26/08/2026
– FABÍOLA SINIMBÚ – REPÓRTER DA
AGÊNCIA BRASIL – Quatro em cada dez brasileiros (39%)
nunca ouviram falar sobre o conceito de economia circular. Os dados
constam de uma pesquisa encomendada pelo Movimento Plástico
Transforma ao QualiBest, e mostram ainda que, embora o tema já
tenha chegado a 57% da população, isso ocorreu de
forma superficial.
Baseada na gestão de recursos,
a economia circular reutiliza, recupera e reinsere recursos no ciclo
produtivo. É uma alternativa ao modelo produtivo linear,
em que os recursos cumprem uma única etapa de uso e são
descartados.
Desse total de 57% que afirmou já
ter ouvido falar no conceito, apenas 12% declarou conhecer bem,
e outros 45% afirmou já ter ouvido falar em economia circular,
mas não conhecer detalhes.
“Isso é um ponto que
ainda precisa ser trabalhado, porque não adianta nada você
conhecer se você não tem um aprofundamento do tema,
e isso que a gente precisa tentar trabalhar”, afirma Beatriz
Geraldes, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico
Transforma.
Para Beatriz, iniciativas para a ampliação do conhecimento
sobre temas mais desafiadores, como a economia circular, devem partir
de escolas, governos, empresas e organizações sociais,
em um esforço focado em crianças e adolescentes.
“A gente entende que eles são
os nossos principais vetores de comunicação com suas
famílias, com a comunidade do entorno. Então isso
é superimportante para poder fazê-los entender e para
levarem esse exemplo para casa.”
A pesquisa Reciclagem no Brasil: Hábitos,
Desafios e Percepções da População ouviu
834 pessoas a partir de 18 anos, entre 30 de abril e 08 de maio
de 2026. Os dados também foram comparados à primeira
edição do estudo, realizada em 2025.
Grande parte dos entrevistados (74%)
declarou ter disposição para mudar hábitos
de consumo com o objetivo de gerar menos resíduo. Enquanto
3% declarou que talvez mudaria, outros 23% afirmou não ter
disposição para promover essa mudança.
De forma geral, os pesquisados consideraram
a reciclagem de produtos uma responsabilidade compartilhada atribuída
principalmente à população (78%), governo (63%)
e empresas (55%).
Na comparação com a pesquisa de 2025, a responsabilização
da população cresceu três pontos percentuais,
já a cobrança por atuação do governo
e empresas cresceram respectivamente quatro e seis pontos percentuais.
As escolas também foram responsabilizadas
por 35% dos entrevistados, assim como 30% considerou a reciclagem
responsabilidade de organização não governamentais
(ONGs) e 3% atribuiu a outros setores.
Devolução
A logística reversa, prática de devolver ao fabricante
um produto após o fim de seu ciclo para reinserção
na cadeia produtiva, também foi abordada no estudo. A maioria
dos entrevistados, 42% afirmou já ter devolvido ao menos
uma vez algum produto. Desses, 14% afirmaram fazer com frequência.
A pesquisa indicou que 55% das pessoas
têm acesso à coleta seletiva em casa ou na rua. E 11%
separam os resíduos, mas não levam aos pontos de coleta.
Desse grupo, 63% entregam reciclável e orgânico juntos
ao caminhão de coleta e 36% entregam o material separado
aos catadores.
A confiança da população
brasileira sobre a reciclagem dos resíduos separados é
alta, demonstra a pesquisa. Mais da metade (54%) declarou acreditar
que os resíduos separados são efetivamente reciclados.
Apenas 6% não confiam no processo.
Na avaliação da gerente
de pesquisa do Instituto QualiBest, Marlene Treuk, os dados do levantamento
mostram, de forma geral, que embora o conhecimento precise ser aprofundado,
já há uma transformação na prática.
“Existe uma percepção
clara sobre a importância da reciclagem e uma disposição
crescente para adotar comportamentos mais sustentáveis.”
Da Agência Brasil
Fotos: Reprodução/Pixabay
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