24/08/2026
– As mudanças climáticas e a precariedade do
acesso à água potável têm ampliado os
desafios enfrentados por comunidades rurais do Paquistão.
Diante desse cenário, a organização AHD Paquistão
defende um modelo de desenvolvimento baseado em soluções
locais, tecnologias de baixo custo e participação
direta das comunidades.
A proposta reúne cinco frentes
principais: acesso à água potável por meio
do filtro Nadi, utilização de fogões de alta
eficiência energética, implantação de
hortas domésticas, plantio de árvores e fortalecimento
de Organizações de Base Comunitária (OBCs).
Segundo a organização,
o objetivo é criar comunidades mais resilientes diante de
inundações, ondas de calor, escassez hídrica
e outros impactos associados às mudanças climáticas.
Soluções de baixo custo para áreas
rurais
Entre as tecnologias apresentadas pela AHD está o filtro
Nadi, um sistema de filtragem de água baseado em materiais
naturais e tecnologia de cerâmica. A organização
afirma que a solução já beneficiou cerca de
385 mil pessoas e pretende ampliar esse alcance para 1 milhão
de pessoas até 2030.
A iniciativa também busca reduzir
a dependência de água engarrafada e, consequentemente,
diminuir a geração de resíduos plásticos.
A AHD defende que soluções locais para tratamento
de água podem ser particularmente relevantes em comunidades
que enfrentam dificuldades de infraestrutura e acesso a serviços
básicos.
A organização pretende
ainda expandir a utilização do filtro para outros
países asiáticos e africanos, incluindo comunidades
rurais do Quênia.
Fogões eficientes reduzem
consumo de lenha
Outra frente do projeto é o chamado Fogão AHD Inteligente
para o Clima. Segundo a organização, mais de 285 mil
unidades foram instaladas desde 2003 em diferentes áreas
rurais e vulneráveis do Paquistão.
A AHD afirma que os fogões
podem reduzir em aproximadamente 50% o consumo de lenha e diminuir
a exposição das mulheres à fumaça produzida
durante o preparo dos alimentos.
Além dos possíveis benefícios para a saúde,
a redução no consumo de biomassa também é
apresentada pela organização como uma estratégia
de conservação ambiental e redução das
emissões de carbono.
De acordo com os números divulgados
pela AHD, a economia estimada seria de aproximadamente 5 kg de lenha
por fogão por dia. Considerando 285 mil unidades, a organização
calcula uma economia potencial de aproximadamente 1,425 milhão
de quilos de lenha por dia. Esses números, assim como os
impactos efetivos sobre emissões de carbono e saúde,
dependem de condições de uso e de avaliação
independente.
Hortas e árvores como
parte da estratégia
O modelo proposto também inclui hortas domésticas.
A iniciativa pretende estimular famílias rurais a cultivar
pequenas quantidades de hortaliças para melhorar o acesso
a alimentos frescos e reduzir despesas domésticas.
O plantio de árvores é
outra peça importante da estratégia. A AHD relata
ter apoiado ações de arborização em
áreas costeiras dos distritos de Thatta, Badin e Sujawal,
regiões particularmente vulneráveis a inundações.
A organização considera
a recuperação da cobertura vegetal uma ferramenta
para ampliar a resiliência das comunidades, conservar recursos
naturais e contribuir para a redução das emissões
de gases de efeito estufa.
Organizações
comunitárias no centro da proposta
Para a AHD, entretanto, a tecnologia não é suficiente.
O modelo depende da formação de Organizações
de Base Comunitária capazes de identificar problemas, coordenar
ações e administrar soluções localmente.
A proposta ganhou força, segundo
a organização, diante das dificuldades observadas
no funcionamento de algumas ONGs e instituições após
a pandemia de COVID-19 e com a chegada de novas gerações
de lideranças comunitárias.
A ideia é transferir parte
da capacidade de decisão para as próprias comunidades,
permitindo que homens e mulheres participem da implementação
das soluções e do planejamento do desenvolvimento
local.
Visita a vila evidencia desafios
Em julho de 2026, representantes da AHD visitaram a vila de Usman
Mallah, em Mirpur Sakro, nas proximidades de Gharo. Segundo o relato
da organização, a equipe encontrou condições
precárias de moradia, saúde e qualidade de vida.
