19/03/2026
– Microplásticos e nanoplásticos já foram
detectados em praticamente todos os ambientes do planeta, incluindo
oceanos profundos, solos agrícolas, animais e até
no corpo humano. Apesar dessa ampla presença, ainda se sabe
pouco sobre o que ocorre com essas partículas após
entrarem nos organismos. Um novo estudo apresenta uma técnica
baseada em fluorescência que permite monitorá-las em
tempo real, acompanhando sua circulação no corpo,
possíveis alterações químicas e eventual
degradação.
A produção mundial de
plástico supera 460 milhões de toneladas por ano,
liberando milhões de toneladas de partículas microscópicas
no ambiente. Microplásticos já foram encontrados em
tecidos humanos, como sangue, fígado e até no cérebro.
Estudos laboratoriais indicam possíveis efeitos como inflamação,
danos a órgãos e prejuízos ao desenvolvimento,
mas ainda há incertezas sobre como essas partículas
se comportam dentro do organismo.
Segundo o pesquisador Wenhong Fan,
os métodos atuais apenas quantificam microplásticos
em tecidos, sem permitir observar como eles se movimentam, se acumulam,
se transformam ou se degradam em organismos vivos. O estudo, publicado
na revista científica New Contaminants, destaca que técnicas
tradicionais, como espectroscopia no infravermelho e espectrometria
de massa, exigem a destruição das amostras, impedindo
o acompanhamento ao longo do tempo. A imagem por fluorescência
surge como alternativa, mas ainda enfrenta limitações,
como perda de sinal, vazamento de corantes e redução
do brilho em ambientes biológicos complexos.
Para contornar as limitações
das técnicas atuais, os pesquisadores criaram uma estratégia
que incorpora monômeros fluorescentes diretamente na estrutura
do plástico, em vez de apenas aplicar corantes na superfície.
A abordagem utiliza materiais com emissão induzida por agregação,
que brilham mais intensamente quando agrupados, garantindo sinal
mais estável e menor perda de luminosidade. O método
permite ajustar cor, intensidade, tamanho e formato das partículas
e mantém a fluorescência mesmo após a degradação,
possibilitando acompanhar todo o ciclo de vida dos microplásticos
no organismo, da ingestão à decomposição
final.
A estratégia ainda está
em fase experimental, mas se apoia em fundamentos consolidados da
química de polímeros e da bioimagem fluorescente.
Os pesquisadores acreditam que ela pode se tornar uma ferramenta
relevante para investigar como microplásticos interagem com
células, tecidos e órgãos. Segundo Fan, entender
o transporte e as transformações dessas partículas
no organismo é crucial para avaliar riscos ambientais e à
saúde, permitindo avançar da simples medição
da exposição para a compreensão dos mecanismos
de toxicidade. Diante da crescente preocupação com
a poluição plástica, a tecnologia pode contribuir
para aprimorar avaliações de risco e orientar futuras
regulações ambientais.
Da Redação, com
informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay/Imagem Gerada por Inteligência
Artificial
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