Governo
muda proposta para criar megaparque em Bertioga (SP)
Consema aprova duas Unidades de Conservação
O
governo de SP acatou parte das sugestões apresentadas
durante audiência pública e alterou o formato
do megaparque que vai criar na serra do Mar para permitir
a propriedade privada e o uso para habitação
de uma área de valorização imobiliária.
A
minuta de decreto que cria o Parque Estadual Restinga de
Bertioga foi aprovada ontem por 27 de 29 integrantes do
Conselho Estadual do Meio Ambiente. Houve protesto de ambientalistas
durante a votação, mas a ONG WWF-Brasil, que
ajudou o governo a construir a proposta do parque, aprovou
o resultado final.
SMA-SP/Divulgação |
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Parque
Estadual da Restinga de Bertioga |
A
proposta original previa área pública de 8.025
hectares, o equivalente a 51 parques Ibirapuera --haveria
desapropriações de glebas de terra, nas mãos
de oito grandes proprietários.
O
parque iria da divisa com São Sebastião até
a rodovia Mogi-Bertioga, em um sentido, e do Parque Estadual
da Serra do Mar até perto da Rio-Santos, em outro.
Uma
das sugestões aceitas foi a transformação
em unidade de preservação de uma extensa área
a oeste da rodovia Mogi-Bertioga. A prefeitura havia sugerido
que ela fosse transformada em APA (área de preservação
permanente), mas o governo a incluiu no perímetro
do parque. Com isso, o parque passou a ter 9.264 hectares.
Outra
sugestão feita na audiência e aceita pelo governo
foi a criação de três RPPNs (reservas
particulares de proteção natural), unidades
de conservação que permitem a manutenção
da propriedade privada --juntas, as três reservas
têm 1.440 hectares.
SMA-SP/Divulgação |
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Monumento
Natural da Pedra do Baú. |
Em
outra alteração, o governo excluiu 222 hectares
da área do parque para permitir seu uso habitacional
--a área fica no entorno da Riviera de São
Lourenço, bairro de altíssimo padrão,
uma das áreas mais caras do litoral paulista --um
apartamento de quatro dormitórios chega a custar
R$ 4 milhões. A área liberada foi menor que
a sugerida pela prefeitura --222 hectares.
ITAGUARÉ
Para
contemplar reivindicação de pesquisadores,
ambientalistas e Ministério Público, o governo
criou uma segunda área de preservação,
do tipo Arie (área de relevante interesse ecológico)
na região de Itaguaré.
Com
58 hectares, a Arie é uma unidade que permite a conservação
de exemplares raros da biota regional, mas pode ter algum
uso privado.
Uma
proposta da Promotoria para incluir parte do município
de São Sebastião na área do parque
não foi aceita pelo governo.
"Tentamos
contemplar em partes todas as propostas apresentadas para
a delimitação da área", afirmou
José Amaral Wagner Neto, diretor executivo da Fundação
Florestal, por meio de nota.
Também
em nota, o secretário-adjunto do meio ambiente, Casemiro
Tércio Carvalho, o conselho teve maturidade e coragem.
"Nunca se criou tantas unidades de conservação
de qualidade e com debate em um processo conjunto com a
sociedade civil e as prefeituras", disse.
JOIAS DA COROA
"A
gente tem as joias da coroa garantidas", afirma Luciana
Simões, coordenadora do Programa Mata Atlântica,
da WWF Brasil.
Segundo
ela, é natural que a proposta seja alterada no decorrer
do processo, porque a criação de uma unidade
de preservação envolve questões como
indenizações e temas de alçada do município,
como captação de água.
"Nossa
avaliação é que a gente tem garantido
áreas fundamentais, que estão no polígono
do parque. A Fundação Florestal conseguiu
acomodar bem as demandas, obviamente considerando as outras
questões envolvidas."
