubarão-da-Groenlândia
não perdeu a visão, mas a refinou
para sobreviver em um nível extremo de luz,
mantendo-a funcional por séculos. Os pesquisadores
destacam que os resultados são iniciais,
mas futuras investigações devem esclarecer
os mecanismos de reparo celular envolvidos e explorar
se eles podem ser replicados ou estimulados em humanos.
Da Redação,
com informações de agências
internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay
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