Durante a visita, foram implementados
filtros Nadi e fogões eficientes. A AHD afirma que, já
no segundo dia, mulheres e crianças demonstraram interesse
e passaram a utilizar as tecnologias.
A organização também relata que ONGs de Sindh
adotaram os filtros e fogões, mas, segundo sua avaliação,
algumas iniciativas não conseguiram reproduzir adequadamente
a inovação original.
Experiência com água
e clima
A trajetória da AHD na área de recursos hídricos,
segundo a própria organização, começou
a ganhar destaque entre 1998 e 2002, período em que participou
da construção de cinco grandes barragens no deserto
de Nagarparkar.
Desde 2003, a instituição
afirma trabalhar com soluções relacionadas à
água, clima, energia doméstica e desenvolvimento comunitário.
A experiência é apresentada
como base para o modelo de Desenvolvimento Integrado de Vilas, conhecido
pela sigla IVDM, que combina infraestrutura doméstica, conservação
ambiental, geração de renda e organização
comunitária.
Resposta às mudanças
climáticas
A organização argumenta que os eventos climáticos
extremos registrados nos últimos anos demonstram a necessidade
de respostas que ultrapassem grandes projetos de infraestrutura.
No Paquistão, comunidades rurais e costeiras estão
entre as populações mais expostas a enchentes, perdas
agrícolas e destruição de moradias. A AHD defende
que soluções descentralizadas podem complementar políticas
públicas e grandes programas de assistência.
A proposta também é relacionada aos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS) das Nações Unidas, especialmente
aos ODS 6, sobre água potável e saneamento; 7, sobre
energia acessível e limpa; 12, sobre consumo e produção
responsáveis; e 13, sobre ação climática.
Expansão para África
e Ásia
A AHD pretende levar o modelo para outras regiões, com destaque
para países africanos. A organização já
apresenta experiências de utilização do filtro
Nadi no Quênia, incluindo ações de treinamento
e produção comunitária.
Entre os registros divulgados estão
experiências em Kisumu, na região do Lago Vitória,
e nas proximidades de Kakamega. A instituição também
relata casos de famílias e profissionais de saúde
que utilizam o filtro há vários anos no Paquistão.
A expansão internacional pretende
combinar treinamento de organizações locais com produção
descentralizada, evitando, segundo a proposta, a dependência
de grandes equipamentos industriais ou de cadeias de importação.
Meta de 1 milhão de
pessoas até 2030
A AHD estabeleceu como meta alcançar 1 milhão de pessoas
pobres, vulneráveis e indígenas em comunidades rurais
do Paquistão, da Ásia e da África até
2030.
A organização afirma
que pretende ampliar o número de famílias atendidas
e desenvolver atividades econômicas voltadas principalmente
às mulheres, permitindo que parte da geração
de renda ocorra dentro das próprias comunidades.
Para seus idealizadores, a combinação
entre água segura, energia doméstica eficiente, produção
de alimentos, arborização e organização
comunitária pode transformar desafios ambientais em oportunidades
de desenvolvimento.
A proposta também busca estabelecer
parcerias com instituições internacionais. A AHD cita,
entre outras possibilidades, a Organização das Nações
Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e defende a criação
de redes de treinamento capazes de levar as tecnologias a um número
maior de comunidades.
De soluções
locais a uma estratégia global
A experiência apresentada pela AHD parte de uma premissa simples:
comunidades vulneráveis precisam de soluções
que possam ser produzidas, utilizadas e mantidas localmente.
Filtros de água, fogões
eficientes, hortas, árvores e organizações
comunitárias são apresentados como componentes de
uma mesma estratégia de resiliência.
O desafio agora é transformar experiências pontuais
em programas de maior escala, com avaliação independente
dos resultados, financiamento sustentável e integração
com políticas públicas de água, saúde,
clima e redução da pobreza.
Enquanto países do Sul Global
enfrentam simultaneamente mudanças climáticas, insegurança
hídrica, pobreza e poluição por resíduos
plásticos, iniciativas comunitárias como a proposta
pela AHD buscam demonstrar que parte das respostas pode começar
dentro das próprias vilas — com tecnologias simples,
participação local e conhecimento adaptado à
realidade de cada comunidade.
Divulgação/Association for Humanitarian Development-AHD
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Da Association for Humanitarian Development-AHD
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Association for Humanitarian Development-AHD
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