Sobre
a transformação da área em um mosaico,
com reservas privadas, a ambientalista disse não
ver problemas. "O importante é ser criativo,
compor com a sociedade usando os instrumentos que a gente
tem", diz.
ECOSSISTEMA
O
parque vai abarcar uma grande área de planície
que liga o ambiente costeiro-marinho ao da serra do Mar
e permitir conservar um dos últimos remanescentes
de restinga do litoral paulista.
O
ecossistema abriga 117 espécies de aves, cerca de
mil tipos de plantas (só de bromélias há
53), os deltas dos rios Itaguaré e Guaratuba e sambaquis
_depósitos primitivos que apontam ocupação
humana há 5.000 anos.
Também há
muitos mamíferos de grande porte sob risco, como
onça-parda, jaguatirica, cateto e queixada.
JOSÉ BENEDITO DA SILVA
DE SÃO PAULO
+ Mais
Megaparque de Bertioga
pode incluir São Sebastião, no litoral de
SP
Parte
do município de São Sebastião (litoral
norte de São Paulo) pode ser incluída no perímetro
do megaparque que o governo do Estado quer criar em Bertioga,
com área igual à de 51 parques Ibirapuera,
informa reportagem de José Benedito da Silva, publicada
neste sábado pela Folha (íntegra disponível
para assinantes do jornal e do UOL).
A
proposta de ampliar a área sugerida, de 80,25 km2,
foi feita pelo Ministério Público ao Consema
(Conselho Estadual do Meio Ambiente) durante audiência
pública.
O
parque vai permitir conservar um dos últimos remanescentes
de restinga do litoral -98% do que sobrou na Baixada Santista
está nessa área. O ecossistema abriga mais
de 300 espécies de animais -parte em extinção-
e cerca de mil tipos de planta.
O
principal objetivo é ampliar a proteção
da praia de Itaguaré, que é alvo de interesse
do setor imobiliário. De outro lado, dois proprietários
rurais -Fazenda Acaraú e Barma Empreendimentos- apresentaram
propostas para transformar parte das glebas que seriam desapropriadas
em RPPNs (reservas particulares de proteção
natural), um tipo de unidade de conservação
que admite a propriedade privada.
+ Mais
Pedra do Baú,
em SP, ganha aval para ser monumento
Maciço
rochoso a 1.950 metros de altitude na cidade de São
Bento do Sapucaí (173 km de São Paulo), na
serra da Mantiqueira, a Pedra do Baú --referência
visual para 52 cidades-- deve ganhar nos próximos
dias um novo status de proteção.
O
Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente) aprovou ontem
a criação do Monumento Natural da Pedra do
Baú, um dos tipos de unidade de conservação
de proteção integral previstos em lei --mesma
categoria dos parques.
A
pedra fica hoje numa APA (Área de Proteção
Ambiental), unidade de conservação com regras
mais flexíveis de uso e ocupação.
Não
haverá desapropriações, mas, com a
criação da unidade, a administração
da área passa a ser da Fundação Florestal
e do município, que pretendem ampliar a infraestrutura
turística --o local é hoje mantido por voluntários
como montanhistas, esportistas, ONGs e empresários.
A
área, integralmente no município de São
Bento do Sapucaí, é de 3.154 hectares --equivalente
a 20 parques como o do Ibirapuera-- e faz divisa com Minas
e a cidade de Campos de Jordão. Além da Pedra
do Baú, ficam na área protegida as pedras
do Bauzinho e Ana Chata.
O
complexo é um dos principais pontos turísticos
da região, procurado principalmente por praticantes
de esportes radicais como voos de asa-delta e parapente,
trekking (uma espécie de rali a pé por trilhas)
e alpinismo.
Em
SP, a Pedra do Baú será o segundo monumento
natural --o primeiro, criado em março deste ano,
é a Pedra Grande, na Cantareira. Em nível
federal, há dois: o rio São Francisco (Nordeste)
e os Pontões Capixabas (ES).