A poluição por plástico tornou-se uma das questões ambientais mais urgentes do planeta.
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Pesquisa mostra que queima de plástico é usada para aquecimento e culinária

Problemas da poluição por plástico vão além dos já conhecidos

 
 

28/01/2026 – Um estudo da Universidade Curtin, publicado na Nature Communications, revelou que a queima de plástico como fonte de energia é uma prática comum em países em desenvolvimento, levantando graves preocupações de saúde, desigualdade social e impacto ambiental. A pesquisa ouviu mais de 1.000 pessoas em 26 países que atuam junto a comunidades urbanas de baixa renda. Um em cada três entrevistados afirmou conhecer famílias que queimam plástico, muitos já presenciaram a prática, e uma parcela menor, porém relevante, admitiu já ter queimado plástico pessoalmente.

O Dr. Bishal Bharadwaj, do Instituto Curtin para a Transição Energética, destacou que o estudo é o primeiro a apresentar evidências globais de que famílias queimam plástico não só para descartar resíduos, mas também para cozinhar, aquecer casas, acender fogueiras e repelir insetos. Segundo o pesquisador, a prática ocorre fora da atenção pública e sempre foi difícil de medir, mas a pesquisa trouxe dados mais claros sobre essa realidade.

O estudo aponta que, sem acesso a combustíveis limpos e a serviços adequados de coleta de lixo, muitas famílias recorrem ao plástico como fonte de energia de emergência. São queimados diversos tipos de resíduos plásticos para atender necessidades básicas domésticas. A pesquisa revela que essa prática é muito mais comum do que se pensava, mas permanece invisível por ocorrer em comunidades marginalizadas, apesar dos sérios riscos à saúde e ao meio ambiente.

A pesquisa constatou que famílias utilizam fogões rudimentares, como fogueiras de três pedras, fogões a carvão e queimadores improvisados, para queimar plástico, gerando fumaça tóxica dentro de casas e em áreas densamente povoadas. Os grupos mais vulneráveis à exposição são mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência.

Reprodução/Pixabay

 



O professor Hari Vuthaluru, coautor do estudo, alertou que a queima de plásticos mistos e especialmente de PVC gera emissões altamente tóxicas. Ao ser queimado, o PVC libera dioxinas e furanos, poluentes persistentes que se acumulam no ambiente e na cadeia alimentar, podendo causar câncer, problemas reprodutivos e danos ao sistema imunológico, o que torna sua queima particularmente preocupante.

O Dr. Pramesh Dhungana destacou que a queima de plástico representa um grave risco de contaminação de alimentos e da água. Segundo o estudo, 60% dos entrevistados consideram muito provável que toxinas liberadas nessa prática contaminem alimentos e fontes hídricas, algo já comprovado por pesquisas que encontraram compostos tóxicos em solos e ovos próximos a locais de queima. Essas substâncias podem se depositar em plantações e se acumular nos alimentos, gerando uma crise de saúde silenciosa em comunidades vulneráveis.

A professora Peta Ashworth afirmou que o combate à queima de plástico exige ações urgentes e estruturais, e não apenas a proibição da prática, especialmente diante da previsão de triplicação do uso de plástico até 2060. Segundo ela, a queima ocorre por falta de alternativas seguras, causada pela pobreza energética, alto custo de combustíveis limpos e falhas na coleta de lixo. A pesquisa oferece evidências para embasar soluções que melhorem o saneamento, ampliem o acesso à energia moderna e considerem as realidades culturais das comunidades mais vulneráveis.

Saiba mais: Prevalência do uso de resíduos plásticos como combustível doméstico em comunidades de baixa renda do Sul Global, Nature Communications (2026). DOI: 10.1038/s41467-025-67512-y

Da Redação, com informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay

 
 
 
     
     
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