Dados
de satélite estão ajudando a proteger a biodiversidade
oceânica
Pesquisa
usos esses dados para determinar zonas de biodiversidade
no Oceano Atlântico
24/04/2026 – Um estudo
financiado pela ESA mostrou que o uso de dados de satélite
pode ajudar a identificar zonas de biodiversidade e rotas
de navegação no Oceano Atlântico, permitindo
proteger até 30% dos habitats marinhos com baixo
impacto na pesca e no transporte marítimo. A pesquisa
também apresenta uma metodologia para preservar áreas
essenciais que abrigam diversas espécies, como aves
migratórias, peixes grandes, tartarugas e mamíferos
marinhos.
O estudo concluiu que proteger
30% do alto-mar é uma estratégia eficaz para
preservar espécies ameaçadas. Ao identificar
áreas centrais de biodiversidade e redirecionar o
tráfego marítimo ao redor dessas zonas, seria
possível atingir a meta da ONU de conservação
sem causar grandes impactos à pesca e à navegação.
O estudo, financiado pelo
projeto BOOMS da ESA, propõe a proteção
de pelo menos 30% de cada paisagem marinha como uma estratégia
inicial para conservar o alto-mar. Segundo a cientista Marie-Helene
Rio, essa abordagem pode ser ajustada posteriormente com
base na presença de espécies raras, habitats
importantes e fatores socioeconômicos, permitindo
um planejamento espacial mais flexível e colaborativo.
As principais atividades
humanas no alto-mar são a pesca e a navegação,
sendo o ruído e as emissões as formas mais
relevantes de poluição. Dados do Sistema de
Identificação Automática (AIS) foram
usados para medir a intensidade dessas atividades. O estudo
destaca que a poluição sonora pode prejudicar
a vida marinha, afetando a comunicação e a
caça de cetáceos, além de interferir
no comportamento de peixes, como reprodução
e evasão de predadores. Também foram analisados
fatores como tipo de embarcação, densidade
do tráfego e níveis de ruído emitidos.
Os impactos da navegação
e da pesca no alto-mar ainda precisam ser estudados com
mais profundidade, incluindo colisões com mamíferos
marinhos e efeitos como danos ao fundo do oceano, captura
acidental de espécies e geração de
lixo. Segundo o coordenador do projeto BOOMS, os dados de
satélite oferecem grande potencial para avançar
o conhecimento sobre a biogeografia dos oceanos e apoiar
políticas de conservação marinha em
escala global.
O alto-mar representa cerca
de dois terços dos oceanos, mas apenas uma pequena
fração (1,45%) dessas áreas está
protegida, apesar das diversas ameaças como sobrepesca,
exploração de petróleo, gás,
mineração e mudanças climáticas.
Para enfrentar esse cenário, a ONU adotou em 2023
o acordo Biodiversidade Além da Jurisdição
Nacional, que busca criar áreas protegidas e promover
a conservação da biodiversidade marinha, com
a meta de proteger 30% dos oceanos até 2030. Ainda
assim, a falta de dados sobre a vida marinha é um
dos principais desafios para a implementação
dessas medidas.
O estudo dividiu o Oceano
Atlântico em “paisagens marinhas”, áreas
definidas por características biológicas e
físicas semelhantes, para apoiar a criação
de zonas protegidas. Essas regiões foram identificadas
com base em dados de cor do oceano fornecidos por diferentes
satélites, permitindo mapear ecossistemas observáveis
do espaço.
Com essas informações,
os pesquisadores modelaram a biodiversidade em vários
níveis da cadeia alimentar, desde o fitoplâncton
até predadores de topo, com atenção
especial a espécies ameaçadas. Esses dados
também foram combinados com informações
sobre atividades humanas no oceano para avaliar impactos
e orientar estratégias de conservação.
Da Redação,
com informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay