08/04/2026
– Uma pesquisa da Fundação Educacional Inaciana
Pe. Sabóia de Medeiros investiga o uso de resíduos
como garrafas PET, borra de café e cascas vegetais para remover
poluentes da água. A técnica combina baixo custo,
reaproveitamento de materiais e potencial para ampliar o acesso
à água tratada no Brasil. Testes laboratoriais mostraram
alta eficiência na remoção de contaminantes,
incluindo fármacos de difícil tratamento, como o diclofenaco.
A proposta utiliza o processo de adsorção,
no qual contaminantes da água se fixam em materiais sólidos
altamente porosos. Esses materiais são obtidos a partir de
resíduos que passam por carbonização e ativação,
adquirindo propriedades capazes de reter poluentes dissolvidos,
segundo a pesquisadora Andréia Morandim-Giannetti, da FEI.
Os materiais desenvolvidos podem remover
diversas classes de contaminantes da água, como fármacos,
corantes, compostos fenólicos, pesticidas e metais pesados.
Testes com PET indicam desempenho igual ou superior a adsorventes
comerciais. Além da eficiência, a abordagem traz benefícios
ambientais e econômicos ao transformar resíduos em
insumos úteis para o tratamento de água.
A principal vantagem do processo é
sua sustentabilidade: ao utilizar resíduos, ele valoriza
materiais que seriam descartados, reduz custos de produção
e minimiza impactos ambientais. A abordagem segue o conceito de
economia circular, reinserindo resíduos no ciclo produtivo
com valor agregado.
A tecnologia de adsorventes a partir
de resíduos pode beneficiar diretamente regiões com
baixa infraestrutura de saneamento. Segundo o Ranking de Saneamento
2024, quase 32 milhões de pessoas não têm acesso
à água potável e cerca de 90 milhões
não têm coleta de esgoto. Morandim-Giannetti ressalta
que a solução tem grande potencial para ampliar o
acesso à água tratada nessas áreas.
Os adsorventes produzidos a partir
de resíduos podem complementar sistemas tradicionais de tratamento,
aumentando a segurança da água distribuída.
Eles são especialmente eficientes na remoção
de micropoluentes emergentes, como fármacos, pesticidas e
compostos orgânicos persistentes, que tecnologias convencionais
muitas vezes não eliminam totalmente, oferecendo maior eficiência
no tratamento.
Um dos maiores desafios da tecnologia
de adsorventes é a transição do laboratório
para aplicações práticas. Entre os obstáculos
estão a padronização dos materiais, a validação
em ambientes reais e o cumprimento de exigências regulatórias.
É necessário desenvolver protocolos de produção
que garantam desempenho consistente e realizar testes em condições
mais complexas antes de sua implementação em sistemas
de abastecimento de água.
Sistemas de tratamento de água
apresentam condições complexas, como mistura de contaminantes,
sólidos suspensos, variações de pH e matéria
orgânica dissolvida, exigindo testes em plantas-piloto integradas.
Além disso, os materiais devem cumprir normas de órgãos
reguladores, como ANA, CONAMA e Ministério da Saúde,
para uso em abastecimento público.
A implementação em larga
escala da tecnologia de adsorventes depende da colaboração
entre indústria, municípios, companhias de saneamento
e universidades. Uma estratégia promissora é integrar
a gestão de resíduos ao tratamento de água,
criando parcerias público-privadas para transformar resíduos
urbanos em materiais adsorventes. A tecnologia oferece soluções
frente à poluição crescente e à desigualdade
no acesso à água, e estudos laboratoriais mostram
que adsorventes derivados de resíduos plásticos têm
desempenho comparável aos comerciais.
Da Redação, com
informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay
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