05/05/2026
– Estudo publicado na Nature Climate Change aponta que micro
e nanoplásticos na atmosfera contribuem para o aquecimento
global mais do que se estimava, com efeito equivalente a cerca de
16,2% do causado pela fuligem. Segundo os pesquisadores, esse impacto
vem sendo subestimado porque os modelos climáticos costumam
considerar essas partículas como incolores.
Plásticos presentes no ambiente
geralmente contêm pigmentos, o que aumenta muito seu impacto
climático: partículas coloridas podem absorver até
75 vezes mais luz solar que as transparentes. Esses micro e nanoplásticos
— fragmentos de até um milímetro gerados pela
degradação de materiais maiores — já
foram encontrados em praticamente todo o planeta, do fundo dos oceanos
ao topo do Everest, com presença contínua registrada
desde os anos 1960.
Partículas suspensas aquecem
o ar ao absorver luz solar, em um processo chamado forçamento
radiativo, semelhante ao efeito da fuligem no aquecimento global.
Em estudo liderado por Hongbo Fu, da Universidade Fudan, na China,
pesquisadores analisaram como diferentes microplásticos interagem
com a luz, considerando fatores como tamanho, cor e composição,
usando microscopia eletrônica e simulações atmosféricas.
A cor é o principal fator no
impacto dos microplásticos: partículas pretas absorvem
mais luz, enquanto as brancas quase não contribuem. Nanoplásticos,
por serem menores, absorvem e dispersam mais luz e permanecem mais
tempo na atmosfera, ampliando seus efeitos. Já o envelhecimento
altera pouco o impacto total, pois mudanças na cor das partículas
acabam se compensando ao longo do tempo.
Cientistas estimaram que micro e nanoplásticos
geram um forçamento radiativo médio de 0,039 W/m²
— menor que o dos gases de efeito estufa, mas relevante entre
poluentes climáticos. O impacto, porém, é desigual:
em áreas com alta concentração de plástico,
como a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, o aquecimento pode
ser até 4,7 vezes maior que o da fuligem.
Regiões como o Mediterrâneo,
o leste da América do Norte e o leste da Ásia apresentam
maior aquecimento associado aos microplásticos no ar, concentrado
principalmente no Hemisfério Norte, onde o efeito é
4,6 vezes maior que no Hemisfério Sul. O impacto também
varia ao longo do ano, com picos entre abril e julho devido à
maior circulação atmosférica. Pesquisadores
destacam que esses poluentes podem representar um novo fator climático
relevante.
Da Redação, com
informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay
|